Million Dollar Kiss: 10/01/2005 - 11/01/2005
The Ego's Last Stand.

30.10.05

Crenças

Quanto mais eu me deprimo, mais eu temo à Deus e vive-e-versa e não digo que seja ruim mas digo que acredito que aconteça assim. Quanto mais acredito em Deus, mais eu entro em contato com supertições que carreguei comigo a vida toda, provavelmente, por ter passado muito tempo com os serviçais e suas novelas. Por exemplo, se estou mais atéia que de costume, não acredito em premonição, dom que genuinamente tenho, portanto, não deixo minhas visões acabarem com meu humor em situações que dependem do meu humor para dar certo - portanto, a visão não funciona, a premonição não funciona. Quanto mais eu rezo, mais eu penso nos meus próprios poderes e mais sinto as coisas por vir, ou assim eu acho que acontece, e assim as visões, constantemente negativas, procedem positivamente.
Eu acredito, não em astrologia exatamente - quando você dá nomes, por exemplo "pré-cognitiva" ao invés de "eu vejo coisas" você abandona uma inocênica cute e, portanto, provavelmente verdadeira para uma bullshit pseudo-científica, porque astrologia é bullshit, pal, mas eu deliberada e genuinamente não convivo com alguns signos - que cada mês e ano têm sua vibe, que realmente existem temporadas que é melhor não viajar de avião, não passar por procedimentos médicos, não usar chapéu e etc. Sempre que um mês ruim termina, eu me sinto renovada e acredito - e, geralmente, procede - do novo mês ser completamente diferente.
É claro, há o constante medo de que todas as suas crenças tão cuidadosamente cultivadas - quantas pessoas de Áries eu tive de conhecer pra saber que as odeio todas - sejam bullshit porque, you know, há auto-sugestão e auto-sabotagem e todas aquelas coisas psicológicas e psiquiátricas e psicossomáticas que facilmente enfureceriam um ateu que, infelizmente, nunca resolve combater as coisas psicológicas, psiquiátricas e psicossomáticas. E eu acredito em coisas psicológicas, assim como acredito em Deus, mesmo que elas não sejam agradáveis em toda a parte do tempo.
Então. Há o medo de ter visões, então a) de a visão ser negativa e acontecer, então b) de a visão ser positiva e não acontecer, então 1 - da visão ser verdadeira e atrapalhar meus planos e 2 - da visão ser falsa e atrapalhar meus planos. Ninguém é crente full-time. Dos trezes aos quatorze anos, eu me envolvi em estudos de Feng Shui e passei a acreditar que só poderia dar a descarga numa privada se ela estivesse tampada e, preferencialmente, dando uma corridinha logo depois de apertar o botão com o meu maior e mais esticado dedo do meu maior e mais esticado braço, de preferência com o corpo em outro cômodo. É algo que, se você for decente, você nunca admite em público enquanto acredita porque sabe que é bobagem, mas é um ritual, you know, como cantar Parabéns e acender velas e cortar de baixo pra cima e não e não contar o desejo, do contrário, não acontece e etc.
(Eu vi um japonês, no metrô, com a orelha toda perfurada e selada de acupuntura e o considerei o japonês mais não-japonês do mundo todo.)
Porque sou especialmente ranzinza, sempre que deixo o meu prédio sem passar por nenhuma pessoa que seja, além do porteiro, acredito que será um bom dia e, geralmente, funciona assim. Talvez, por não ver ninguém e ciente de todo o conjunto dos meus sinais e crenças, todo meu humor e pré-disposição melhora e eu lido muito melhor com qualquer dificuldade possível. Sim, é possível. Se eu estiver previamente feliz, descarto a possibilidade da sorte e sou ou tento ser mais racional, se eu estiver deprimida, you know, essa sucestibilidade é tão conveniente, apenas combina com todo o quadro achar que a faxineira é uma espécie de gato preto pronto a arruinar o dia, é tão completamente deprimente.
Mas conveniência é sempre o fator principal, sim, era isso que eu queria dizer, descobri agora. Há um novo mês chegando e porque não estou previamente feliz, não acredito muito que minha sorte possa melhorar. Digo, melhorar, pode, eu posso tomar sorvete de chocolate e tudo pode melhorar, digo, melhorar de verdade. Justamente quando todo o conjunto do meu comportamente prevê que eu deveria acreditar em sorte muito mais agora - por estar deprimida, logo, em contato com todas as forças psicológicas existentes ou não - há o evento incomum de que eu talvez queira ser mais racional, apenas para continuar deprimida. Ou poderia ser um mecanismo de defesa que me deixa previamente pessimista apenas para sentir as coisas boas com mais intensidade?
A beleza da coisa e de todas as coisas em geral, é que existem surpresas. Mas, por outro lado, eu odeio surpresas agora - mas se as coisas realmente fossem como planejadas, estaríamos reclamando de tédio - mas, I don´t know, tudo podia variar em favor da conveniência. Sim. E, rezo, e me deprimo e deprimo, em geral, e tento me conter porque acredito em k-a-r-m-a e previamente peço desculpas e previamente peço s-h-u-t-t-h-e-f-u-c-k-u-p.

*sigh*

27.10.05

"There was a silence. Both saw it through without any seeming impatience or awkwardness. Franny still appeared to have some considerable pain on one side of her face, and continued to keep her hand on it, but her expression was markedly uncomplaining."

