Crenças
Eu acredito, não em astrologia exatamente - quando você dá nomes, por exemplo "pré-cognitiva" ao invés de "eu vejo coisas" você abandona uma inocênica cute e, portanto, provavelmente verdadeira para uma bullshit pseudo-científica, porque astrologia é bullshit, pal, mas eu deliberada e genuinamente não convivo com alguns signos - que cada mês e ano têm sua vibe, que realmente existem temporadas que é melhor não viajar de avião, não passar por procedimentos médicos, não usar chapéu e etc. Sempre que um mês ruim termina, eu me sinto renovada e acredito - e, geralmente, procede - do novo mês ser completamente diferente.
É claro, há o constante medo de que todas as suas crenças tão cuidadosamente cultivadas - quantas pessoas de Áries eu tive de conhecer pra saber que as odeio todas - sejam bullshit porque, you know, há auto-sugestão e auto-sabotagem e todas aquelas coisas psicológicas e psiquiátricas e psicossomáticas que facilmente enfureceriam um ateu que, infelizmente, nunca resolve combater as coisas psicológicas, psiquiátricas e psicossomáticas. E eu acredito em coisas psicológicas, assim como acredito em Deus, mesmo que elas não sejam agradáveis em toda a parte do tempo.
Então. Há o medo de ter visões, então a) de a visão ser negativa e acontecer, então b) de a visão ser positiva e não acontecer, então 1 - da visão ser verdadeira e atrapalhar meus planos e 2 - da visão ser falsa e atrapalhar meus planos. Ninguém é crente full-time. Dos trezes aos quatorze anos, eu me envolvi em estudos de Feng Shui e passei a acreditar que só poderia dar a descarga numa privada se ela estivesse tampada e, preferencialmente, dando uma corridinha logo depois de apertar o botão com o meu maior e mais esticado dedo do meu maior e mais esticado braço, de preferência com o corpo em outro cômodo. É algo que, se você for decente, você nunca admite em público enquanto acredita porque sabe que é bobagem, mas é um ritual, you know, como cantar Parabéns e acender velas e cortar de baixo pra cima e não e não contar o desejo, do contrário, não acontece e etc.
(Eu vi um japonês, no metrô, com a orelha toda perfurada e selada de acupuntura e o considerei o japonês mais não-japonês do mundo todo.)
Porque sou especialmente ranzinza, sempre que deixo o meu prédio sem passar por nenhuma pessoa que seja, além do porteiro, acredito que será um bom dia e, geralmente, funciona assim. Talvez, por não ver ninguém e ciente de todo o conjunto dos meus sinais e crenças, todo meu humor e pré-disposição melhora e eu lido muito melhor com qualquer dificuldade possível. Sim, é possível. Se eu estiver previamente feliz, descarto a possibilidade da sorte e sou ou tento ser mais racional, se eu estiver deprimida, you know, essa sucestibilidade é tão conveniente, apenas combina com todo o quadro achar que a faxineira é uma espécie de gato preto pronto a arruinar o dia, é tão completamente deprimente.
Mas conveniência é sempre o fator principal, sim, era isso que eu queria dizer, descobri agora. Há um novo mês chegando e porque não estou previamente feliz, não acredito muito que minha sorte possa melhorar. Digo, melhorar, pode, eu posso tomar sorvete de chocolate e tudo pode melhorar, digo, melhorar de verdade. Justamente quando todo o conjunto do meu comportamente prevê que eu deveria acreditar em sorte muito mais agora - por estar deprimida, logo, em contato com todas as forças psicológicas existentes ou não - há o evento incomum de que eu talvez queira ser mais racional, apenas para continuar deprimida. Ou poderia ser um mecanismo de defesa que me deixa previamente pessimista apenas para sentir as coisas boas com mais intensidade?
A beleza da coisa e de todas as coisas em geral, é que existem surpresas. Mas, por outro lado, eu odeio surpresas agora - mas se as coisas realmente fossem como planejadas, estaríamos reclamando de tédio - mas, I don´t know, tudo podia variar em favor da conveniência. Sim. E, rezo, e me deprimo e deprimo, em geral, e tento me conter porque acredito em k-a-r-m-a e previamente peço desculpas e previamente peço s-h-u-t-t-h-e-f-u-c-k-u-p.
*sigh*



