Million Dollar Kiss: 09/01/2007 - 10/01/2007
The Ego's Last Stand.

28.9.07

Satan Said Dance

Escuta, tenho uma teoria. Eu acho que pessoas que não têm nenhum problema com maldade acabam ficando todas boazinhas, enquanto pessoas que são aterrorizadas por qualquer visão de maldade acabam inevitavelmente contagiadas por ela, mesmo que com uma forma muito mais leve de maldade - porque pensam muito nisso e vivem com isso. Acho que é assim. Não sei.
Eu sou maldosa porque acho muito divertido e me ajuda a passar o tempo, mas abomino maldade de verdade. Não maltrato órfãos, por exemplo, a não ser talvez que mereçam. Acho que seria coisa pra contar aos netos com orgulho, "eu maltratei um órfão -- mas ele tava pedindo por isso". Seria legal, mas, enfim. Digamos, rir dos tênis de alguém, totalmente pelas costas, como fiz hoje (e foi bom, eram ridículos) é totalmente ok e acho muito atraente pessoas que partilham desse tipo de qualidade.
Meu tipo de maldade, que é benigna e até charmosa, é dificilmente o que há de pior no mundo. Se alguém não consegue rir da garota vesga que é péssima pessoa também, well, isso é realmente assustador. Porque esse só pode cometer alguma atrocidade algum dia.
Todos sabem que serial killers são, em geral, pessoas normais, simpáticas, extrovertidas - outro terror a ser explorado - cidadãos exemplares e tal. São as pessoas mais capazes de maldade porque elas simplesmente não gastam suas cotas de maldade diariamente e não têm nenhuma relação com maldade, não pensam e não praticam muito.
Das duas uma. Ou você pensa muito sobre alguma coisa e fica obcecado. Ou se você nem mesmo considera, essa coisa acaba voltando em algum momento como o fantasma de um namorado negligenciado. Então, é bom pensar em maldade e violência e depravação, essas coisas todas muito vis todos os dias pra não ter de praticar nunca. Tem uma garota que tem um sorriso congelado no rosto e ela é sempre muito solícita e muito animada e woohoo e nada me deixa mais aterrorizada. Se uma pessoa é constantemente vil, nada pode surpreender. Mas se essa garota aparecer com uma faca, oh boy, vai ser sério.
Sonhei que eu dei um soco em um garoto desconhecido, baixinho, loiro. Ele tava me perturbando e tapas ou empurrões não davam mais certo. "Vou te dar um soco", eu avisei, e segurei a nuca dele gentilmente com a mão esquerda e dei um soco entre o nariz e a boca com a mão direita. Ele tinha o rosto coberto de espinhas, acordei com nojo da minha mão. Uma coisa a menos na lista.

25.9.07

Awesome

Estou fazendo um trabalho sobre o Era Uma Vez no Oeste e tô num grupo pra escrever um filme de zumbi. Porque eu sou legal.
Spaghetti western, zumbis, fantasmas japoneses, Bruce Willis. Você precisa se cercar das coisas legais para se tornar legal.
Ninguém ganha nada se cercando de Dogma 95, Cinema Novo, Glauber Rocha de camisa aberta chupando manga. Isso tudo é obviamente não-legal. Não é questão de opinião ou gosto, é óbvio que não é legal. Coloque a mãozinha na consciência e pense em quem você chamaria para animar sua própria festa de aniversário de 7, 8 anos. Godzilla ou Arnaldo Jabor?
Porque eu sou legal eu prefiro ver The Ring pela décima vez a ver Terra em Transe pela segunda. E se você quer ser legal também vai preferir um aceno do Leslie Nielsen a uma entrevista com Walter Salles.
É simples assim. Alien versus Bruxa de Blair. Sebastião Salgado falido. Seja legal você também.

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24.9.07

Mimimi

Me lembro de alguns pedaços da minha vida como se fossem vidas passadas. Não era eu, era uma versão de mim. Eu não consigo mais me reconhecer como aquela pessoa e o motivo de eu viver daquele jeito ou de outro é totalmente desconhecido pra mim hoje - considerando que estou no meu normal e nos dias verdadeiramente atuais.
Infelizmente, não eram vidas passadas interessantes de verdade. Desde 1986, tendo vidas aqui e ali, nunca consegui ser faraó ou múmia. Ser uma múmia me daria muito orgulho e acho que é uma dessas coisas que tem de se fazer antes de morrer.
Minhas vidas passadas consistem agora num conjunto de memórias estranhas em que eu estava andando com pessoas com quem eu jamais andaria hoje e fazendo coisas que eu já parei de fazer há muito tempo e nem me lembro o suficiente de como era e quais eram as minhas desculpas pra conseguir sentir vergonha. Se você sente vergonha, aconteceu nessa vida. Se você não sente nada e se lembra vagamente, como se fossem sonhos ou menos ainda, são vidas passadas.
Amiga de um garoto japonês de 1,30m que gostava de falar "chapado" como "legal" na sexta série, aconteceu nessa vida. Agora, digamos, pegar metrô e ônibus segurando uma pasta enorme de pintura, vida passada. Não acho que eu repetiria nenhum dos dois, mas eu me lembro como era ser amiga do Franklin.
Quase sempre a reação ao se lembrar de uma vida passada é "nossa". E, então "vixe". E aí "afe" - mesmo que você não use "vixe" e "afe" no seu dia-a-dia.
Acho um importante próximo passo perceber quando estou vivendo uma então futura vida passada. Acho que tenho conseguido, pelo menos nesse ano, saber o que vai ser eventualmente muito estranho e alheio. Eu acho que, um dia, a faculdade vai ser muito estranha e alheia, eu espero que seja.
Tinha uma época que eu queria ser arquiteta. Nossa. Vixe. Afe. Isso é quase a antítese de ser a múmia de um faraó. É quase como ser uma paçoca.

