Catch 22
Estou tentando me lembrar de como eu achava que seria minha vida quando completasse 22 anos. O sonho de ser paquita da Xuxa, uma Blonde Gestapo, se foi. Lembro nitidamente de alguma tarde de final de semana, andando num Corsa, indo ou voltando de uma fábrica de massas italianas congeladas, fazendo as contas de quando eu faria 12, 15, 20 anos. Mas nada de 22.
Lembro de ter calculado que 24 era a melhor idade para se casar e ter filhos porque assim eu ainda seria jovem o suficiente pra brincar com eles, mesmo quando eles completassem 10. Agora penso em atrasar mais uns anos, talvez com 28 ou 29 ou 30. No futuro, só haverão sexagenários buscando crianças em aniversários, tentando soprar bexigas, mas acidentalmente quebrando a bacia no processo... Mas enfim.
Não sei o que eu mesma esperava de mim quando eu chegasse aos 22 e não sei nem mesmo o que é esperado de mim, nesse mundo moderno em que os 30 são os novos 20 - mas não de verdade. Se 50 é o novo 40, 40 é o novo 30 e 30 é o novo 20, eu só posso ter 12 anos. Impressionante que eu já tenha me formado no Ensino Médio e já curso o Superior. Trabalhar, trabalhar de verdade, seria, é claro, exploração infantil.
Acho que a parte mais emocionante pra mim quando cirança da idéia de ficar mais velha era me tornar uma mulher - não no sentido Elis Regina, Clarice Lispector, aquela grávida de maiô e sei lá mais quem - de ver como meu rosto, meus traços ficariam. Por esse mesmo motivo que quero ter filhos, pra ver como fica, digamos, um nariz. Seu nascimento, seu crescimento, seu ápice - o ápice do nariz!
Lembro de ter calculado que 24 era a melhor idade para se casar e ter filhos porque assim eu ainda seria jovem o suficiente pra brincar com eles, mesmo quando eles completassem 10. Agora penso em atrasar mais uns anos, talvez com 28 ou 29 ou 30. No futuro, só haverão sexagenários buscando crianças em aniversários, tentando soprar bexigas, mas acidentalmente quebrando a bacia no processo... Mas enfim.
Não sei o que eu mesma esperava de mim quando eu chegasse aos 22 e não sei nem mesmo o que é esperado de mim, nesse mundo moderno em que os 30 são os novos 20 - mas não de verdade. Se 50 é o novo 40, 40 é o novo 30 e 30 é o novo 20, eu só posso ter 12 anos. Impressionante que eu já tenha me formado no Ensino Médio e já curso o Superior. Trabalhar, trabalhar de verdade, seria, é claro, exploração infantil.
Acho que a parte mais emocionante pra mim quando cirança da idéia de ficar mais velha era me tornar uma mulher - não no sentido Elis Regina, Clarice Lispector, aquela grávida de maiô e sei lá mais quem - de ver como meu rosto, meus traços ficariam. Por esse mesmo motivo que quero ter filhos, pra ver como fica, digamos, um nariz. Seu nascimento, seu crescimento, seu ápice - o ápice do nariz!
