Million Dollar Kiss: 05/01/2007 - 06/01/2007
The Ego's Last Stand.

14.5.07

The pursuit of love in a cold climate

Todas as minhas defesas e elogios ao frio se esgotaram. Não posso falar de novo, como estou falando agora, que o frio é maravilhoso porque permite que as pessoas tentem se vestir de forma mais civilizada e, em alguns casos, lindamente. Que permite que aquele velhinho resolva sair de casa usando o casaco do Columbo e uma boina xadrez, que ele fica tão fofinho que eu definitivamente compraria uma action figure dele. Que possibilita o uso de cachecóis e nem preciso ou posso começar a falar do universo dos cachecóis porque mortais não dominam o assunto dos cachecóis, sua divindade. Não posso comentar novamente como é bom sair do quarto e ir até a cozinha usando um edredon como casaco e umas três meias ao mesmo tempo. Mas eu tenho um novo argumento: Calças de moleton.
Não estou falando de qualquer calça de moleton, não é daquelas que tem elástico nas pernas ou um furo no joelho, estou falando d'A calça de moleton. Clarinha, cheirosa, confortável como uma nuvem e, em algumas culturas, socialmente aceitas fora do conforto de casa. Eu sei que calça de moleton pode se transformar em algo muito chulo e barato, mas pensem na calça de moleton que Greta Garbo usaria reclusa em casa (sim, eu acredito que ela usaria uma calça de moleton e estou falando desse tipo de calça de moleton, as da Greta Garbo).
A simples visão - e o toque! - de uma dessas calças de moleton me traz conforto de espírito. Sim, essa é a minha defesa e parte da longa declaração de amor ao frio. Calças de moleton!
Eu acredito que, em algum momento, calças de moleton vão ser a sensação do inverno. Poderíamos chamá-las de calças de moleton sociais, reinterpretações do modelo caseiro que é naturalmente largo e maravilhoso e sem mensagens escritas no bumbum. Calças do mais confortável moleton, perfeitamente cortadas e de cores claras, variações de cinza e branco, na verdade, divinas. Imagino nova-iorquinas usando-as com casacos pretos três quartos, tênis, blusas soltinhas por baixo, cor neutra, óculos escuros e uma bolsa enorme, talvez laranja, o cabelo ajeitado num rabo de cavalo feito de última hora, logo depois de acordar, pouco antes de sair. Tudo muito simples, mas muito caro também. E seria lindo.

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4.5.07

Sem revisão, relevem

Eu estava, estou em recuperação ainda, bastante resfriada nos últimos dias. No segundo ou terceiro dia de profunda gripe, depois de passar quase que literalmente dois ou três dias apenas dormindo, algo estranho aconteceu. No primeiro dia de maio, eu acordei com uma disposição inacreditável de espiríto. Ainda me sentindo muito mal em meu corpo, minhas juntas então e tão anciãs, com severas dores de cabeça e severos espirros também, mas minh'alminha descansada e sorrindo sem dentes. "Descansada" não é a palavra ideal. Eu estava curiosa, estudando, sem preguiça, e executando, de boa fé e generosa com todas as coisas, tarefas que seriam, em qualquer outro momento anímico, adiadas ad infinitum, como, por exemplo, arrumar gavetas.
Arrumei duas. Foi muito penoso e me custou todo o dia, mas eu arrumei.
Guardei minha coleção de ingressos de cinema em uma pastinha transparente. Alguns ingressos estão se desfazendo, perdendo as cores das letras. Alguns títulos obscuros que não me recordo de ter visto e, se vi, e vi sim, não faço idéia de como eram. Outros me fizeram me lembrar da exata ocasião, da roupa que eu estava usando. Perdi a conta de quanto ingressos de Kill Bill eu encontrei. Kill Bill, as Bicicletas de Belleville e uns três ingressos para Quanto Mais Quente Melhor. Encontrei o bilhete de ônibus de quando fui para Curitiba, anos atrás. Quando voltei de lá, fiquei sabendo que meu avô paterno tinha falecido. Esse foi o único bilhete que resolvi jogar fora.
Eu assisti Amores Expressos hoje e percebi que preciso morar sozinha para ter a liberdade de poder beber, sem avisar absolutamente ninguém, e voltar seja lá que horas. Que preciso de um estômago para isso. E que preciso ser magrinha como uma asiática. Que preciso saber correr de uma turba de indianos furiosos caso seja necessário algum dia. Que preciso encontrar o Tony Leung ou assistir mais filmes com ele ou assistir aquele que ele é gay e passar a achá-lo estranho demais para qualquer possível atração. Por enquanto, é uma realidade. Tony Leung me derrete. Mas a Faye também.
Reparei que algumas pessoas tem braços muito curtos. Por braço, quero dizer a parte do todo que abrange todo o território desde os ombros até os cotovelos. As pessoas assim ficam com uma aparência muito cômica e me pergunto, com muito temor, se sou uma delas. Já estou consciente do curto comprimento entre meus joelhos e meus pés e isso já me envergonha muito.

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