Million Dollar Kiss: 08/01/2005 - 09/01/2005
The Ego's Last Stand.

29.8.05

Forminhas de Amor

III

Requer grande amor para coisas ou pessoas ou partes do corpo de falsa mas má reputação se tornarem gentis. Numa terra muito distante, havia esse pinto, um pinto, de um homem, que era extremamente gentil e educado e simpático, pinto - tão amigável que compreendia as boas maneiras, como nenhum outro pinto, e não havia calça que o impedisse de cumprimentar, "olá, como vai você hoje?" com uma voz assim, fininha. E muitas mulheres desmaiavam ou mesmo o tratavam mal. Mas ele não desistia, não aquele pinto.
Um pinto podia sofrer de muito preconceito naquela terra, sendo que um pinto comum serve a muitas tarefas indignas ou sujas, mas haviam pintos diferentes, pelo menos, um pinto diferente e aquele pinto não merecia sofrer por seus colegas. Na infância, aceito no escotismo, foi congratulando com todas as medalhas - tentava muito ajudar velhinhas a atravessar ruas conturbadas, mas dificilmente recebia reconhecimento pela tentativa. Era chamado de nomes horríveis, diariamente. Humillhado e isolado.
Um dia, o pinto estava andando por uma rua deserta, muito triste, soluçando e lamentando, quando uma garotinha cega e pobre, estendeu o braço pedindo por comida. O pinto, num primeiro instinto, se protegeu de uma possível pancada, pensando que a garotinha ao estender o braço, iria golpeá-lo, na verdade, e ficou um tanto admirado quando percebeu que aquela garotinha não o julgaria pela aparência. Deu-lhe comida e roupas, tudo com o bom salário que o pinto recebia como analista de sistemas, e eventualmente casou-se com ela, recompensado por todos os anos de boa intenção.
Foi a mais linda e emocionante cerimônia, com todos convidados, agora, aceitando o pinto como membro da sociedade, joganda pétalas de variadas flores nele e em sua amada.

Molly Shannon

Faz parte de um bom senso achar que todas as pessoas são ok em se tratando de saúde mental e bom senso, mesmo quando você não é, digo, por isso somos especiais, certo? Porque os outros são tão inofensivos e normais. É sempre um choque pra mim descobrir o quanto alguém pode ser louco e fucked up e messed up, mesmo que minha mãe e a mãe desse alguém sejam igualmente enlouquecedoras. Eu imagino a história, se foi um ex, a escola, ou algo. Sinto por você, exatamente como sinto por mim, juro, mas não fico mais para descobrir, vou-me embora porque dos casos em que ilegalmente tentei tratar, sairam os resultados mais terríveis, então, eu desisto. Agora, dou três passinhos para trás, antes de começar a correr e gritar e agitar os braços, vestida como a minha mãe.
Fiz terapia por anos, parei recentemente, não há mais de um ano. Nunca, nunca, nunca resolveu um de meus problemas, mas me ajudou a me tornar mais consciente dos meus problemas, nunca consciente das soluções, mas já era útil assim. Digo, se eu identificava em mim mesma um sistema de defensa, ou um exagero, ou uma atitude ruim, essas coisas não desapareciam, mas apartir desse momento, eu não envolvia mais nada ou ninguém, eu jamais agiria assim - porque eu sabia que era isso, bobagem.
Uma doença mental é algo que não está realmente lá, apesar de ser uma condição real. "É claro que ele gosta de mim", meu bom senso sentadinho e limpinho num canto do quarto, enquanto minha doença se descabela e se joga no chão, aos prantos mais feios e chatos. Fazer terapia é ter uma segunda opinião interna, ter o anjinho no ombro direito - porque eles ficam no direito, mesmo que você seja canhoto - enquanto só havia o lado vermelho, o lado esquerdo, coordenar os dois. Em anos de terapia e nenhuma solução, eu indiquei terapia a dúzias de pessoas - eu tentei eu mesma, usei as roupas do meu psiquiatra, imitei a decoração da sala dele, mas o mal vencia e acabava com o traseiro do meu pequenino anjo como se fosse uma crack whore apanhando do pimp. Por isso, larguei com a prestação de serviço, que mesmo bem-intencionada, era uma prática ilegal, afinal.
Se encontro gente permanente ou temporariamente insana - you know, existem fases difíceis - eu fujo, não por conta própria, mas por causa do meu lado bom me puxando pela gola, ainda cheio de curativo e mertiolate, com uma asa solta e a auréola toda zoada. Gostar de mulheres e homens "complicados", "sombrios", que bobagem, que desastre, pode acabar em COPS e versões brasileiras de programas sobre crime, you know. Brrrr.
Eu espero, do fundo do coração, que tudo fique ok para você, para todos vocês, com graus maiores e menores de doença - "doença" não é um termo tão ofensivo em inglês, "home sick" é só uma saudadezinha - porque eu passo, para preservar o tamanho da minha, porque, you know, ela persiste, e a batalha entre o bem e o mal é sempre algo que merece atenção total, isso e sorvete de chocolate.

