Million Dollar Kiss: 07/01/2008 - 08/01/2008
The Ego's Last Stand.

27.7.08

Cowboy Bebop

Semana passada, li que vão fazer uma versão live-action do Cowboy Bebop. Eu procuraria pelo link para colocar aqui se não tivesse ficado tão desanimada com a notícia, mas acredite, é verdade. O responsável é o produtor de Sweet November, Constantine e qualquer porcaria que o Keanu Reeves tenha estrelado porque, adivinha, ele é agente do Keanu Reeves também. Concluindo, Keanu Reeves provavelmente interpretará Spike e se você já não está morrendo por dentro, eu não quero nada com você.
Estão fazendo Dragonball, que parece ser bem ruim, o Leonardo DiCaprio, imagine, quer fazer Akira e nem quis ir ver Speed Racer. Não sei o que há com essa moda de refazer animes, mas é óbvio que está praticamente fadada ao desastre. A graça de qualquer desenho animado é a estilização, a falta de realismo, nas sinopses ou nos traços. Meu professor de pintura dizia para não pintar se quisesse realismo, mas para tirar uma foto - olhando o trabalho de todos aqueles desenhistas de praça pública que copiam retratos, desenhando dente por dente da sua tia como se desse para separá-los quando olhamos para um sorriso e todas aquelas tatuagens diabólicas de parentes com os olhares vazios e as expressões congeladas, quem pode dizer que ele estava errado? Querem fazer o caminho inverso. Querem pintar usando filme, atores de cabelos pouco pontudos ou barbas pouco expressivas.
Ou você abandona completamente tudo que é cartunesco demais - digamos, a aparêndia do Coringa do Heath Ledger é mais como a de um personagem de filme propriamente dito do que a do Coringa do Jack Nicholson, que ainda é bem parecida com a dos quadrinhos - ou você tenta abraçar o exagero do universo do desenho, que foi o que tentaram com Speed Racer mas que não me pareceu ter dado muito certo. A abordagem mais realista do Batman, por exemplo, só deu certo porque é uma figura extremamente conhecida e que é visualmente explorada há décadas. Não há caminho para o Cowboy Bebop. Se o Spike não for exatamente como o Spike, ninguém vai reconhecê-lo e o maior problema é que é impossível encontrar um Spike de verdade, imagine uma Ed.
De qualquer forma, para tentar evitar imagens na minha cabeça do Keanu Reeves vestido de Spike, da Jessica Alba ou Jessica Biel como Faye, Vin Diesel como Jet e Dakota Fanning como Ed, tentei pensar em escolhas não tão horríveis para um projeto que nem deveria existir:


Jet
Ron Pearlman - Acho que ele é a melhor coisa do Hellboy e desde que comecei a tentar assistir mais filmes do Guillermo Del Toro, tenho gostado cada vez mais dele. Ele tem a altura perfeita, talvez precisasse ganhar alguns músuculos, mas ele já é naturalmente robusto, queixudo e sabe bem como interpretar alguém cansado que eventualmente se preocupa com uma caixa de gatinhos ou persegue alguém.
Alan Rickman - Outro que acho que tem o porte físico perfeito, além de uma voz muito legal. A maioria conhece o trabalho dele como vilão, mas gosto muito dele em Sense and Sensibility e acho que ele seria capaz de parecer durão e sensível ao mesmo tempo, como o Jet é.
Bruce Willis - Ele é o policial aposentado perfeito, mas o problema com ele é que, primeiro, ele não é alto e forte o suficiente e, segundo, Bruce Willis é sempre mais marcante do que qualquer papel. Não seria o Jet, mas o Bruce Willis vestido de Jet.
Michael Madsen - Tem o porte, mas se não for muito bem dirigido, pode ficar bem, bem ruim.
Mickey Rourke - Acho que em poucos anos, ele mesmo vai precisar de um braço mecânico e um remendo de ferro no rosto. Parece natural. Infelizmente, por esse mesmo motivo, ele está tão bizarro de todas as plásticas e modificações que fez que talvez não dê certo sem uma tonelada de maquiagem como em Sin City.
Mel Gibson - Acho que seria uma boa comeback. Além disso, todo o histórico como herói de filmes da ação na juventude e diretor detestado na velhice serviriam bem de motivação para o Jet, um caçador de recompensas, ex-policial cujos dias de glória se passaram e, com uma certa idade, começa a sentir a importância de uma família, mesmo que seja composta por outros caçadores de recompensa que entram e saem quando bem querem.
Liam Neeson - Calma. Sei que parece estranho. Mas ele é o Aslan e o trailer do Taken parece muito, mas muito legal. Acho que ele ficou mais divertido depois de uma certa idade e seria o momento perfeito para se tornar um ator de filmes de ação de uma vez. Seria muito, muito legal.


