Million Dollar Kiss: 05/01/2005 - 06/01/2005
The Ego's Last Stand.

30.5.05

o homem falante

dizia eu sobre minha tendinite aspirante e sem projeção, então, esta me levou ao pronto-socorro esta tarde. tenho o braço engessado, de forma que não consigo digitar at full capacity e cometo sérios erros e não posso colocar maiúscula em nada, quer dizer, posso apertando caps lock vez sim vez não, ou equilibrando uma caneta dentro da boca e me contorcendo um pouco pra chegar perto do teclado, ou treinando meus cachorros ou pedindo a empregada. então tá.

agora, finalmente, eu entendo aquelas muitas meninas, são sempre meninas, que não colocam maiúscula nas coisas. tendinite, i say, tendinite. dói tudo, ó, daqui a aqui, assim, ó.

Hitler era incompreendido

A essa altura, falar mal de jornalista e/ou jornalismo é tão redundante e bobo quanto dizer que Hitler era mau - alguns, acreditem, dizem que Hitler não era mau, que era uma pessoa doente e/ou incompreendida. Pelo menos, com relação ao jornalismo não há dúvidas.
Meu professor de arte dizia que o Brasil não têm arte, que têm artistas. Adendo eu, e dois ou três jornalistas. 1,5 mortos.

28.5.05

Pinguins albinos

Internet
Blog é coisa séria
Os diários virtuais não são só para adolescentes. Sua influência já vai da política aos negócios. Hoje, há mais de 32 milhões desses diários virtuais no mundo inteiro, e deve-se atingir a marca de 53 milhões até o fim do ano, de acordo com a consultoria americana Perseus Development Corp.

Revista Veja, desse sábado.

Um dos entrevistados é o melhor blogueiro do mundo todo, além de meu amigo - diria ele que "falar mal de tradutor é como atirar em pinguins". Me ocorre agora que devem existir milhões e milhões de pinguins. Me contou que o jornalista responsável pela matéria teve dois dias pra descubrir o que é blog.

26.5.05

Os dois blogueirinhos

De tão pobrinhos, muito pobrinhos, foram viver dentro do forno da mãe, encostadinhos num cantinho, aquecidos pelo fogo, se alimentando de sobrinhas de bolos, que escorriam acidentalmente, e frangos e assados e biscoitos e batatas. Chamuscados vez ou outra, as peles tão branquinhas eram, de outra cor agora, mas viviam bem e felizes, assoprando os fósforos de pirraça, quando não havia o que fazer, e rindo baixinho, quando o gás falhava e a empregada ficava danada, gastando caixas e caixas - se soubessem, as empregadas, dos blogueirinhos que vivem nos fornos, que migram, no verão, para a geladeira e eles, são eles, que escondem as caixas de leite lá atrás. Aparecida, enlouquecida, nos perseguindo com a sola da sandália - mergulhando em caixas de cereais, se disfarçando de bananas.

24.5.05

O jantar foi silencioso

Quando abriu as calças, encontrou um microconto.

Uh! There it is.

23.5.05

BadAss

O BadAss Movie News saiu e postou a lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos da Time Magazine. Parece que na faculdade de jornalismo se passam anos e anos aprendendo como fazer listas corretas; É uma mistura de obviedade, com falta de polêmica, e modismo - City of God está lá porque todo gringo, jornalista ou não, está apaixonado por City of God, até a Kirsten Dunst, "like, wow, dude", mas vai passar, a mulata vai passar, vai passar, passou - ou seja, chatice.

Códigos

Sou terrivelmente inclinada a rejeitar qualquer tipo de moda. Moda, por definição, é super-valorizar algo que irá cair no esquecimento, cedo ou tarde, ou seja, não há, geralmente, valor real que compense uma História. Por isso, não li e abomino Dan Brown - e um bando de filmes e livros que não vi, não li, nem encostei um dedinho sem luva cirúrgica. Mas posso, não posso? Muita gente não leu "Mein Kampf" e tem todo aquele preconceito. Não pode ter preconceito, gente, não pode.
Ontem mesmo, não vi Star Wars e não gostei. O I, II, III, vi um deles só, mas detestei todos. Achei chato. Não li Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Marquez, quer dizer, li duas ou três páginas, fiz cara de nojo, joguei o livro na lareira acesa, desejei não ter lido - não li, não li, não li.
Um preconceitozinho vai bem, te impede de passar por situações embaraçosas, é uma vergonha, sempre uma vergonha, livros e filmes que podiam ser melhores (gastando dinheiro!) terminarem por ficar assim, uma pena, não há como reagir polidamente nessas ocasiões. Não importa quão vaga é a minha memória de Star Wars I, tenho vontade de cuspir no Jar Jar Binks - aparece nos outros? Não? Não importa, cuspo nos outros também, ptu, ptu, ptu.
Isso acontece pelo que eu gosto de acreditar e chamar de dom precognitivo. Todos podem ter, desde que reconheçam os sinais, prestem atenção aos sinais - vai ser ruim, só pode ser ruim, olha a papada do George Lucas. Papada do George Lucas ou bigodinho do Hitler? Seriously, em qual deles, sendo só essas as infelizes alternativas, você relaria seu dedo mindinho por um segundo? Imagine toda aquela camada adiposa balançando a cada mera brisa do verão e agora um bigodinho vegetariano, extremamente cuidado, com loção e tudo.
E tem mais. Quando os cartazes promocionais de Star Wars, com o Darth Vader erguendo a mão e um fundo vermelho, fazem você se lembrar vagamente do cartaz do The Incredibles - Edna Mode com o mesmo "penteado", mãozinha tendendo pro lado, o mesmo lado, e fundo vermelho - não pode ser bom.
Dá trabalho. Leva uma vida toda para aprender a ver; Jennifer Lopez, mau. Sandra Bullock, mau. Keanu Reeves, mau. Willem Dafoe, mau. Orlando Bloom, mau. Winona Ryder, mau. Steve Buscemi, bom. Johnny Depp, bom. Christina Ricci, bom. E etcetera, etcetera.
Às vezes acontecem anomalias, claro, Ewan McGregor, Natalie Portman e Samuel L. Jackson, dude, o que deu de errado? Ainda estou perturbada pelas memórias do filmes, quanto tempo e dinheiro perdi, meu Deus. Yacks.