16.9.07

Ninjas de Direita II

Um Pequeno Conto de Abertura

Um jovem passarinho chamado Maurice estava tentando ir de um galho fininho para outro galho fininho na árvore sem folhas, onde todos os seus outros amigos passarinhos gostavam de pousar e conversar um pouco.
Maurice estava no galho mais baixo e estava querendo ir para um mais alto, enquanto uns cinco ou seis, é difícil dizer exatamente, de seus amigos estavam todos asas com asas em um galho mais intermediário.
Maurice ergueu a cabeça, afundou o pescoço um pouquinho no corpo e pulou. Maurice não conseguiu alcançar o galho mais alto e caiu uma longa queda até o chão, sem danos muito sérios a não ser contra seu próprio orgulho.
De volta ao seu galho de origem, seus amigos perguntaram "Mas por que você não voou?" e Maurice, envergonhado, respondeu "Sei lá, cara."

*

Eu estava no Last.fm e queria elogiar o avatar de uma neighbour. Era uma foto de Françoise Dorléac e François Truffaut, provavelmente no set de La Peau Douce. Escrevi "love your avatar" na shoutbox e esperei pelo Last.fm salvar minha mensagem. Não salvava nunca e enquanto isso aproveitei pra ver melhor o perfil dela. Ouvia coisas como Yeah Yeah Yeahs, The Strokes e Henry Mancini, Françoise Hardy, Serge Gainsbourg. Vi que tinha 25 anos e era americana. Radiohead. Deve ser anti-americana, pensei. Só depois percebi que a palavra que eu estava procurando era "anti-guerra" ou "anti-Bush" e não necessariamente "anti-americana", apesar dessa ter aparecido primeiro na minha mente. O Last.fm ainda não tinha salvado minha mensagem. Resolvi desistir de elogiar o avatar dela, sentindo uma tristezinha rancorosa de como se o mundo estivesse perdido e eu tivesse uns 72 anos.
Uma menina no Stumble, americana, 20 e algo, artista e tal, deixou de ser minha amiga depois que postei sobre um texto de um fórum conservador de cinema. Depois fui ver que ela tinha postado várias coisas anti-guerra, como todo mundo da idade, ocupação e nacionalidade dela. Meu Stumble continua lindo, provavelmente mais bonito que o dela, e com ilustrações melhores do que as que ela faz também, mas nope, não há espaço para as minhas reviews de direita. Continuo sendo fã dela, mas sempre que ela aparece no avatar, toda tatuadinha, não deixo de pensar "asshole".

10.9.07

Ninjas de direita

Tava passando um programa musical inglês qualquer que nunca assisto por pura antipatia sem fundamento algum, mas agora só tem Dawson's Creek ou George Foreman (Invisible Bra, Flat Hose, etc.) nos canais mais decentes.
Começaram com Strokes. Esses dias, tocou Strokes no rádio e senti saudades. Baixei a discografia que já tinha deletado há algum tempo, anos até, e tenho ouvido bastante. É legal e tudo, mas eu tenho vontade de socar aqueles garotos por causa das caras que eles fazem e dos penteados que eles usam.
Depois, Flaming Lips. Eu sinto ódio genuíno quando me lembro das coisas anti-Bush. Mas tá, é ótimo, muito legal mesmo. Mando chi negativo sempre que o vocalista aparece, balançando o pé ao mesmo tempo. No meio da música, mostraram a Chan Marshall batendo palminha e aí tive um chiliquinho. Tive de desligar a tevê e ligar meu iluv - super dock para o meu mais novo ipod chamado Jet, ou Jeto, dependendo da pronúncia.
Andei procurando na Pitchfork por sugestões de bandas novas pra baixar. A Pitchfork me cansa tanto. As notas altas podem servir pra coisas realmente legais e outras só "inovadoras", "revolucionárias", etc. mas que são horríveis. Não pode ser só bom, tem de ter toda uma proposta, uma declaração, bla. Acabei pegando muita porcaria chata por causa disso. Mas, de novo, é ótimo e tudo, só um pouco, bastante, chato.
Meu método: Leio a parte de "best new music" na Pitchfork, tento me simpatizar por algum nome e depois procuro pelos "similar artists" e as tags no Last.fm. Sempre, sempre reluto em pegar "female vocalists". Eu costumava adorar, mas eu era muito cheia de sentimento. Agora, nem tanto. Como diria M.L., gosto de coisa mais "animadinha". Se tem, digamos, Clap Your Hands e/ou Arcade Fire nos similar artists eu vou acabar puxando. Mas mesmo assim nem sempre é seguro.
Peguei o último albúm do Spoon e é muito divertido, mas todo anti-guerra. Não pode ser só divertido. Passo uns três dias sem prestar muita atenção, dançando mentalmente sempre que toca e, então, vou atrás da letra e toda a graça se vai e tento parar de ouvir ou penso em deletar por ideais políticos, mas, mas era tão legal antes de eu saber o que significava. Eu tento recuperar minha pureza e tento desaprender as letras e fingir que não sei o que estão falando, mas a música fica estragada pra sempre e, apesar de ainda ser bom, melodia, tudo, minha festa acaba um pouquinho quando toca.
Por sorte, ou não, filmes esquerdinhas são quase sempre totalmente imprestáveis. Não há absolutamente nada pra se gostar neles, atuação, direção, nada. Não preciso gostar deles e me sentir corrompida.

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8.9.07

Não deu certo. Foi um pouco mais assustador do que eu imaginava. Voltei ao Brasil. Da próxima vez, tento algum país de língua portuguesa ou inglesa. De qualquer forma, um vídeo para o final de semana, ou a vida!, ou a vida: