Million Dollar Kiss: 08/01/2008 - 09/01/2008
The Ego's Last Stand.

25.8.08

Catch 22

Estou tentando me lembrar de como eu achava que seria minha vida quando completasse 22 anos. O sonho de ser paquita da Xuxa, uma Blonde Gestapo, se foi. Lembro nitidamente de alguma tarde de final de semana, andando num Corsa, indo ou voltando de uma fábrica de massas italianas congeladas, fazendo as contas de quando eu faria 12, 15, 20 anos. Mas nada de 22.
Lembro de ter calculado que 24 era a melhor idade para se casar e ter filhos porque assim eu ainda seria jovem o suficiente pra brincar com eles, mesmo quando eles completassem 10. Agora penso em atrasar mais uns anos, talvez com 28 ou 29 ou 30. No futuro, só haverão sexagenários buscando crianças em aniversários, tentando soprar bexigas, mas acidentalmente quebrando a bacia no processo... Mas enfim.
Não sei o que eu mesma esperava de mim quando eu chegasse aos 22 e não sei nem mesmo o que é esperado de mim, nesse mundo moderno em que os 30 são os novos 20 - mas não de verdade. Se 50 é o novo 40, 40 é o novo 30 e 30 é o novo 20, eu só posso ter 12 anos. Impressionante que eu já tenha me formado no Ensino Médio e já curso o Superior. Trabalhar, trabalhar de verdade, seria, é claro, exploração infantil.
Acho que a parte mais emocionante pra mim quando cirança da idéia de ficar mais velha era me tornar uma mulher - não no sentido Elis Regina, Clarice Lispector, aquela grávida de maiô e sei lá mais quem - de ver como meu rosto, meus traços ficariam. Por esse mesmo motivo que quero ter filhos, pra ver como fica, digamos, um nariz. Seu nascimento, seu crescimento, seu ápice - o ápice do nariz!

22.8.08

Kexin

Incrível como as Olimpíadas evidenciam a chatice do futebol. Procurei por uma Kexin pra comprar no Ebay, mas nada.

Meu aniversário está chegando *wink*

3.8.08

Fui ver o novo filme do Zé do Caixão

E claro que é ruim, claro que o roteiro é uma bagunça e tudo é mais engraçado do que qualquer outra coisa, mas a fotografia, além dos efeitos especiais, até que são muito bem feitos - eles pensaram! houve um planejamento! colocaram luzes aqui e ali e criaram um cenário! com objetos de cena! caveiras e caixões e facas e armas falsas! quando que o cinema brasileiro usa objetos de cena? - e conclui que prefiro ver isso a ver Central do Brasil de novo.
Antes do filme começar, passaram os trailers e tinha algo como Central do Brasil 2 - Na cidade grande. Tem até o mesmo moleque. O moleque quer procurar o pai de novo, pobre, etc e tal. O tipo de filme que só não quero ver como espero que se saia muito mal com bilheteria e crítica - porque é óbvio que não vai, porque é óbvio que drama social é a coisa mais respeitada nesse país (e fora). Ironicamente, é táo respeitado, tão sagrado, que ninguém quer ver. Meus pais, seus pais, são infinitamente inferiores e preferem assistir - com toda a razão do mundo, meu Deus - Get Smart. Eu prefiro Get Smart.
O segundo trailer era mais um documentário sobre samba. Cartola 2, digamos. Cartola, o documentário, até é bom, mas eu não aguento mais ver pobre sambando. Todo ano, documentário de pobre sambando, um negro mais velho com remela nos olhos e boca mole falando da Mangueira ou coisa parecida. Já entendi, samba é uma manifestação genuína do povo, mas agora chega! Não preciso ver todas as Donas Alziras e Seus Lelés sambando. Precisamos de todas as Donas Alziras e Seus Lelés? Não!
O terceiro trailer foi que esgotou minha paciência porque era basicamente o exato mesmo filme lançado um tempo atrás mas com outro nome. Fé, um documentário sobre, dã, fé de uns anos atrás discutia como a religião fazia parte da indentidade das pessoas como indivíduos e grupos e mostrava devotos católicos, gente de umbanda, Iemanjá, etc, etc.. O do trailer é A MESMA COISA, com mais uns pobres rodopiando, Dona Alzira em Aparecida, a discussão de que o candonblé, a umbanda, e sei lá que mais eram formas do povo negro manter suas raízes, sua o que? Identidade, mas esse não se chama "Fé", se chama "Devoção". Mas que saco, Jesus Cristo!
Não bastasse fazer os piores filmes, tem de ficar se repetindo e fazendo de novo e de novo, desde a década de 60, ad infinitum? Porque é tão difícil aceitar a idéia de que o Cinema pode servir para o entretenimento - sem ser completamente babaca também - e não precisa, aliás, não deve mostrar, denunciar, registrar, relatar nenhuma realidade. Se quero a Dona Alzira, peço o telefone pra minha avó daquela senhora que faz as coxinhas de milho pra vender. Dona Alzira, esposa do síndico. Dona Alzira, costureira, tia da Nena. Chega de Dona Alzira, meu Deus! Eu quero o Lee Van Cleef, o Bruce Lee, o Ultraman, o Godzilla. Eu quero alguém que minha avó não conheça, alguém que não viva em uma Vila Lagoinha ou qualquer vila, favela, sertão, praia, escola de samba. Eu quero marcianos, fantasmas, zumbis, vampiros, eu quero criaturas que eu jamais vi ou imaginei.
Por que a ficção - nos mais amplos sentidos porque mesmo os filmes brasileiros que não são documentários se sentem forçados a mostrar a realidade do morro tal, de Sergipe, de Osasco, do Capão Redondo - não pode ser levada à sério? Porque é escapista? Porque é divertido? Porque não é real, não dá pra se relacionar? Oldboy é escapista, divertido, bem feito e reflete mais humanidade do que, muito provavelmente, Olga, ou, com certeza, Terra em Transe.
Não bastasse a completa desvalorização de um pingo qualquer de fantasia, de criatividade, de originalidade, ainda tem a coisa do cinema de entretenimento ser algo intrisecamente americano e se tem algo que os cineastas brasileiros odeiam são os americanos. Aqueles americanos imperialistas, damn you... Meu filho, não tem como gostar de cinema e não gostar dos americanos. Vai mesmo amaldiçoar o povo que criou Casablanca? Que apresentou Marilyn Monroe ao mundo? Bruce Willis? Bill Murray? Deus, ele não estava ótimo em Tootsie? E Tootsie? E Dustin Hoffman? E Marathon Man? Jesus, Marathon Man!
Deus abençoe Zé do Caixão e sua babinha no canto da barba por tentar algo diferente - mesmo que não seja exatamente bom - Deus o abençoe. Faça um favor ao cinema brasileiro e vá assistir Encarnação do Demônio. Leve um ipod, uma revista e uma lanterna, não importa. Pague pelo filme, leve os amigos, faça parte dos números que provaram que o cinema brasileiro precisa de filmes de gênero dos mais variados tipos possíveis. É vital mostrar que é esse o tipo de filme que mais chega perto do que queremos ver como platéia: Ficção, fantasia, "mentira, mentira!".