Adendo

Porque gente que escreve mal é, geralmente, gente feia, horrenda, monstruosa, é porque bigodinho encerado e roupa propositalmente vilanesca é demodé. Falta risada maléfica e um movimento de acariciar as mãos seguidamente, assim. Que não existem mais chapéus brancos e chapéus pretos, que as pessoas nem usam chapéu o suficiente. O problema dessa gente é não se vestir que nem o Dick Vigarista, fica difícil a identificação - então a natureza deu um jeito; Mesmo que ele usasse uma toga azul celeste com uma capa branca com detalhes dourados, ele ainda teria papada, nariz quebrado, problema com acne, disfunção na tireóide, bochechas extremamente volumosas, etc.

22.5.05

Buffalo Boy

Por mim, colocaria a entrevista com o Vincent Gallo todinha. Sim, gosto do Vincent Gallo. Vivo fazendo campanha; Gostem do Vincent Gallo. Ele é bonzinho e fofinho. E de direita. C´mon.
Só uns trechinhos interessantes, prometo:
I wonder why he chose to step back from film, at the very moment when he could have cashed in, or done whatever he wanted.
'I didn't want to lose my subjectivity and my objectivity about my work,' he says. 'I'm not looking for a career. And I don't need to be regarded. I'm not Harmony Korine [Gummo] or Paul Anderson [Boogie Nights] or Darren Aronofsky [Pi, Requiem For A Dream], who are already working on their chapter in the history of film books. I have the capacity to do lots of different things. I don't feel that I need to repeat myself like that.'
Besides, he goes on to explain, the economics of a million-dollar offer to direct 'someone else's movie' - which he received - are not what they seem. By the time you've paid tax and spread it over the two years you'll be consumed by it, you're on about $200,000 a year, and he can earn that from an ad or photo campaign, which he'll probably also enjoy more.
'The whole crew in a movie is, in general, lame and out of touch. There's no connection with culture and aesthetic sensibility and art. And the only difference in Europe is that you find more people in the crew who actually like movies there. I mean, do you think Johnny Depp is interesting? He's not. He might be friends with Iggy Pop now, but do you think he bought the first Stooges album? Believe it or not, to me, fashion advertising is more radical and more contemporary and more innovative than independent cinema.
'A Calvin Klein ad is more visually inspiring than nearly every movie poster I've seen in the last 20 years. In fact, everybody on the ad I did was more interesting than anybody that I had worked with in cinema - everybody. By 10 times . I decided then and there that if I ever made a movie, I'd fill the crew with fashion people, which is what I did.'
We spend a long time talking about politics and I enjoy this conversation, partly because an intelligent person who considers that George W Bush might be a good president is a genuine curiosity to me - more so after the horrific events of two weeks ago - and partly because Gallo argues his right wing economic case cogently. Towards the end of the debate, he says: 'If you think of adults as victims, even for a second, you open a door that you really don't want to open. And the worst part about opening that door is that it's the most destructive door to open for the people you're trying to help... I'm aware that, out of context, all this can sound harsh, but I'm not like that. I can't bear to see pain in anyone, or anything, though I do all the time, because I'm not prepared to cut myself off from it. I'm just very conceptual in all ways. If you really believe in principles, if you focus on them more than personalities, it's less dangerous.'
He speaks with precise diction and a lot of italics. There is just the hint of a New York hipster drawl; his default expression is a mischievous grin. He tells me about the time he almost killed himself by eating too much at his best mate Johnny Ramone's house, where he would go to get a free meal when he was really poor in New York. They called an ambulance and he was revived, but refused to go to hospital. An hour later, he sat up, took a few deep breaths, walked over to the kitchen and devoured a big bowl of cereal with milk. 'I don't know why. Those are two things I don't normally eat. And then I sat back down. That's how I am with work. I'm sort of like a maniac, and I can't get out of it.'
'Well, in the songs, like the two relationships I've had in my life, my intentions were beautiful, my intentions were hopeful, that I could have the courage to do that, that I could enjoy that. But I mean, I've been shot, stabbed, crashed motorbikes at 100mph and none of those things frightened me, gave me butterflies, regrets, doubts, made me feel bad about myself like those relationships.'
'I'm a physically ugly person.'
What? Half of my women friends asked if I could smuggle you back to Britain for them.
'Really? Maybe because they see me in this other context. I accept that looks is not my best quality and I know it because I know what it was like before I had any public notoriety. I always got the girls I wanted, but that's because I always picked the most broken-down disturbed ones, or they'd choose me. But they were never girls of my fancy. It's been give or take 12 years since I acted out sexually like that. There have been no significant sexual acts with anyone other than my two girlfriends since then and I can't imagine making love to anyone else now.'
You're a movie star. Can't you sedate yourself by having flings with people?
'Never. Never. I'll make out sometimes, try to get a hand job or something really detached. But I can't face the repulsion I get from being with someone who I don't really like.'
A little later, Gallo starts asking me about my kids, with an interest that single people very rarely show. He talks about the problems he's experienced in being consistent with his dog and his horror at getting it wrong sometimes, a feeling that parents know well. Eventually, he says: 'I think the greatest thing you can do as a human being is to be a good parent. That's the most radical impact you can have with your life. The children of good parents, they spread productivity for years to come. And the most evil thing that you can contribute to mankind is destructive parenting.'

