Uncleless
Eu me lembro que, no dia em que meu tio morreu, eu consegui fazer uma risca perfeita com o pente no meu cabelo - e então, meu tio morreu. Se eu não tivesse repartido meu cabelo tão perfeitamente, meu tio ainda teria morrido? Ou a risca foi um aviso de que ele estava para morrer? Agora, sempre que, acidentalmente, faço uma risca perfeita no meu cabelo, fico com medo de que alguém morra logo em seguida.
Na verdade, ele não era meu tio. Ele era o tio da minha mãe, mas eu o chamava de "tio". Eu não tenho tios de verdade. Tive tios em potencial, antes de nascer. Mas quando nasci, eles já tinham morrido. Por causa disso, eu não tenho primos, primos de verdade, mas primos do meu pai. Uma vez, eu descobri que uma amiga minha era sobrinha da esposa de um primo de uma prima do meu pai e passei a chamar essa amiga de "prima". Meu primeiro beijo foi com o irmão dela. A irmã mais nova dos dois me adorava. Ela me deu o primeiro pedaço do bolo de aniversário dela - coisa que deixou a minha amiga um pouco chateada porque ela tinha passado a manhã fazendo o bolo. Agora, o irmão dela já tem uma filha.
Eu tive uma "irmã" também. Era uma outra amiga, muito querida, que tinha mãe, mas não tinha pai, e que eu queria muito que meus pais a adotassem de alguma forma. Ela morava com uma irmã, uma tia e uma avó, todas de verdade, mas a mãe tinha se casado novamente e não morava mais lá. Um dia, a gente discutiu e nunca mais se falou. Anos depois, ela morreu em um acidente de carro. Eu não sabia se isso também tinha acontecido por minha causa, porque eu briguei com ela e fui cruel com ela.
Eu só consegui chegar a tempo do enterro. Ao entrar no cemitério, uma amiga me reconheceu, me abraçou e começou a chorar tudo o que ela tentou segurar até aquele momento em que ela me viu. Eu já estava chorando antes de chegar, por todo o caminho da minha casa até lá. Eu chorava tanto que todo mundo que já tinha chorado tudo que tinha para chorar durante o funeral começou a chorar de novo. Com exceção de uma outra amiga do nosso grupo porque o pai dela tinha morrido quando ela era criança e, desde então, ela achava que apenas casos de morte na família mereciam choro. Eu nunca a vi chorar por coisa alguma.
No final do enterro, eu abracei a irmã de verdade da minha "irmã". A primeira coisa que ela disse para mim, ao colocar os braços ao redor das minhas costas, foi "nossa, que cabelão!". Poucos dias depois, eu cortei meu cabelo curto.
Na verdade, ele não era meu tio. Ele era o tio da minha mãe, mas eu o chamava de "tio". Eu não tenho tios de verdade. Tive tios em potencial, antes de nascer. Mas quando nasci, eles já tinham morrido. Por causa disso, eu não tenho primos, primos de verdade, mas primos do meu pai. Uma vez, eu descobri que uma amiga minha era sobrinha da esposa de um primo de uma prima do meu pai e passei a chamar essa amiga de "prima". Meu primeiro beijo foi com o irmão dela. A irmã mais nova dos dois me adorava. Ela me deu o primeiro pedaço do bolo de aniversário dela - coisa que deixou a minha amiga um pouco chateada porque ela tinha passado a manhã fazendo o bolo. Agora, o irmão dela já tem uma filha.
Eu tive uma "irmã" também. Era uma outra amiga, muito querida, que tinha mãe, mas não tinha pai, e que eu queria muito que meus pais a adotassem de alguma forma. Ela morava com uma irmã, uma tia e uma avó, todas de verdade, mas a mãe tinha se casado novamente e não morava mais lá. Um dia, a gente discutiu e nunca mais se falou. Anos depois, ela morreu em um acidente de carro. Eu não sabia se isso também tinha acontecido por minha causa, porque eu briguei com ela e fui cruel com ela.
Eu só consegui chegar a tempo do enterro. Ao entrar no cemitério, uma amiga me reconheceu, me abraçou e começou a chorar tudo o que ela tentou segurar até aquele momento em que ela me viu. Eu já estava chorando antes de chegar, por todo o caminho da minha casa até lá. Eu chorava tanto que todo mundo que já tinha chorado tudo que tinha para chorar durante o funeral começou a chorar de novo. Com exceção de uma outra amiga do nosso grupo porque o pai dela tinha morrido quando ela era criança e, desde então, ela achava que apenas casos de morte na família mereciam choro. Eu nunca a vi chorar por coisa alguma.
No final do enterro, eu abracei a irmã de verdade da minha "irmã". A primeira coisa que ela disse para mim, ao colocar os braços ao redor das minhas costas, foi "nossa, que cabelão!". Poucos dias depois, eu cortei meu cabelo curto.