27.8.05

Franz Ferdinand

Oh, eu deveria parar de frequentar bares indies com a esperança sempre renovada de que será legal, apesar dos indies, porque indies são assexuados - e andróginos - então, não há assédio de nenhuma parte, não há aquela tensão de sair à noite e a música é ok e eu posso usar tênis.
Apesar do conforto, não significa que não voltarei sem um tracinho de cheiro impuro não apenas nas minhas roupas, mas em meu corpo e que não pagarei vinte e sete reais por três mini garrafinhas de vodca. Mas ainda, não muito ruim, isso tudo, I had it all coming.
As pessoas mais próximas de mim lá eram uma amiga e seu namorado, namoro de dois meses e você sabe, namoro de dois meses, eu explicava aos outros, e eles, oh. Quando pessoas namoram por dois meses, você não pode se sentar entre elas, ou sentar do lado de uma delas, enquanto uma vai ao banheiro, ou querer conversar muito. Passei a noite bastante sozinha, andando com mini garrafinhas de vodca e meus tênis, exatamente porque não namoro só há dois meses - you know, a tensão entre os lugares na mesa tende a diminuir com o tempo, não por falta de amor.
É bem incômodo andar com namorados de dois meses - você está convesando, normalmente, e num golinho de mini garrafinha de vodca, eles estão se agarrando e beijando e abraçando. Eu avaliei quando um dos beijos estava a dois segundinhos de acabar, há toda uma linguagem corporal, coloquei a mão no ombro da minha amiga e ofereci o resto quente de mini vodca, porque meu estômago doía - e dói - e fiquei encarando o poster do The Smiths na parede, odeio.
Namorados de dois meses me despertam uma sensação maternal, digo, eles sendo minha mãe, uma mistura de uma figura obviamente bonita e querida com extremamente embaraçosa. Eles me levaram para casa e se beijavam nos faróis fechados e eu me contorcia como uma adolescente no banco de trás, como se minha mãe estivesse dançando a conga na minha festa de quinze anos. Ao mesmo tempo, senti falta terrivelmente, como se minha mãe tivesse morrido. O tom da voz, o sorriso e os olhos constantemente apertados - não sei porque, acho uma graça.
Eu olhava para eles sabendo que não existiria mais algum dia, digo, aquele jeito ou mesmo eles. Eu esperava que nunca acabasse também, mas a previsão me dava um certo orgulho, eu me sentia altiva e velha, uma boa velha. Como com mães, passados os dois primeiros meses, ou sei lá quantos meses de leite, é compromisso apenas, para atestar de que, em vias de perda, sim, o mundo terá fim - e seria uma desgraça social, uma vergonha, o mundo não acabar. Não porque não apreciamos enquanto disponível, mas porque é o certo a se fazer. Atender às consultas porque marcamos os horários, etc.