21.5.05

Socialismo

Falta ler blog. O mundo todo deveria ler blog. Não se coloca um Wes Anderson em uma única sala de exibição na cidade toda. Imagine todos os empregos perdidos. Zilhões e zilhões de blogueirinhos fariam fila, comprando extra-giga-combo-box de pipoca e dois litros de coca-cola, usando roupa de mergulho.

Mom called it psychologically taut

O segundo pior filme escrito por Charlie Kauffman, Adaptation - o primeiro é Human Nature - contribui enormemente para o cinema, mesmo ruim: O irmão gêmeo do Charlie Kauffman, Donald Kauffman.
Eu não vejo outro motivo para a existência de gente idiota, tanto na ficção quanto na vida real, que não seja o ilustrativo. Não seja como Donald Kauffman, não goste de um filme-Donald Kauffman. Antes de Donald Kauffman, meus amiguinhos e eu não podíamos explicar porque filmes como Identity, aquele com o John Cusack, são terrivelmente ruins. Ficávamos balançando as mãos, fazendo ruídos e dizendo "oh, aqueles twists pseudo-espertinhos" e nada disso funcionava eficazmente para explicar. Say no more now. É um filme-Donald Kauffman! Um filme-"The killer, the girl, the cop all have split-personalities! They´re the same person! Isn´t that fucked up?" D´oh!
Obrigada, Charlie Kauffman, obrigada. O negócio com as orquídeas é muito gay, mas Donald Kauffman, obrigada, obrigada.

20.5.05

Medo de germes

Para dizer o principal, digo, o objetivo deste, eu preciso explicar, antes, minha origem; Eu sou meio italiana, italiana-italiana, da província de Rovigo, e meio, é claro, japonesa, de uma rara família que ainda mantém uma ou outra tradição, incluso harakiri, sendo descartada a de não usualmente se casar com estrangeiros e sim, uma boa e decente moça japonesa. Papai foi estudar artes em Roma e lá conheceu mamãe, que tinha, mais ou menos, os mesmos propósitos, mas abandonou em menos de um ano. Papai visitava mamãe quando podia, a pediu em casamento, não antes de pedir permissões a vovó e ao vovô - que, por sua vez, abençoaram. Nem todos italianos são insanamente irracionáis como a Sofia Loren em Ieri, Oggi, Domani, principalmente, no capítulo em que ela é pobre e se livra da cadeia engravidando constantemente do Marcello Mastroianni, mas mamãe é. Mamãe me chamou de Nicolina, e eu sou considerada brasileira porque vim para cá ainda no colo. Italianos e japoneses são universalmente os piores tipos de sangue de todas as nacionalidades, assim como os mais legais e charmosos - papai me ensinou kendo. Eu apenas sinto muito não ter um pouco de uma certa rispidez inglesa, a mesma da família Hitchcock, mas me contento com a irracionalidade italiana e japonesa. Somos pessoas difíceis e inexplicáveis, e somos rigorosos e duros; Por isso eu digo, irracionalmente, microconto é coisa de sapatona, cantora de mpb, period.

Porque as mulheres escrevem tão mal

Por que as mulheres escrevem tão mal? Eu te digo. É bem simples. No que se refere a escrita e em muitos outros campos, o que temos de diferente de um homem, pelo menos até certa idade, é o ciclo. Por que escrevemos tão mal? Porque digitamos com uma mão só, com a outra seguramos a cólica, um certo ponto médio entre o umbigo e a virilha. Por que raios só escrevem sob fervor hormonal, eu sei lá.
Uns culpam Aristóteles e todos os grandes pensadores que se seguiram e que, por coincidência, também não achavam a mulher grande coisa - se escreviam como escrevem hoje, também as mandaria lavar roupas, tomar conta das crianças. Eu culpo a menstruação. Assim como Marilyn Monroe culpava a dela para não ir trabalhar. Não era preguiça, era a menstruação.
Mulheres com endocrinologistas e ginecologistas em ordem, não falam de menstruação, a não ser que seja ilustrativo. Mulheres decentes se ruborizam só com a palavra ginecologista. Longe de mim, então, falar de sexo e detalhar e apreciar aquela literatura de mulher que acabou de brigar com o namorado, aquela literatura intensa, ovário policístico, menarca.
O mais triste, leitores, nem são as meninas de treze anos que, por ventura, tem trinta e tantos, quase quarenta, quarenta e poucos, são os muitos, infelizmente muitos, homens que fazem literatura de ovário. São intensos e magoadinhos, mas homens adultos que nem mesmo escolhem a infância, mas a pré-adolescência de uma menina e toda aquela época chata de choro e falta de sexo. Um homem de mamilos sensíveis, certo momento do mês, todo mês, sêmen sôfrego, lânguido, todo chorosinho, on pills. Se escrevemos pior ainda, é culpa do sistema patriarcal, porque os seguimos, mas eles começaram (e eu sugiro, culpem a menstruação).

