Million Dollar Kiss: 12/01/2005 - 01/01/2006
The Ego's Last Stand.

27.12.05

2006

Que seja mais leve, mais fácil e com mais contos, ou sem contos nenhum. Feliz ano novo para vocês.

19.12.05

King Kong

Eu não sei por onde começar, então vou seguir pelo filme.

Grandes créditos, estilo retrô, KING KONG, maravilhoso.

Cenas de pobrezas em Nova Iorque, gente sendo despejada, tudo muito lamacento, muito orc.

Cenas de vaudeville, Naomi Watson se jogando no chão – que seria o equivalente a ver Rita Hayworth depilando o buço – muita dança e cores e alegria.

Entendi que era para as cenas de pobreza e as cenas de vaudeville se contrastarem bastante, primeiro uma, depois outra, numa boa edição com um bom timming, o que não acontece.

Nas primeiras cenas já dá pra pensar em cortar alguns segundos e alguns takes.

Naomi Watson com velhinho treinando espirro, ela diz que ele é tudo que ela tem, violinos tocam nas minhas orelhas e eu já sei que essa é a última ou penúltima cena do velhinho.

Corta pro Jack Black, todo mundo ri só de olhar pra ele. Eu entendo, mas ele não está fazendo nada. Agora, isso é importante. Haverão momentos em que o Jack Black vai precisar parecer abalado e não só se parecer com o Jack Black. Ele não consegue. A atuação dele se baseia demais em ser o Jack Black. Minha impressão é que chegaram pra ele e disseram “vamos te transformar no novo Bill Murray, ou seja, um comediante que realmente sabe atuar” e ele acreditou, coitado. Você realmente não sabe quando Jack Black quer atuar ou só está sendo, you know, Jack Black, com as sobrancelhas insanas de Jack Black e tudo. É um terrível erro porque ele aparece tanto e distrai tanto de todo o tom do filme. Sempre que Jack Black aparece, você se lembra que é, de fato, 2005 e isso é um filme, um filme com Jack Black.

Naomi Watson despedida, com fome, rouba uma maçã – não sei o que há com maçãs, sempre roubam maçãs, eu roubaria um frango assado – é pega pelo vendedor, Jack Black a salva. E lá me esqueço que é um filme de novo. Até porque as pessoas não param de rir quando ele aparece, mesmo se houvessem crianças morrendo de Aids ao redor de Jack Black, eles não conseguem parar de rir.

O navio. O capitão devia parecer misterioso, ele não parece. Dois marujos deviam parecer muito amigos, eles não parecem. A ilha, antes mesmo de chegar lá, devia dar medo, não dá. Jack Black não se parece com um diretor de cinema, ele se parece com Jack Black. Naomi Watts e Adrien Brody funcionam, meio que vagamente, não sei, fiquei distraída com o Jack Black.

Todas as relações humanas são muito porcamente construídas. Eles contam a história – “eu o encontrei aqui embaixo há quatro anos” ou algo – mas os atores ou os editores não fazem você sentir nada. Sim, tem a música a la Enya para momentos sôfregos e eu já me acostumei com isso. Enya me fazia chorar quando eu tinha 8 anos de idade, eu pedia todos os dias para minha mãe parar de ouvir Enya e agora eu sou uma moça crescida, eu já nem percebo, imagine me sentir afetada, uma música a la Enya.

A ilha. É uma boa seqüência a do navio se desviando dos rochedos, o mar é bem feito e dá uma noção de perigo real. De novo, a edição é horrível. Eles mostram o Popeye se inclinado para trás num take onde o movimento do barco tira todo mundo do lugar, se passam meia hora de ação (modo de falar) com os outros personagens e lá vem a cena do Popeye se inclinado de volta pra frente. Metade dos takes podiam ter sido cortados, todas as cenas dão impressão de que deviam acabar antes. Tudo é muito longo, a medida de deixar todo mundo parecendo retardado. Alguém pega uma arma e demora meia hora para atirar. Não cria tensão como devem ter pensado que criaria, só faz todo mundo parecer retardado.

A tribo. Bom, pouco antes de aparecerem os nativos da ilha, existe a pior cena do filme, o que me fez entrar num clima de ódio geral desde então, como se os cartazes do King Kong lutando contra um tiranossauro-rex já não fossem o bastante (falo mais tarde disso). A tripulação do navio está desembarcando e estão todos muito assustados com a ilha sinistra, ok, entendi, e aí tem um take rapidinho e torcidinho numa caveira com um barulhinho assim guiiiiiishhh.

Se fosse uma “referência irônica” aos filmes B, seria brilhante, mas não é. Apesar de toda a idéia da coisa ser exclusivamente B, e não há nada de errado nisso, Peter Jackson quis tirar todo o caráter B da coisa. Por exemplo, não há apelo sexual. Ao mesmo tempo, eles resolvem colocar o maldito t-rex, digo, não um, nem dois, mas três t-rexes, o que é tão King Kong versus Godzilla versus Jason versus Fred versus Alien versus Predador versus Hannibal Lecter versus Ferris Bueller... Assim como com Jack Black, você não sabe quando tem de levar o que acontece a sério...