25.8.05

Forminhas de Amor

II

E essa é minha preferida, o amorzinho interventor - um, por amor, descansa com os pezinhos pra cima, enquanto o outro faz, faz as coisas. O outro descansa porque confia e concorda, e muitos, muitos nunca foram o outro, digo, o que faz, faz as coisas. Muitos, muitos descansam, sem confiar ou concordar. É falta de amor, não concordar com ninguém nesse mundo (e é muita promiscuidade concordar com todos). Você pode ver pelo número de pessoas que concordam excessiva e falsamente em primeiros encontros de últimos de muita longa data, eles estão desesperados. O amorzinho interventor deixa as coisas mais bonitas e mais felizes por você, sem que precisse pedir ou estalar os dedos, sem bem que muitos namorados acham ofensivo, estalar os dedos
Num segundo muito pequeno, muito pequeno, entre acordar de verdade e sonhar com algo, eu tive essa imagem de um homem que comia sutiãs. Por aquele, eu tinha toda a idéia em minha mente, e fazia sentido e era um sentido maravilhoso. Eu me esqueci dele no caminho malvadamente gelado até a cozinha, e agora terei que associar livremente apartir do homem comendo satisfatoriamente sutiãs, sutiãs de todos os tipos. Tenho impressão de que pessoas que usam chinelos nunca esquecem idéias, porque nada as desperta - talvez aquilo de achar e calçar propriamente, me parece requer certa atenção e sobriedade - mas pessoas que usam chinelos não têm tantas idéias, porque a kundalini não escorre para o chão, atrapalha o chi, ou algo.
Mas, o homem. O homem que devorava sutiãs. Ele devorava sutiãs porque adorava mulheres, mas devorava apenas os de uma mulher. Dizia que era para que ela, a amada, não precisasse cozinhar pra ele e pudesse descansar o dia todo, em almofadas e tudo. Ele os comia, na verdade, porque achava a forma dos seios relacionados ao corpo muito mais bonita sem sutiãs, e sabia que encomodava o corpo - ele os experimentou, uma vez - os comia para secretamente privá-la.
Ela, a mulher que tinha os sutiãs devorados, apesar da insegurança corporal - tal liberdade pode restringir em muito os movimentos - confiava e concordava, e fazia chilli, de qualquer forma, para ele. Chilli, para mergulhar os sutiãs. Sabia que ele não o fazia apenas para livrá-la de trabalho, mas porque ele queria e porque, inconscientemente, a faria bem desde que melhorar a apresentação de alguém é sempre uma boa ação não apenas para si próprio mas para o mundo todo. Ela agradecia com um beijo nas têmporas, cada uma - não sei porque pensei em têmporas agora e não faz nenhum sentido, beijar as têmporas, mas ela beijava.
O homem que comia sutiãs não era só o tipo de homem que atendia a um enterro, ele ressucitaria o morto.

23.8.05

Forminhas de Amor

I

Quando Grace Kelly foi, casada com o Príncipe, até Mônaco ela foi cercada de rumores de mulheres monaquenses, de que desdenhavam a coroa e rejeitavam tal atriz de Hollywood a usando, tomando seus trono e homem real. Grace Kelly que era a própria graça - a graça é ninfomaníaca, segundo muitos - então criou um estratagema para agraciar e agradar todos. Ela seria muito people person, street person, humble person, em seu discurso de posse e faria de tudo para ganhar os corações do povo e as boas bocas das não tão boas mulheres invejosas.
Ela havia falado com Corky, a very people street humble person amigo de Sua, quem havia lhe ensinado todos os dizeres que as pessoas simples costumam usar, entonação e linguagem corporal. Teve aulas diárias, de muitas horas, sobre como não ter graça ou muita classe. Tudo pelo bem do povo, e das mulheres de não tão grande beleza. O discurso, finalmente, foi este:

Y´all, y´all! Check´it out, y´all!

Nobody likes me, but that's okay
Cause I don't like y'all anyway
... And I don't like y'all anyway
Fuck all y'all!!
My watch talk for me, my whip talk for me
My gat talk for me
BLAT! Whattup homie
For bitches who don't know me
... They wanna blow me
When I don't like a nigga, I don't pretend to
I'll have the paramedics wrap your fuckin head like a Hindu
Look, I ain't goin nowhere, so get used to me - gingando bastante -
OG's look at me and see what they used to be
I'm that nigga that sold coke, the nigga that sold dope
The nigga that shot Dice when he broke to So So
The thug, they pop shit, the thug that pop clips
The thug that went from three and a half to whole bricks
Nigga ain't in his right mind, goin against me
My picture's painted through words that make a blind man see...

Word! - cruzando os braços com luvas de opera -

Check it out the bling bling, beeee- a - tches! - apontando a coroa, o dente de ouro e a corrente de ouro com um $.

E, oh, como as mulheres soluçavam na data de sua prematura e trágica e terrível morte.