19.5.05

Blind Fury

Eu queria muito conhecer um ceguinho que fosse todo estabanado, que não ouvisse nada e não enxergasse nada mentalmente e se, num beco, surpreendido por doze homens, que apanhasse de todos eles. E, e que escovasse os dentes com um gato porque não é muito bom de tato - perdeu o tato no Vietnã - seja lá como se consegue isso. E que não seja muito bom com cheiros também. Que comesse muita coisa estragada e que vivesse errando a poltrona e caindo de bunda no chão.
Se o princípio de que ser muito mau ou simplesmente não ter um dos sentidos aguça todos os outros (meu cachorro pode prever terremotos, mas não acha o próprio rabo se apago a luz), confiem em mim quando falo de estética - blogueiro feio, blogueiro mau - tenho ótimo olho, que meu nariz é péssimo. Desvio de septo incluso. Maravilhoso senso.

18.5.05

Drunken Cat and Golden Swallow

A relação homem-mulher deve ser como um filme de kung-fu dos anos sessenta que não tive paciência de ver até o fim. Não, espera. Assim. Tinha essa chinezinha que me surpreendeu saber ter um e setenta de altura, porque parecia um metro e meio ou menos. Parecia mesmo. E ela usava roupas claras e mantinha o cabelo preso e era toda limpa e altiva e nobre e derrotava uma dúzia de chineses sem mover os pés e era chamada de Golden Swallow, ou Andorinha Dourada. E tinha esse mendigo, quer dizer, ele se disfarçava de mendigo para poder se infiltrar, mas era um mestre na verdade. Todo sujo e feio e desalinhado mas que matava bandidos com golpes de um bambu qualquer sagrado, meio fálico. E ele era Drunken Cat, ou Gato Bêbado.

Hm.

(É incrível a quantidade de filmes de kung-fu, e até já vi um bang-bang, que, durante décadas e décadas, mostram personagens cujas habilidades dependem do alcool. Não é nem mesmo que eles ficam melhores, eles simplesmente não acertariam um golpe ou um tiro sem a bebida.)

Hm.

Mas, enfim. O que eu queria dizer é que toda mulher deve ser, não ser tratada como, ela deve ser uma Andorinha Dourada, ou algum nome pimpão de kung-fu qualquer, tipo Deusa Vermelha ou Tigre Branco ou Princesa da Graça ou Poderosa Águia. E todo, todo homem deve ser um Gato Bêbado, sem metade da graça da mulher, irreversivelmente mal vestido e com aparência estúpida, mas forte e bom, assim como inesperado - quando você pensa que ele vai desmaiar, ele acaba com dúzias e dúzias de ninjas pela Andourinha Dourada que, ferida, assiste admirada.
A mulher deve ser evidentemente graciosa, o homem deve surpreender e burlar a própria constituição ou aparência, ou a graça, que é infelizmente e naturalmente e restritamente feminina, perde razão de existir.

16.5.05

Goosebumps

Toda pessoa que escreve mal é feia. Horrível. Monstruosa. Não tenho medo de gente feia, quer dizer, tenho, um pouco, mas tenho muito mais medo de quem escreve mal. Olho debaixo da cama, durmo de luz acesa, porta trancada e tudo. Até gosto de gente feia, assim, que não dói demais de olhar. São amigáveis. A questão é que toda pessoa de mau gosto, ou temático, ou da forma que se apresenta mesmo - template, cores, formas, quantidade de selos e links, etc., revelam muito - de péssima, péssima escrita, principalmente, e outras nojeirinhas relacionadas são, além de tudo, feias. Feias e gordas. Não há nem mesmo aquela história de rosto bonito. Se magros, e altos, o que é raro, são feios também, pode checar. Coincidence? I think not.
Gente bonita também pode escrever mal, modelos provavelmente escrevem mal. Mas não estou falando de atrizes e sim de pessoas normais. Eu nunca, nunca ouvi falar de um blogueiro ruim que fosse bonito. "Já viu a cara de X? É horrível", meus amiguinhos blogueirinhos cochicham.
Não imagino o que aconteceu primeiro. Se já tinham um espírito nojentinho que foi aos poucos transparecendo, ou se por serem naturalmente assim, com toda a dificuldade das vidas das pessoas feias - rejeições amorosas, ninguém para ir ao baile e dançar ou fazer sexo - foram ficando rancorosinhos e nojentinhos em resposta. Foi isso? Vamos lá, sempre existe alguém, mesmo que esse alguém seja feio (e mau escritor) também.
Às fotos que vazaram na Internet, às vezes, profissionais (dou um braço pra ver as fotos não-selecionadas) e exibidas com orgulho e total falta de decência são dedicados meus mais terríveis pesadelos complementados pelas junções de palavras e temas sociais mais terríveis. Isso, e às mulheres carecas.
Feiúra ou mau caráter - má escrita é uma das muitas formas de mau caráter, mesmo que, no fundo, a pessoa seja essencialmente uma boa pessoa, mau-caratice é uma prática, às vezes hobby, assim como literatura - ambos deveriam ser evitados, de qualquer forma. No Halloween, meus vizinhos batem à porta vestidos de Mirisola. Eu tenho medo, muito medo.

