Million Dollar Kiss: 04/01/2007 - 05/01/2007
The Ego's Last Stand.

28.4.07

Ieda tão cansada e com um senso de humor tão, mas tão obscuro que começa a falar dela mesma na terceira pessoa.

Ieda pescando no metrô. Olhos cheios de lagriminhas depois de uma série de bocejos. Ieda tenta não dormir completamente empurrando as sobrancelhas pra cima, fazendo com que as pálpebras não sejam suficientemente longas.

Ieda se arrasta até os taxistas que, sente paranoicamente, a odeiam todos.

Ieda boceja novamente para mostrar seu cansaço ao taxista. Que, sim, o caminho é curto, a corrida nem deve valer a pena pra ele, mas pobrezinha da Ieda, tão cansada, tão tarde da noite.

Agora, Ieda em casa. Ieda poderia ir para cama, finalmente, mas Ieda enrola. Assiste o final de um filme ridículo com a Monica do Friends, vai até a cozinha, pega iogurte - talvez, um pouco mais.

Ieda resolve postar. Contente, cansada. Eu ia dizer cansada antes, mas saiu contente.

Tá, mais iogurte.

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16.4.07

A vida é como Britney Spears - não tô nem aí pra morte do Vonnegut

Nada nunca acontece se eu imagino que aconteceria daquele jeito. A única razão para eu não sofrer uma morte violenta, digamos, atacada por lobos, é porque eu acabei de pensar nisso. Se existe a possibilidade na minha cabeça, não vai acontecer. A vida é como Britney Spears, apesar de obedecer um certo código de comportamento, sempre surpreende.
É completamente admissível que Britney Spears apareça pelada e bêbada em várias ocasiões, mas é quando você acha que a conhece completamente que ela fica completamente maluca e raspa a cabeça, do nada. Sim, a vida raspa a cabeça, do nada. E só pra chamar a atenção mesmo.
O destino sempre me impedir de conquistar o que imagino me garante, pelo menos, evitar uma ou outra coisa. Tubarões, conjuntivite. Se eu imagino, não acontece. Ou, pelo menos, não da forma que eu tinha imaginado - e eu tento imaginar o pior. Digamos que eu tenha pensando - e pensei - em tubarões e conjuntivite e, portanto, estou segura dessas ameaças. A vida, a Britney Spears, dá um jeito de fazer com que eu pegue conjuntivite de um tubarão no metrô. Sim, eu não posso evitar tudo. Sim, Britney Spears, a vida, é soberana.
Não funciona assim com todo mundo. Algumas pessoas realmente imaginam e conseguem exatamente o que queriam, Deus as abençoe, mas a vida, as pessoas, e mesmo a própria Britney Spears são como Britney Spears - ou seja, imprevisíveis. O segredo parece ser (eu ia dizer que é, mas me senti toda temerosa do destino) tentar prever o pior porque ele é, então, automaticamente descartado.
Cometi por muito tempo o erro de imaginar o que eu queria e agora o estrago está feito. É preciso fazer o caminho inverso e ir por exclusão. Ao cruzar uma rua durante uma noite, pense nos piores assassinatos, pior ainda, nas piores torturas possíveis, ursos polares raivosos, ninjas mutantes. Jamais pense em simplesmente chegar em casa, comer bem e dormir. Arrisquei minha própria segurança ao escrever a frase anterior.

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8.4.07

Boa Páscoa



Morri.

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5.4.07

Espartano

Acabo de ver um trecho de uma entrevista com Orson Welles gordo em que ele diz, quase chorando, que gastou muito da sua energia com coisas que nem se tratavam de cinema, que, infelizmente, fazer cinema é apenas 2% de cinema e 98% de aborrecimento.

Ando compreendendo isso muito no meu microcosmo de estudante besta. É mesmo. A edição demora meia hora. Cinco são usadas pra discutir, trabalhar com egos mal resolvidos e tal.

Estou um caquinho. Estou em tal forma emocional que se me dessem um algodão doce e um sorriso, ambos completamente gratuitos, eu cairia no choro e dormiria de exaustão logo em seguida.

O mais engraçado é que o que tem me movido nessas condições, quase como uma força misteriosa que faz com que os mortos retornem do inferno e comam cérebros, é Coragem. O texto de um seminário que preciso fazer sobre coragem e a minha aplicação do tema em "300" e Esparta e Gerard Butler. Olá, Gerard Butler. Mr. Butler. Quem diria? Há mesmo um Mr. Butler como na piada da Marilyn Monroe em All About Eve. 'Waiter!', 'That is not a waiter, my dear, that is a butler.', 'Well, I can't yell "Oh butler!" can I? Maybe somebody's name is Butler.' Algo assim.

Sempre que os músculos começaram a doer de tanto andar e subir escadas correndo e o desespero começou a ficar visível nos meus olhinhos fundos e deprivados de sono e paz de espírito, me lembrei que this is sparta.

Madness? THIS IS SPAAAARTAAAA e volto para gráfica pela terceira vez, cansada, faminta, emocionalmente destruída, porém corajosa. Coragem, coragem.

Caquinho, caquinho.

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