20.8.05

Colour Me In

Uma amiga muito querida me contou que seu professor uma vez disse que a paleta de cores de pessoas comuns vêm de uma mistura de Disney e Matisse. Pessoas heterossexuais, ou homossexuais sem classe, dificilmente têm uma concepção madura de cores. Existem cores erradas e você pode descobri-las por arranjando um bebê, digo, qualquer bebê, peça um emprestado a um conhecido. Separe todas as cores que desejar usar e mostre-as ao bebê e veja o quanto ele fica excitado. As cores certas são as que o bebê não nota o pedaço de cartolina colorida e prefere a Cartoon Network - sim, deixe a Cartoon Network durante. Porque as pessoas comuns reagem às cores da mesma forma. As cores mais possíveis de estarem no armário do Elton John, aquele mau inglês.
Falo de ingleses pela minha grande sabedoria relacionada a diversidade de reality shows. Os ingleses tem os melhores, pelo menos, esteticamente. Digo, existem programas de reformas e transformações tanto americanos quanto ingleses e os ingleses sempre decoram e se vestem muito melhor, além de terem cabelos muito mais bonitos. Talvez seja pela proximidade a todos os czares da moda, que são, invariavelmente, europeus. Mas sendo América o centro do mundo, eles podiam importar das redondezas um pouco de gosto, mas eu realmente não quero ir para esse assunto.
Minha paleta de cores vem de um programa de moda da BBC. Claro, nem todos ingleses se vestem bem e por isso há um programa de moda. Elas, apresentadoras do programa, dizem que não se deve usar cor brilhante com preto - usei por muitos anos - e é absolutamente certo, que cor deve se usar com cor. O problema é, claro, combinar cor com cor, porque as pessoas não têm um senso natural para combinar cores. Por isso, existem aquelas rodas explicativas com cores análogas, complementares e etc.
Por que falo de cores? Eu também não sabia. Cheguei a um fim muito poético de que exatamente pelas pessoas não saberem combinar cores instintivamente que todos os problemas, de todas as origens, ocorrem e que o segredo da vida seria saber escolher cores. É verdade, juro. Por educando um bebê de que borgonha é muito mais bonito que vermelho, ele se torna um pouco mais refinado, pessoas um pouco mais refinadas aprendem a refinar livros e música e atitude - os problemas de atitude são os causadores de todos os males - e não haveria mau-gosto e é o mau-gosto que cria depressão, a falta de bons modos às mesas, todas as mesas.

19.8.05

Nico e a Síndrome dos Amores Passados


Lou Reed loirinho

Christa Päffgen era de uma banda antes conhecida como Blue Banana e agora não podia encontrar nenhum de seus antigos companheiros. Um dia, ela viu um homem muito parecido com um de seus colegas e desmaiou, acudida pelo próprio homem muito parecido com um de seus colegas - acordada, ela viu que não era ele, mas o golpeou com movimentos de La Canne para garantir.
Christa Päffgen tinha ataques sempre que via similaridades de antigos companheiros em completos estranhos. Não bastava mais serem totalmente, ou parcialmente, parecidos com eles, bastavam sobrancelhas e narizes e orelhas similares de pessoas de restos confirmadamente estranhos, ela teria ataques e atirava coisas, coisas pesadas - porque ao sair de casa, ela sabia que encontraria cílios, dedos e joelhos do passado - segundos antes de perder toda a consciência, de recobrá-la e atacar de novo.
Christa Päffgen sofria também, desde que todos os conhecidos se tornariam passado aos acontecimentos de espinhas ou machucados ou penteados ou frases extremamente familiares de repente aparecerem, ela logo ficou sozinha. Ela procurou por ajuda médica, Dr. Gesundheit, que tinha narinas de um ex-namorado e ela carregava lanças, flechas e um improvisado lança-chamas, mas ela fingiu não ver e resistiu bravamente.
Dr. Gesundheit a informou da Síndrome dos Amores Passados e a recomendou uma lista de todas pessoas do passado - demoraria dias, muitos dias de muitas horas de trabalho e tristeza - e o procedimento de classificá-las, quem são as mais doloridas agora, buscar seus endereços, horários e hábitos e então, lanças, flechas e improvisados lança-chamas. Ela só tem ataques quando quer agora.