15.5.05

Intermission

Batizando meus dentes do siso. Tenho três. Bice Waleran, de sagitário, Cheng Pei-Pei, gêmeos, temperamento difícil, e a pequena Maggie Gyllenhaal, leão.

10.5.05

Carol Delucia e Salomé Honeycrumb

Eu gosto de acreditar que foram as gêmeas, com então cinco anos de idade, Carol Delucia e Salomé Honeycrumb, nomes falsos escolhidos por elas, é claro, quem realmente deflagraram Nixon no caso Watergate, com a ajuda de seus super-QIs. Que o desenho do Zé Colméia é uma analogia ao comunismo - Zé Colméia não acredita em propriedade privada, vive da natureza e em harmonia com a comunidade. Constantemente, "pega emprestado" as cestas de piquinique dos visitantes, mas pelo bem deles. Catatau é um exemplo de militante jovem deslumbrado, bem-intencionado, mas envolvido nas engrenagens sujas de um sistema corrupto pelo seu próprio líder. Guarda Belo é, claramente, a representação do capitalismo, ridicularizado e pressionado frente à ameaça diariamente, mas único realmente interessado em zelar pela paz e a ordem e, e a felicidade do povo de Yellowstone. Que o que aconteceu, na verdade, com o nariz da Esfinge, foi um senhorzinho irlandês chamado Andy O´Malley quem roubou, e que se encontra, hoje, em perfeitas condições, num sótão de Minnesota (adquirido numa venda de garagem em 1968). Que Sofia Loren fez aniversário, pela última vez, em 1981 e parou com isso, desde então. Etc.

8.5.05

Habemus Peter Sellers

Erro comum, mas muito comum, ordinário mesmo, credo, confundir ciências humanas com responsabilidade social. Livro, filme ou, ai que me fazem cócegas, música; Nenhum, absolutamente nenhum pode, ou deve, ser mais importante que um punhado de físicos e matemáticos e engenheiros. Não que eu aprecie física, matemática, engenharia e todas as outras ciências exatas que realmente importam socialmente, mas aí que está - a desimportância das humanas, pelo menos as humanas que eu aprecio, é o tal charme delas. Pouco gente a compreende, a desimportância. Those who can´t do, teach.
Revelar as mazelas sociais, denunciar a realidade de, etc., nada disso, como artistas, nos pertence. É trabalho do censo do IBGE, e eles recebem muito melhor por um trabalho muito mais simples. Na verdade, não temos muito o que revelar, nem mesmo sobre nós mesmos, muito menos denunciar. Arte, e inclua História nisso, é uma saudável repressão. Por mais que necessariamente envolva uma certa consciência, arte é a capacidade de responder a ela, ignorando ou tirando vantagem da realidade, não usando-a. Alguém que estuda o Holocausto pode escolher sofrer profundamente ou fazer piadas com o possível tamanho do pênis de Hitler.
As pessoas acham que precisam discutir, e falar, e não deixar guardado pelos anos ou logo estaremos torturando pequenos animais. É a pior coisa dessa era em que todo mundo entende um pouquinho de psicologia. Mas você não quer levar seu avôzinho, sobrevivente de Auschwitz, para ver A Lista de Schindler. A reação, ou resposta, mais natural, não só da parte de pessoas educadas, mas de humanos, quando perto de alguém cuja tia acabou de morrer é falar das coisas mais alegres possíveis. Fazer malabarismo, cuspir fogo, sambar com pernas de páu, fazer um poodle saltar por uma argola. Nós não somos importantes o suficiente para falar do governo ou da fome, não somos eficientes o suficiente, somos palhaços e é perfeito. Arte, odeio aforismos, mas lá me vou, é a ciência de fazer as pessoas sobreviverem, mas pessoalmente, não socialmente. Filmar ou fabricar feiúra e tragédia é uma forma de falhar como artista, é uma forma de não responder, de simplesmente não reagir - a realidade é feia e chata e trágica, e está pronta, não há mérito em criar algo que já está pronto.
Eu sinto pena dos novaiorquinos, e do mundo todo, que vão assistir tevê daqui há dez anos e ainda vão ver filmes e documentários e cenas e debates sobre o onze de setembro. O que eu faria, como responsável pela programação de uma emissora de tevê, seria exibir, do momento em que o primeiro avião atingiu a torre por meses a seguir, todos os filmes da Pantera Cor-de-rosa, constantemente.
E daí que o namorado terminou com você e te machucou terrivelmente? Num universo paralelo, você persegue e mata, com uma espada de samurai, todas as pessoas minimamente responsáveis, sadicamente, ao som de músicas maravilhosas e em imagens e planos incríveis. E você deve tudo ao seu, fabulosamente imaginário, mestre de Kung-fu, o lótus branco, com mais de cem anos e uma técnica que apenas ele conhece.