Mas depois eu falo dos dinossauros.

Os nativos. Minha impressão foi que a orientação do Peter Jackson foi “consegue fazer cara de idiota? Faz cara de idiota. Já ouviu falar em Adriana Calcanhoto? Faz cara de música de Adriana Calcanhoto, bem demente, bem maluca, isso” A impressão que eu tive foi que Peter Jackson é um alien que nunca viu humanos antes e simplesmente não sabe como filmá-los de forma assustadora sem que eles pareçam orcs retardados. Muito, muito ruim. Não sei, aquilo deve ser assustador pra alguém, mas é certo que Peter Jackson não conhece o Diabolus.

Godzilla. Eu fiquei chateada pela primeira imagem do Godzilla n... caramba, eu escrevi Godzilla? Eu quis dizer King Kong. Então, eu fiquei chateada pela primeira imagem do King Kong não ser a melhor. A primeira imagem dele acontece de noite com a floresta escura por trás dele e já estava imaginando que fosse alguma desculpa de artista de CGI preguiçoso, you know, como colocar toda aquela chuva em Godzilla para disfarçar a criatura mal feita. Boa tomada dos olhos, tho, pena que os olhos não são mais os mesmos apartir daí. Apartir daí, os olhos parecem humanos, muito da parte branca aparece, o que não acontece com animais – de propósito, para humanizar o monstro e podermos gostar dele... *suspiro*

E aí o King Kong sacode a Naomi Watts por meia hora. E todo mundo ri. O que é incrível porque o Jack Black nem tá lá.

E aí tem os malditos dinossauros. É uma ilha nunca explorada, então claro, os dinossauros ainda vivem, porque todos sabem que foi o homem o responsável pela extinção dos dinossauros. Malditos dinossauros estavam aos montes aqui na América antes dos portugueses chegarem. Os portugueses tiveram de oferecer miçangas enormes em troca da confiança dos dinossauros apenas para matá-los todos depois porque você sabe que não dá pra confiar num dinossauro. Imagine o Velho Oeste e todos aqueles dinossauros...

M.L. não é muito bom em perceber quando efeitos especiais estão ruins e ele tocou no assunto, juro, ele disse “alguns efeitos estavam ruins, né?”, o que significa que eles estavam muito ruins. Não exatamente King Kong em si, ele estava ok, mas as cenas em que a tripulação é perseguida pelos malditos dinossauros são bem mal-feitas. Dá pra ver o corte ao redor do Adrien Brody. Se você quer os malditos dinossauros no seu filme, faça bem feito.

E um monte de gente morre e ninguém sente falta de ninguém porque as relações foram tratadas como lixo no começo do filme. E aí tem um monte de coisa e o King Kong sacode a Naomi Watts mais um pouco e em troca, a Naomi Watts faz uns numerizinhos de vaudeville pra ele e é tão sem graça e tão não sexy e tão bobo que ela poderia ser trocada por um cocker spaniel com tutu cor-de-rosa e aí o King Kong se apaixonaria por um cocker spaniel com tutu cor-de-rosa e não haveria todo aquele problema, digo, levando-se em conta que o Adrien Brody não se apaixonasse também pelo cocker spaniel de tutu cor-de-rosa e não fosse tentar resgatar o cocker spaniel de tutu cor-de-rosa e deixasse o King Kong e seu cocker spaniel de tutu cor-de-rosa lá na Ilha e fosse pra casa.

E aí eu cansei e concluí que era das piores coisas que já vi na minha vida. Digo, existe um motivo para Spielberg ser um Spielberg, há estética até em Shyamalan, mas não há sentido em ser Peter Jackson. Tudo parece amador, não amador tipo Bruxa de Blair, mas amador do tipo você-não-deveria-ter-largado-a-universidade-de-direito. Não há nada, a técnica é nula, as idéias são bobas e sem graça.

Uma coisa é verdadeira, você realmente sente pelo King Kong, tanto tanto que passa a imaginar quão mais feliz ele seria com outro diretor, em outro filme, sem falas tão idiotas e sem uma loura tentando te ensinar a falar “beautiful” durante o pôr-de-sol mais brega da história do cinema. Se ele grunhisse algo que se parecesse com “beautiful”, eu cometia haraquiri na hora.

17.12.05

Narnia

Não é muito muito bom, não é perfeito perfeito, mas não tem as mesmas cores pastéis do Senhor dos Anéis e é totalmente pró-guerra, o que é muito bom. Eu imagino se todos os produtores, editores e etc fossem liberais e não têm a mínima idéia de quão conservador o filme é, o que é muito engraçado. De acordo com M.L., não tão engraçado quanto a minha versão (crianças inglesas entrando entre os cabelos de um Ramone desacordado e descobrindo Narnia lá dentro) ou o indie - percebi que era indie pelo cabelo propositalmente penteado como se não tivesse penteado - do meu lado que a cada susto quase morria do coração e fazia a fileira inteira tremer com os pulos de moça (indie) que ele dava.
Papai Noel é a favor da guerra, não é legal algo assim receber milhões de dólares para ser feito? Não representa liberdade e tolerância em um meio tão esquerdinha? Não é legal? Retórica, por favor.