17.8.05

Tia Cabeça-de-Vela

Tia Cabeça-de-Vela foi, uma vez, loura, mas com a idade, bom, não muita idade, o topo de sua cabeça, bem como todo o resto de seu corpo, tornou-se branco, do branco mais branco que há, mas não havia nenhum problema com isso.
Tia Cabeça-de-Vela perdia a velha forma, mas não muito velha, como todos que tem o topo de cabeça inteiramente branco, do branco mais branco que há. Tia Cabeça-de-Vela temia ficar cada vez mais curvadinha e lentinha, pelo menos, cinco graus mais e menos cinco kilômetros por dia, até alcançar o formato e o conceito de um bumerangue com muita muita paciência para voltar, tomando tempo e fôlego pra olhar a paisagem e as pessoas. Alguns, Tia Cabeça-de-Vela diz, se curvam tanto pela idade que podem, enfim, andar para todo lado tocando com todos os dedos das mãos os próprios dedões do pé. Tia Cabeça-de-Vela disse que teve um tio-avô que ficou tão menor depois de tantos dias que, um dia, se mudou para o bolso de sua mãe e lá viveu até a morte, esmagado por um dedo mindinho. Mas não há nenhum problema com isso também.
O problema é que, constantemente, exigiam iluminação da Tia Cabeça-de-Vela, a velha, não muto velha, mais sábia, muito sábia, da família, e era uma família muito grande, mesmo com todos os idosos vivendo na cesta de frutas. Tia Cabeça-de-Vela iluminava todos os cantinhos escurinhos de todos os corações queridos - e não que eram muitos, realmente queridos, digo, haviam muitos primos indesejados, mas a luz era forte e quente a ponto de deixar os cabelos da Tia Cabeça-de-Vela derretendo até os pés, formando uma pocinha de sabedoria, para aqueles que a realmente mereciam, no chão. Quem já encostou em sabedoria, sabe que é assim, quentinha e grudenta, que é quase como carne, carne humana e que, logo, deve ser um sacrifício.
Tia Cabeça-de-Vela tem só cinco centímetros e meio, ela me forçou a dizer "e meio", de corpo agora, mas vive imensamente feliz, com todas as gotinhas de todos os antepassados, na gaveta mais espaçosa.


Para os aniversariantes do mês.

16.8.05

The Critics

Darryl Zanuck, produtor - “It was unbelievable! Their columns weren´t just important, they could actually change your mind about a movie! Even if your personal opinion was different from what they would say, they would convince you by presenting crazy “facts” – Darryl Zanuck fez assim, com os dedos no ar – “…And that was the game! They were illusionists!”

Harvey Weinstein, produtor - “We would do anything for those two. We had the most spacious and comfortable projection room, we brought popcorn, candy bars, milk shakes, lollypops, cheerios and milk… They were just like kids! They would wear pajamas – it was before the nude thing - giggle and play in front of our most important executives of the studio like they were alone! They were that important. They could change the dates for a projection, they could choose to watch it at midnight and we just had to drag our bosses out of their beds!”

Robert Evans, produtor (imitando a voz de Clea Schultz) - “Well, Bob, if Sinatra is making such a fuss about Mia in the movie, why don´t you offer a role for him and his crew in the movie? I don´t know, Matt Helm could be part of the Satanist group, Frank could sing some songs, Sammy could play the devil, wearing a red cape and a mustache and all... And then she just laughed, so gorgeously… Polanski and Mia adored them, requested their presence and all everyday. They even gave them a dressing room, which is insane – I, as a producer, never had a dressing room - ´cause they had nothing to dress.”

James Stewart - “Mr. Hitchcock had several rules on the set, but rules just didn’t applied for those kids. It was crazy... They would run and wave in front of the camera while it was shooting, kiss Mr.Hitchcock´s forehead, draw hair with a marker on top of his head and all… It was a circus…”

Documentário na HBO, sobre Clea e Al Schultz, irmãos nudistas e mordazes críticos de Hollywood por mais de trinta anos.