7.5.05

Ma che

Ma che, que eu estava trabalhando em melhorias pro template do blog. É o melhor modelo de template de blog, mas ainda é modelo e eu tenho coceiras com modelo de template de blog.
Não ia ser nada muuuito diferente, as fontes, a disposição das coisas, as cores principais, basicamente, seriam as mesmas. Eu estava apenas planejando um sistema, big deal, javascript, de rotação de imagens. Para cada visita, haveria uma imagem diferente no topo do blog. Cenas de filmes, atrizes, atores, diretores. Uma grande idéia, pena que não é minha.
Foi o cara do Five Fingers of Death (eu devia ter pensado nesse nome) quem fez isso. Muito bom blog, os cults mais cults do cinema, em inglês. Blake, o autor, desconheço o sobrenome, também está tentando lançar o BadAss Movie Image. Deus o abençoe.
Conversando com Blake, pedi autorização para usar o próprio sistema dele, que tem quinhentas mil imagens legais que ele mesmo colecionou, selecionou e restaurou, no meu blog. Abuso, eu sei. Blake, finalmente, liberou um rotator, para todo mundo usar, como estou usando, ó, lá. Não contente o bastante, pedi pro Blake selecionar apenas imagens dos filmes que eu gosto, junto de outras imagens minhas - Gradisca! - Blake disse que iria fazer. Blake faz qualquer coisa para poder conversar com uma mulher do Brasil. Foi um grande choque pra ele quando contei que aqui haviam brancos. E até japoneses.

6.5.05

JAWS

Eu ia dizer que foi num acampamento de verão, numa noite escura, sentada com outras crianças ao redor da fogueira, e que tremíamos nossos frágeis gravetinhos, derrubando os marshmallows, quando ouvi do escoteiro-chefe que era possível rir, mas rir tanto, que a mandíbula poderia se desprender totalmente do crânio, como num desenho animado, quando, geralmente um lobo, vê uma moça bonita, geralmente uma ruiva, ou o Droopy. E por anos e anos, desde a tenra infância, a terrível imagem de alguém de carne e osso, com o queixo lá pela altura do peito (parece que a pele pode ser assim tão flexível), um sorriso impossível de se desfazer e um olhar desesperado, com as sobrancelhinhas assim, ó, atormenta e frequenta meus piores pesadelos. Mas ouvi no Jô Soares, não faz muito tempo, e fiquei com vergonha de contar que eu via Jô Soares. Mas morro de medo.
Meu dentista disse um nome de síndrome, todo esquisito e metido, síndrome tendiosa do epicárdio virulento com oxigenação no metacarpo, ai que metido, ou algo assim, tipo dois. "Dor", pra mim. Basicamente, significa que a musculatura do meu rosto está tão rígida e tensa que dói ao abrir e fechar a boca, ou fazer qualquer movimento facial, na verdade. Perguntou se eu tinha bruxismo, disse que não, perguntou se eu tinha certeza, se alguém já me viu dormir, eu disse que sim e que babo, principalmente por causa da boca aberta. De alguma forma, meu estado emocional está deixando meus músculos nervosos, muito nervosos, digo, tão tensa que (o dentista cerrou os dentes, abriu a boca e fez cara de ih, me danei).
Disse pra eu liberar tensão de alguma forma, bater ou chutar ou matar alguma coisa, ou fazer yoga. Bom, eu não posso rir ou beijar ou gritar, posso? A imagem do meu queixo ao alcance dos meus olhos, pendurado do rosto, apoiado na minha mão, me acompanha a todo lugar e ainda pisa constantemente nos meus calcanhares, muito irritante. Na dúvida, amarrei um lençol no meu rosto, não tapando meu rosto, mas segurando minha debilitada mandíbula, e coloquei a pontinha dele no lustre, dando certa folga para eu me movimentar pelo quarto, mas firme.
Eu me pergunto quando minha maníbula começou a se desprender do crânio, e não é tão difícil de imaginar, não precisa imaginar, de forma alguma. Existem bilhões e bilhões de respostas. Okey, talvez só cinco ou seis caras que escrevem muito mal.

5.5.05

Travesti

Constantemente, encontram-se garotos, são especialmente garotos, que se consideram completa e perdidamente pessimistas, ateus e, então, deprimidos, não sei porquê. Eles são tímidos, mas agressivos, falam da mesma forma, escrevem da mesma forma, e é uma forma muito chata no que me concerne. São as pessoas mais castigadas por mulheres super-vis, nunca conheci uma, e constantemente falam de suicídio e do quão interessante é, se matam inúmeras vezes em microcontos, variando o estilo, mas eles gostam de sangue e barulho e drama. Não se trata nem mesmo de dar a mãozinha pra eles e levá-los numa matinê e mostrar bons filmes e boas músicas and the kindness of strangers. É impossível convencê-los a acreditar em todas as coisas opostas, mas não se trata sobre Deus ou sobre a bondade (mundana, em mim, em você ou na cara bizonha de um cachorrinho); É uma questão estética - esses garotos ficam muito mais feios, assim, pessimistas, ateus e deprimidinhos, mas eles não sabem. É como usar muita maquiagem, é cafona. Acabaram de descobrir o pessimismo, o ateísmo e a depressão e usam muito de tudo, esfregando um montão nos rostinhos, se olhando no espelho, na pontinha dos pés - é só um pouquinho, só um pouquinho.