Spike
Cillian Murphy - Tem o corpo e a postura perfeita. É magro e alto como o Spike, mas não parece frágil ou feminino como, digamos, Josh Hartnett. Carismático, consigo vê-lo em cenas de lutas e em cenas românticas. Acho que o único defeito dele são os olhos claros. Mas sei que isso pode ser resolvido ou mesmo ignorado em prol de um bem maior.
James Caviezel - Sei que ele desapareceu e fez algumas escolhas duvidosas, mas ele também fez Passion of Christ que causou uma reação em mim muito parecida com a do último episódio do Cowboy Bebop, você sabe. Além disso, olhando para fotos dele, alguma coisa no rosto dele parece funcionar no papel, os olhos pequenos, o nariz pontudo. Ele saberia fazer as expressões do Spike direitinho.
James Franco - Acho que ele é um bom ator e ninguém nunca presta muita atenção nele. Ele tem os olhos escuros que estavam faltando e a aparência certa também, mas talvez precise ficar um pouco mais velho para não parecer tão garoto.
Johnny Depp - Talvez tenha passado da idade, mas gostaria de ver o Johnny Depp num western com artes marciais passado no espaço. Ele daria um jeito. Mas também precisa thought it up.


Faye
Melissa George - Não é muito conhecida, mas gosto dela sempre que a vejo. Acho que ela tem um rosto interessante e não é muito menina ou muito mulherão.
Mila Kunis - O problema seria, é claro, a voz. Além de ser extremamente irritante naquela série babaca, ainda preciso assistir Forgetting Sarah Marshall, mas ouvi dizer que ela está surpreendentemente bem e nas fotos recentes que vi dela, ela parece mais adulta e interessante.
Selma Blair - Incrível como escolhe atuar em uns filmes horríveis, mas tem uma boa aparência e não acho que seja tão ruim quanto as escolhas que faz. Só precisa de orientação.
Cristina Ricci - A primeira vez que comentaram comigo eu fiz "naaah", mas pensando melhor, ela está tão absurdamente bem em Black Snake Moan que poderia funcionar. Só a cabeça dela que não pára de crescer.
Alison Lohman - Talvez um pouco nova, mas na verdade ela é mais velha do que os papéis que costumam dar pra ela. Consigo imaginá-la como a colegial da fita que a Faye recebe. Gosto dos olhos dela, são grandes e expressivos como os da Faye.


Ed
Perla Haney-Jardine - Ela é boa e, com o cabelo certo, poderia se parecer com um menino. Mas, mesmo assim, não existe uma Ed.
Natalie Portman aos 8 anos - Como ela estava em The Professional. Lembra?
Um gato.

23.7.08

Y

Digamos que eu conheça X. X namora Y. Tenho de conviver com Y porque convivo com X (que convive com Y). Mas detesto Y. Não entendo Y. Não entendo o que X viu em Y quando já namorou Z, por exemplo, que era muito melhor. Mas enfim. Quero falar do tipo de pessoa que Y é.
Não sou rude com Y. Muito pelo contrário. Me esforço para arrancar alguma vida de Y, mas ela (Y é ela) é como parte da mobília, é como uma planta. E não um armário adorável ou uma begônia simpática - não. Y é como um mancebo desalmado, uma samambaia apática.
X namora Y já há um tempo considerável, portanto, convivo com Y já há anos até. Uma ou duas semanas atrás que descobri a profissão dela. Eu nunca tive muita certeza. Ela nunca esboçou a mínima paixão por coisa nenhuma, então imaginei que ela fizesse algum trabalho não muito apaixonante como, não sei, gerente de RH. Y, na verdade, exerce um cargo até mais ou menos criativo.
Y nunca disse nada muito interessante e nunca pareceu muito criativa. Acho que é uma das pessoas mais banais que conheço. Antes de encontrá-la, eu visualizo as roupas que ela vai estar usando e bingo, ela sempre obedece às caricaturas que tenho dela em minha mente. Mas Y é tão normal, tão normal que me dá agonia. Y é magra, frágil, não muito alta, usa calças jeans, uma regatinha mimosinha com algum detalhe pseudo-fofo como renda ou strass (Jesus, como abomino strass) um sapatinho blé, uma bolsinha blé e aquela carinha de espírito anêmico. Sempre anêmica em tudo que faz.
O pior não é a aparência de Y. Eu ignoraria, nay, eu nem notaria se ela fosse uma pessoa sensacional. Mas não. Y é aquele tipo de namorada enjoada, que desgosta de qualquer filme violento, de ficção científica, esquisito que o namorado gosta porque "ai, meu". Que reclama do frio, mesmo quando não está tão frio assim. Que gosta de fazer cara de enjuriada, de contrariada, de constipada. Y adora fazer cara de constipada. Porque aí X fica em cima dela. Tá entediada? Que foi? Tudo bem? E tudo que X propõe, ela responde "ai, num querooo", não importa o quanto X esteja empolgado. Jesus Cristo, joga a porcaria do videogame que ele acabou de comprar e tá tentando te mostrar, ô monga!
Y nasceu para casar e ser mãe. Não porque seria uma mãe sensacional, mas aquela mãe meio besta do seu amigo na escola. Aquela que não se preocupava muito com as notas se o garoto colocasse os pratos na pia depois de comer, esse tipo de coisa. Porque o garoto não precisa ser um gênio desde que seja normal. Desde que seja um songa-monguinha que vai acabar namorando os seus pequenos gênios apaixonados pelo cinema coreano. Mas, ai, meu.
O que eu mais odeio quando penso em Y é saber que ela vai emporcalhar a parte X das crianças. Que não importa o quanto X tenha algum potencial para ser legal, os filhos invariavelmente vão sair como Y e eu vou ter de odiar os filhos de X ou, pior, as filhas de X.
O que odeio nessas garotas banais e enjoadinhas como Y é pensar que elas vão criar outras garotas banais e enjoadinhas que irão ter mais garotas banais e enjoadinhas até que o mundo seja dominado por uma falta de danoninho na alma. Vale por um bifinho, sabe?