14.8.05

O Caso de Amor de Marilyn Monroe e Marlon Brando

No dia 5 de agosto de 1962, outro corpo de uma mulher loura de 36 anos foi retirado imóvel de Brentwood. Não Marilyn Monroe, mas uma sobrinha, uma sobrinha muito inconveniente, de Eunice Murray, irritante empregada doméstica com as mãos secretamente manchadas de sangue. Marilyn Monroe foi vista por um fã, em 1964, nas ruas de Nova Iorque - nunca acreditaram nele.
Por anos antes de sua falsa morte, Marilyn estava se correspondendo com Marlon Brando. Tinham grande grau de intimidade e não foi difícil para eles se apaixonarem um pelo outro. Brando, em uma das demonstrações mais carinhosas, infelizmente desconhecida por todos, prometeu a Marilyn toda a segurança possível, para que ela nunca, jamais, fosse machucada ou magoada e prometeu a ela um lugar quente e aconchegante - foi pelo ano de 1968, mais ou menos, que Marlon Brando começou a engordar, mas apenas porque se alimentava, devidamente, por dois. Foi Marlon Brando quem matou JFK, com uma indigestão.



Marlon Brando e Marilyn Monroe momentos antes de se tornarem um só.

Na ilha em que Marlon Brando passou seus últimos anos, pouco antes da própria morte, em 2004, ele cuspiu de volta uma intacta e de 36 anos Marilyn Monroe e na ilha, sozinha, ela vive hoje.

12.8.05

Espíritos de Rímel Borrado

Eu aprecio exagero quando bem usado - em Kill Bill, o sofrimento que A Noiva passa só é muito grande para reação poder ser maior ainda; Bud é tão humilhado para que a revelação de que aquele lixo branco presta pra alguma coisa possa ser mais surpreendente - e aprecio odiar ou adorar, mas mais odiar, apenas aparentemente, algo que na verdade não me importa muito. Porque é divertido. Um sanduíche, por exemplo, que seja o ser mais vil da história da humanidade é muito mais divertido. Vi por aí uma garota que faz comentário-diário, que funciona como um blog-diário; ela conta o que acabou de fazer, aonde vai amanhã, etc, só que fora de seus próprios domínios para pessoas que não se importam, e eu a odeio profundamente, mesmo não me lembrando do nome dela. E isso é bom. Fulaninha, te odeio.
Eu estava assistindo Um Dia de Fúria e percebi que é todo exagerado, mas de forma errada. Em dado momento, Michael Douglas assiste vídeos caseiros de sua família em que ele está sendo um babaca sem perceber e para mostrar o quanto sua mulher está magoada, o que fazem? Borram toda a maquiagem com os prantos dela. Aquela tinta preta na bochecha. Digo, se ela fosse logo em seguida cortar a cabeça dele, tudo bem - não se responde exagero com normalidade - mas isso não acontece e nunca, nunca uma mulher deve andar por aí com o rímel borrado, é uma falha moral, sim, moral, um papel higiênico preso no sapato de uma alma aliviada.
O problema não é exatamente enfeiar uma mulher, isso também, mas o mau uso de exagero, ou o que chamo de espíritos de rímel borrado, e que não envolvem exatamente cosmética. Coisa de livro de mulher: Casal discutindo a relação após um longo casamento durante um jantar, ela, tão ultrajada que eventualmente quebra o copo com as próprias mãos. Isso, caros leitores, é um espírito de rímel borrado. Geralmente, os espíritos de rímel borrado envolvem o exagero de emoções ruins - não do terror ou medo ou coisas sangrentas, mas emoções, assim, lânguidas porém histéricas - como mulheres bêbadas de meia idade nos agarrando pelo pescoço, reclamando a vida, reclamando que fazem anos que não tem um orgasmo. Claro, ninguém morre engasgado com o sanduíche mais vil da história, elas, que nunca têm orgasmos, morrem de câncer, carecas, cheias de perebas, abandonadas num leito sujinho. Não bom.

8.8.05

Pequena Compilação dos Movimentos do Rabo do Meu Cão

Venho por meio deste fornecer uma descrição simplificada dos variados movimentos do rabo do meu cachorro, que me parece ser o assunto mais interessante no momento. Como é bem sabido que cachorros não falam por serem tímidos - a não ser "auuuu", "ouuuu" e "naaaaaum", "naaaaaum" sendo característica especial do meu cachorro quando demonstra desaprovação - acho de profunda importância à humanidade um guia que possa, por fim, descobrir, ou pelo menos tentar, o que se passa nas mentes de todos os cachorros do mundo, dado que são as criaturas mais inteligentes e graciosas da face da terra.