That´s right, bitch!

Tem tias no interior? Todo mundo tem tias no interior. Já ficou uns tempos lá? Logo ali depois de Mogi ou pouco antes de Aparecida? Já voltou de lá, carregando tupperware com docinhos caseiros, e também, vergonhosa e inadvertidamente, carregando no erre? Mesmo que não tenha tias no interior, o que acho bem difícil, todo mundo tem tias no interior, foi pro sul, norte, centro, Rio? Foi? E voltou trazendo lembrancinha, na fala, eu digo, mesmo sem querer e morrendo de nojo? Então. Todo dia, vou e volto várias vezes ao dia, a viagem é rápida e nada muito dispendioso, da Grã-Bretanha ou dos Eua ou ambos. Itália, dia sim, dia não. Austrália, uma vez por semana. França, de vez em quando. Japão no feriado, China duas ou três vezes cada seis meses. Rússia, nunca. Mas Grã-Bretanha e Eua, principalmente. Por isso, dude.
Assim como o velho, e geralmente terrível, clichê de que livros podem te teletransportar para, ugh, "lugares longínquos" e fazer você dar um passeio de carro vintage pelo Missouri ou fornecer uma voltinha de gôndola em Veneza, or something, tevê também faz isso. Não precisa desligar e ler um livro, quer dizer, leia, por favor, mas se quer se manter culto também pela televisão, o único modo não é desligá-la, mas assinar tevê a cabo.
As melhores emissoras do mundo são CBS e BBC, americana e britânica respectivamente (que fornecem material, aqui, para a Sony e o People + Arts) isso sem falar na HBO. Os melhores programas estão lá, eu garanto. A série mais estúpida que houver com o Charlie Sheen vai ser invariavelmente melhor escrita, dirgida e atuada do que qualquer grande novela daqui. Você pode achar Friends sem graça, mas rir de uma cena em que o Tarcísio Meira chora por seja lá o que Tarcísio Meira chora por, também não é das melhores reações.
Sem falar na tevê, há a Internet, sem falar na tevê e na Internet, existem as livrarias. Geralmente, existem seções de livros em francês e espanhol, que se dedicam, geralmente, a autores franceses e espanhóis. Raramente existem traduções para o português de segundos-livros-mais-famosos de grandes autores. Para ler mais de ingleses, irlandeses, russos, argelianos, alemães, suecos, paraguaios, and so on, você precisa falar inglês. Os melhores sites e blogs, admito humildimente, estão escritos em inglês.
Além disso, fomos todos criados com música e filmes americanos. Nenhum intelectualzinho, quando criança, viu um filme iraquiano quando foi ao cinema pela primeira vez, nenhunzinho. Eu aprendi inglês ouvindo Thriller. Não é questão de querer impressionar ou apoiar o imperialismo norte-americano ou desvalorizar a nossa cultura. Deus me livre, desvalorizar nossa cultura, adoro pão de queijo. The thing is, além do acidente de viver por lá (a tevê está na HBO Plus agora), sotaques são geralmente fofinhos e é legal mantê-los, principalmente quando eles tem um significado. Leslie Nielsen me conhece desde que eu era desse tamanhinho, ó, so givah the nigga some space, e me deixem, deixem todos nós, usar expressões em inglês com a mesma liberdade que tínhamos quando tentávamos fazer o moonwalk em todas as festinhas de aniversário do Batman. Nunca vejo ninguém condenando o garçon do restaurante francês recitando o menu, "pô, Severino, cê não vai valorizar nossas coisas?", ou alguém que compra uma Dos Equis no lugar de uma Kaiser, ou alguém dizendo que um advogado quer impressionar quando diz "habeas corpus", ai, que metido, "habeas corpus" (e fazendo uma dancinha de desdém).

I.R.I.P.