12.12.05

Como provavelmente já deu pra imaginar, eu sou viciada em reality shows, mesmo se forem muito muito ruins. Tem esse Blow Out sobre a vida de um cabeleireiro. O desafio da primeira temporada era ele construir um segundo salão. Na segunda temporada, ele está tentando lançar a própria marca de shampoo, condicionador, etc.
O tal cabeleireiro é a pessoa mais horrível do mundo, extremamente egocêntrico e burro e grosso e mesmo quando ele chora não dá pra sentir (muita) dó dele, mas ele consegue tudo o que ele quer e, sei lá, deve cortar bem o cabelo.
Sucesso não é algo restrito a pessoas inteligentes como fazem a gente pensar desde o começo. Há aquela coisa de nerds vs. time de futebol e namoradas e os nerds gostam de pensar que porque eles estudam, eles vão todos ser como Bill Gates e o time de futebol vai fritar batata no McDonald´s. Eles não vão. Eles vão dar um jeito.
Eu não sei como não esnobar gente idiota e o pior de tudo é que eles provavelmente vão ter mais sucesso em vida do que eu. Eu tento, de verdade, não subestimar ninguém e achar que todos eles devem ser bons em alguma coisa, como cortar cabelo, e que eles também devem chorar e etc. e então entra o comercial e o locutor fala "glamour" de uma forma ridícula e já se foi o budismo... Eu realmente não sei como.

10.12.05

Howard Hughes

Acabei de assistir Broken Flowers e é perfeito em tudo. Eu me esforcei muito e não consegui pensar em nenhum defeito ou detalhe que poderia ser melhorado, a não ser as pessoas que estavam lá.
Eu concluí que preciso ficar rica para ter meu próprio cinema na minha grande e reclusa mansão. Eles mostravam o céu e uma estrada e uma casa e alguém ria alto - porque é um filme com Bill Murray, você tem de rir mesmo se ele só estiver comendo um nugget e porque rir é um ato social, para mostrar aos amigos que você entendeu a ironia e o sarcasmo, então ria qualquer momento que for, você sabe, para não perder a possível piada.
Eu odeio as pessas, odeio. Não deveria ser assim já nessa idade não-adolescente, mas odeio.
Eu só encontro gente doida em banheiros de cinemas e restaurantes. O banheiro, dessa vez, era minúsculo e cheio de gente. Assim que abri a porta, peguei o ombro de uma menina, pedi desculpas e fui até um ponto vazio mais a frente. A garota ficou maluca, pensou que eu tinha furado fila, começou a falar sobre "gente boa", "gente boa é outra coisa" e eu tentei me encostar na parede da forma mais relaxada possível pra mostrar que eu não ia pular na privada assim que a porta se abrisse e que eu sabia que ela estava lá antes.
Uma outra vez, a garota me xingou porque eu não tranquei direito minha porta e ela abriu um pouco achando que estava vago. Ela pediu desculpas instantaneamente, toda envergonhada, um amor, e depois ficou maluca "mas também num fecha o... coiso... direito!" outra apareceu e ela, " cuidado que tem gente que não fecha a porta direito"..
Meu palpite é que ela se sentiu embaraçada pela situação e, para não deixar esse horrível clima de embaraço, com grande traquejo social, ela decidiu me destratar (ao invés de fazer um comentário engraçado ou só continuar fazendo seja lá o que ela queria fazer no banheiro) porque, você sabe, é muito mais witty.

O problema com entrevistas de trabalho é que você tem de parecer people-person, você não pode dizer que odeia pessoas e, pior, que as odeia porque sempre tenta ser educado e superior (oooh, ela é tão superior, look at me, look at me, love me, love me, kiss me and hug me) e elas simplesmente não correspondem e resolvem agir como elas bem quiserem.
Todo mundo diz para ser honesto em entrevistas, mas não muito honesto ou um honesto bêbado que ama tudo e todos, ou um honesto budista - damn, as garotas malucas dos banheiros podiam ter sido minhas tias, meus cachorros falecidos, como eu pude odiar meus cachorros falecidos por mais que hoje em dia eles sejam motherfuckin ugly crazy ass bitches?

8.12.05

America´s Next Cocker Spaniel

Eu terminei de ler The Finishing School, da Muriel Spark. Tem uma passagem em que o escritor e professor fracassado explica o sucesso do aluno - que ainda não terminou seu livro, mas já teria editoras e pessoas interessadas em produzir um filme - por causa da idade dele. Que se ele deixar o tempo passar, ele vai ter 18, 19 anos e não vai ser ninguém.

Eu procuraria pela passagem e colocaria aqui, mas estou com muita preguiça.

A primeira modelo eliminada do America´s Next Top Model estava muito velha e muito gorda. Tinha 25 anos e uns 63 quilos, eu acho.