* O Helicóptero Anti-Horário
Movimento rápido em trezentos e sessenta graus, para o alto, longe do corpo, demonstrando grande alegria ou saudades. Geralmente acontece quando meu cachorro não me vê há muito tempo. Mais de trinta minutos, por exemplo.

* O Bumerangue Confuso
Diferentemente do Helicóptero Anti-Horário, esse movimento em particular se caracteriza pela formação de uma elipse - não um círculo perfeito - bem como pela falta de regularidade. Pela razão deste acontecer especialmente para festejar a minha chegada em casa e pelo fato do meu cachorro precisar correr do lugar onde estava triste a me esperar, x, até a porta que se abre vagarosamente, y, a coordenação motora impede que os movimentos sejam tão consistentes.

* O Tique Explosivo
Leve tremor do rabo do meu cachorro, geralmente, deitado em minha cama. Chamo de Explosivo porque meu cachorro pretende brincar quando balança o rabo assim, sutil e sugestivamente e se eu benevolentemente aceito, não só o movimento do rabo bem como de todo seu corpo se torna caótico, como descreve nosso próximo movimento.

* O Caos Insano
Caos Insano é um conjunto de todos os movimentos anteriores e outras oscilações impossíveis de documentar tamanha rapidez e possibilidade de se criar novos movimentos nunca antes vistos e que nunca mais se repetirão. Muito frequente em cães jovens ou nos cães que simplesmente se permanecem sapecas mesmo com idade avançada Acompanhado de corridinhas sem rumo e, eventualmente, trombadas não propositais nos móveis da sala.

4.8.05

Intermission



1.8.05

FAQ

A idéia é dela. Damn, eu queria ter pensado nisso antes. The thing is, eu não recebo perguntas muito frequentemente, mas achei que seria legal responder mesmo assim. Sempre tento, vez ou outra, confirmar o propósito deste. Vez ou outra, me distraio e aí vem o terror - eu descuidadamente pareço boa pessoa e aí alguém desavisado gosta de mim, claro, pelos motivos errados. Não, eu não sou boa pessoa.

1) Você é japonesa?
Não, eu sou mestiça. Claro, boa parte da família é japonesa e se parece com japoneses. Eu me pareço com uma mestiça. Pelo menos, de olhar pra mim dá pra imaginar que existem genes japoneses em algum lugar. Uma coisa é certa, de qualquer forma, eu tenho o sangue de boa parte dos bandidos da Segunda Guerra Mundial.

2) Você é má?
Muito. Digo, só não gosto que chutem cachorrinhos e esse tipo de coisa. De resto, sou má, muito má.

3) Por que Greta Garbo, Jean Harlow, Clara Mow, Myrna Loy etc?
Todas as mulheres que aparecem aí do lado são atrizes que eu imagino escrevendo por mim caso eu tire umas férias. Eu imagino as vozes, os rostos e sei que vai condizer com as coisas que eu geralmente falo, que geralmente tem a ver com maldade. Não só maldade, é claro, mas beleza e bom gosto com roupas. Eu considerei Bette Davis, Joan Crawford, etc, mas elas se tornaram incrivelmente bizarras com a idade. Greta Garbo é o modelo perfeito de beleza, frieza e de como envelhecer bem ou poupar o público de, reclusa. Eu poderia explicar, na verdade, a razão de cada uma delas, mas, my goodness, vamos acabar logo com isso, shall we?

5) Por que não Audrey Hepburn?
Muito fofinha, muito cuti-cuti, sobrancelha muito grande, ela jamais seria má.

6) Por que você coloca uma foto e diz que é outra pessa?
Faz parte das minhas piadas. Além de mim, apenas três pessoas mais riem também. Um rabino, uma freira e um padre que entraram num bar.

7) Por que você fala mal de blogueiros ruins?
Não que eu ache que eles vão mudar ou que eu queira propositalmente irritá-los, é apenas para afastá-los, no mímino, provocando ódio. You see, quando falo em inglês ou falo mal de certos hábitos cretinos, não que eu realmente os odeie ou que eu realmente esteja falando sério, uma grande parte de pessoas cretinas se ofendem e se afastam - e só por isso que faço, para afastar gente cretina.