Alguns acham que morte é um post-it extremamente colorido, brilha no escuro, recém-coladinho por todos os lados, na cama, na escova de dente, no cabide, na lasagna, todo lugar, dizendo que não estamos fazendo o que deveríamos fazer – amar e perdoar e dizer e abraçar e fazer bungee jump antes de. Muitos morrem por causa do bungee jump, parece que o México é um lugar terrível para praticá-lo, não sei.
Morte sempre me assustou (não pela morte-morte, mas medo de como seria nos minutos ou dias ou meses que antecedesse a minha, medo de dor, na verdade, e, sendo uma das muitas formas de perder as pessoas, com seria perder irreversivelmente, também, tão puro medo de dor, mesmo física, como o medo que tenho da operação de dente do siso, semana que vem) mas nunca, nunca, a brevidade da vida me fez fazer bungee jump. Nem montanha-russa que vira de ponta cabeça. Odeio ficar de ponta cabeça.
Morte não significa que devemos nos apressar para tentar ver, fazer, aprender, consumir tudo e todos. Nem acho que se deva fazer tudo e conhecer todos, muitos menos acho que se deva ter pressa. Não se atribui significados extraordinários à morte – não é um sinal, é um coração que parou, um acidente, uma doença. Não se brinca com assunto sério, digo, se brinca, sim, brinque, por favor, mas interpretar assuntos sérios, e seriamente, é uma brincadeira feia.
Uma antiga amiga faleceu e encontrei todas as antigas pessoas daquela antiga época. Tanto como a minha primeira reação ao saber foi achar ser brincadeira (e ainda espero, de alguma forma, ter sido tudo um engano), as pessoas ao meu redor começaram a trocar telefones (perdidos há muito tempo) como se fossem as coisas mais valiosas do mundo, achando que simplesmente precisam viver e apreciar uma às outras porque nunca se sabe. Muitos pactos foram feitos e, provavelmente, serão esquecidos daqui há alguns meses.
Nos reunimos depois da cerimônia e, aos poucos, percebi que seria impossível apreciá-los até o último minuto. São pessoas cujos gostos, hábitos e expressões, hoje, infelizmente, não me agradam, não me faz reconhecê-los como amigos. Eu simplesmente não poderia viver com elas. É fisicamente impossível apreciar a companhia de alguém, pesarosamente, inapreciável – não seria viver intensamente, ou viver como se fosse o último dia, seria perder tempo.
Me agrada a idéia de que o paraíso seja onde todos podem, finalmente, viver juntos, não só porque foram separados através de incidentes, mas através de personalidades e coisas pequenas, banalidades, sim, por que não? Viver junto, como se o terrível apego dele ou dela a um livro terrivelmente ruim não doesse profundamente, como se mais nada doesse, e outras coisas que simplesmente não podemos aceitar em vida. Todos seriam adoráveis e nos divertiríamos, finalmente. Mas, ouça, é impossível em vida.
Morte não significa que você deva entender as diferenças e admitir e abraçar forte todos os que ficaram, tampouco praticar bungee jump. É ok sermos simplesmente estúpidos, medrosos, idiotas, termos issues, problemas em aceitar e perdoar e gostar de todas as pessoas e ter um certo apeguinho aos bens materiais, é ok. Somos adequadamente mundanos. Não se deve transcender, não precisa, é bobagem. Alguém que tenta viver divinamente antes da hora, por assim dizer, é um degenerado.
Se eu vivesse cada dia como se fosse o último, eu faria as mesmas coisas que faço normalmente. Ver tevê, dormir, fazer careta pra blogueiro, tomar chocolate... Eu só alugaria mais dvds. Viver devagarinho e fazendo besteira, normalmente. É perfeito sermos tão pequenos, é como deveria ser, aqui.

A pessoa que faleceu era capaz de ser apreciável em vida. Estarmos longe foi só burrice, a mais normal e perdoável burrice.

4.5.05

Evil twin

Margaret, a amígdala da esquerda, minha esquerda, é contra a extração de amígdalas e principal dissidente de Suzie, minha charmosa apesar de liberal parótida, também do meu melhor ângulo.
Margaret é a favor da pena de morte, mas só porque ela mesma se sente ameaçada - come muito quando passa por stress emocional, muito emocional, e engorda, não digam, e não deixa mais nada entrar, nem mesmo ar (se entra, dói) com medo de radioatividade e anarquistas. E tem um tique, assim.
Margaret é doente, neurótica de guerra, mas tão vil quanto uma amígdala saudável qualquer. Se inflama toda só pra conseguir expulsar Judite, a boa, mesmo que custe sua própria vida.

3.5.05

Blog Oh Blog

Os blogs não são importantes ou sérios. Não são um "fenômeno", seria como chamar o celular de "fenômeno". É apenas tecnologia, coisas, stuff, andando pra frente, ou tentando, enquanto meu "fenômeno" gasta a bateria e perde sinal - aqui também existem problemas.
Muitos blogs são melhores que jornais inteiros e não há porque mudar, digo, blogueiros se tornarem jornalistas e/ou vice-e-versa. Questão de habitát. Um blogueiro que se acha sério o suficiente pra se tornar um jornalista (que também não considero grande coisa) me parece sempre agonizando, fora do contexto, sofrendo com o calor, ou frio, que não lhe pertence.
Eu dou risinhos, não só da palavra, "blogueiro", como também quando leio alguns deles se referindo com rancor à "mainstrean media". Não somos mídia, somos nerds que faliram em ter vidas e empregos sérios - e rio de "sindicato" também.
Se mamá ou papá perguntar o que é blog, poupe-os, ou vão cochilar lá no "democrá"; Diga, é um diário. Não tem função social, não tem função em nenhum campo que envolva muitas pessoas, eu, você. Não serve absolutamente pra nada a não ser pra divertir e distrair o autor e, vez ou outra, o leitor, que também não tem grandes funções, superestimado na maioria das vezes, eu digo.
Salvo os motivos de ilustração, abomine os blogs com "sindicato" ou "código" escrito em algum lugar. E nunca, nunca respeite alguém que chame um blogueiro de "mestre".
Muitos filmes em homenagem aos nerds foram feitos e alguém sempre reconhece, afinal, que eles também merecem respeito e admiração - o bom do cinema é isso, não condiz em nada com a realidade. Blogueiros cospem na sua cara enquanto falam por causa do aparelho, não é maldade não querer que eles fiquem muito perto, é higiene. Já falei da acne? De como eles correm que nem moças na aula de educação física? Sapatos ortopédicos, bombinha de asma.

Oh, crap...







Doente, ocupada n´shit.