18.7.08

Beatrix Kiddo

O Brasil é como a Katie Holmes em Batman Begins - quando você quase se esquece dela, ela volta para lembrá-lo de sua existência chatinha e piorar o filme todo. Diria que a Argentina é como o Morgan Freeman, com grande potencial mas quase sempre muito mal explorado, coitado. Mas estou divagando. A questão é que estar no Brasil, ser brasileira e conviver com outros brasileiros estraga muitas coisas potencialmente legais. Como artes marciais. Ou cinema. Nenhuma aplicação brasileira do Bruce Lee ou do Sergio Leone pode ser lá aquelas coisas porque avacalhamos tudo com Mestres Açaís e o nosso maior Lee Van Cleef seria o Pedro Cardoso. Claro que o problema daqui ainda é muito pior que o Pedro Cardoso (nada contra o Pedro Cardoso, ele é pelo menos um Steve Buscemi anêmico) mas que aqui ninguém realmente quer ser o Sergio Leone ou o Hitchcock ou o Kurosawa ou o Bruce Lee ou mesmo o Jackie Chan. A aspiração maior é ser justamente como o Walter Salles e sei lá que lutador analfabeto. Mesmo se quisessem, o Brasil enterra todas as potências, acaba com as chances de qualquer coisa minimamente legal.
Por exemplo, nomes. Tenho uma lista de nomes legais que considerei dar para os meus filhos se não fossemos todos brasileiros. São nomes que jamais dariam certo aqui porque 1- não convivemos o suficiente com estrangeiros pra aprender a não estranhar Irina ou Noriko causando constrangimentos sempre que qualquer pessoa normal perguntar o nome excêntrico da criança, especialmente em instituições educacionais, 2- a inevitável pronúncia baianinha estraga qualquer nome que não seja extremamente conhecido porque eles jamais acertariam a pronúncia de Margot sem conhecer dúzias delas.

Nomes Legais Impraticáveis no Brasil:

Manon - Um dos nomes franceses de garota mais legais do mundo. Aqui, alguma gíria de Porto Alegre.
Mina - Como em Drácula. Jamais daria certo porque remeteria a qualquer mano.
Margot - Nenhum servidor público saberia ler corretamente. Acabaria como "Márgo", "Margote", uma catástrofe.
Greta - Porque no Brasil, por incrível que pareça, a Greta Garbo não é o suficiente para conhecerem o nome.
Suki - Gracinha de nome japonês que ainda pretendo usar de alguma forma, mas você sabe que não daria certo.
Aimée - Tem o mesmo significado de Suki e absolutamente ninguém saberia como escrever.
Anouk - Outro nome francês legal. Aqui, "Anôuque".
Carmen - Até é um nome comum, mas como todo mundo teve uma tia ou uma avó Carmen não chamam mais as meninas de Carmen porque acham que é nome de tia ou de avó - mas todas elas foram meninas.
Brigitte - Como Brigitte Bardot. Um nome comum em outros lugares, aqui ficaria extremamente afetado como, sei lá, Shirley.
Muriel - Como Muriel Spark. Até conheço uma Muriel e todo mundo acha estranho.
Naomi - Que é japonês, mas todos se lembrariam da Naomi Campbell, da coisa de atirar celulares em empregadas, etc.. E fala internamente com sotaque da Bahia, fala. Viu?
Leon - Como em The Professional. Aqui, só seria um Leonardo enjoado e pronunciariam horrivelmente, "Lê-on".

Enfim, a lista é infindável. Nem abordei os nomes americanos/ingleses porque são óbvios demais. Terrível, terrível.