21.10.05

Família Vende Tudo

E fiquei imaginando como seria difícil ter "Vende Tudo" como sobrenome, e imaginei que os parentes que mais sofreriam de toda a família seriam as filhas, as primas, tias, mãe e avós, Aninha Vende Tudo, Carolzinha Vende Tudo, e não sei porque mulher vagabunda sempre é chamada pelo diminutivo do nome muito mais facilmente. Não que toda diminuta seja vagabunda, mas quando um nome já tem muitos donos que o usam assim, no diminutivo, é coisa de vagabunda, e isso funciona para homens também. Todo Pedrinho ou Paulinho é um pouco vagabunda e apanha de negão. Se me falam de Pedrinhos ou Paulinhos sempre imagino um garoto franzino apanhando de um negão.
Ninguém que se denomina diminutamente ou usando sílabas do começo, meio ou fim do nome, merece respeito. Principalmente, se for vagabunda. Por mais que seus pais tenham mau-gosto, eles pensaram com carinho (ou não) e não se reduz ou corta o carinho dos seus pais. Se casar e adotar o nome dele é adotar mais um carinho, aumentar a família - se não quer o sobrenome, não o merece. Quando ele adota o nome dela é por puro desdém à própria família. Meninos são muitos mais difíceis de se criar, principalmente porque meninas são mais inteligentes (apesar de escreverem pior). Em outras palavras, ou nas palavras que ainda não disse de outra forma porque me cansei, homem que adota sobrenome da mulher é pussy, mulher que não adota o nome do marido é feminista suja e bigoduda.
"Diálogo" é a pior palavra do mundo agora, principalmente porque as piores pessoas do mundo a usam e nunca nunca nunca em sentido literal, mas mesmo que fosse, seria sujo. A arte instigante - outra - de Nando Lamotte-Fouqué se propõe - e outra - a um diálogo entre os valores burgueses e a crua realidade das ruas de Botucatu - e imagino um Valor Burguês tentando comer um brioche numa rotisserie enquanto Crua Realidade, ou Cru, entra gritando, descabelada e suja, chutando cestinhas de pão de queijo - e claro, nada de diálogo-diálogo real, mas falso e gay. Mesmo assim, "Diálogo" não muda o nome de forma alguma por questões de apelo comercial ou simples bichice. Diálogo aguenta, entre lágrimas, defendido muitas poucas vezes - Um diálogo entre o homem e a anima infantil e travessa das senhoras do Guarujá, "ah é, e o que ele disse?" e Diálogo chora de emoção. Diálogo Vende Tudo e sua filha, Poesia Vende Tudo.

18.10.05

Intermission


A-gain.

17.10.05

A vingança das borboletas

Uma borboleta preta, ou, pelo menos, mulata, ameaçou entrar no quarto agorinha e quase morri. Quando eu era pequena, ou, pelo menos, menor, conheci um caçador de borboletas, que andava com saquinhos e jeitos especiais de pegá-las e colecioná-las e era o homem, ou garoto, mais temível que já conheci, de todo, todo o condomínio. Odeio tudo que voa pela simples vantagem tática que eles têm de se dirigir à minha cabeça muito mais facilmente que seres terrestres. Assim como coisas que, por serem líquidas ou qualquer outra coisa, alcançam meus pés com uma rapidez não-mamífera e mais réptil e assustadora.
Lembro da cena da jovem Kirsten Dunst pedindo ao Brad Pitt que a levante do chão e que não tenha os sapatos cobertos pelo sangue do Tom Cruise. Porque seria desagradável, o sangue do Tom Cruise. Qualquer coisa ou pessoa ou bicho que seja capaz de ou sujar os sapatos ou atacar o cabelo é coisa do demônio. Qualquer coisa com vantagens táticas perante às humanas, ou normais de um humano normal, é sacanagem. Gênios são sacanagem. Ditadores são sacanagem. Borboletas, cobras, jacarés. Já viu jacarés correndo? Gênios somando 13,5 e 28,7?
Odeio borboletas e matemática, muito mais que baratas voadoras. Porque baratas voadoras te permitem que se jogue no chão. É uma barata voadora, é Lúcifer! Matemática, não. Tem de lidar e acariciar como se fosse um poodle. Conversar com Lúcifer, como se fosse um poodle, assim é matemática. Requer, pelo menos, dois anos de namoro para poder desistir de fazer contas na frente de outra pessoa. Poder genuinamente não querer saber quanto é 17 x 18. Oh, eu não sei. Eu poderia, mas não quero.
Matemática e relógio de ponteiro são exemplos de coisas das quais se precisa de predisposição natural. Do contrário, há o sentimento de fraude. Sempre me sinto uma fraude olhando relógio de ponteiro, como se eu fosse uma falsa médica chutando diagnósticos com base no que sei de seriados médicos. Tudo é câncer como sempre é "quase cinco", "quase seis", etc (pra evitar mais informações). É muito fácil se sentir uma fraude porque as pessoas nascem, geralmente, com pouca predisposição natural para poucas coisas e o mais difícil nem é ser fraude o tempo todo - fingir que confere o troco do delivery de sanduíche - o difícil é quando não se encontra as poucas coisas para as quais você tem uma predisposição natural.
Pra mim, as pessoas só ficam loucas quando não encontram aquilo que tem predisposição natural para. E pode-se ter predisposição natural para qualquer coisa - até caçar borboletas, a profissão mais arriscada que se tem notícia. Eu encontrei muito pouco e é vergonhoso a medida que a idade passa e não se acha mais coisas naturalmente relevantes. Hoje de manhã, conclui que tenho predisposição natural para iogurte. Sempre tive simpatia para iogurte. De todos os tipos. Montgomery Clift está lutando nesse exato momento. Não vejo Burt Lancaster ou Frank Sinatra por perto. Tenho predisposição natural pra Montgomery Clift também. E não muito mais que eu saiba. Não muito mais.
É especialmente difícil fazer um layout quando não se sabe qual a sua cor natural, qual sua fonte natural e etc, etc. Pessoas resolvem, de todas as coisas do mundo, tatuar golfinhos porque, de alguma forma, isso as resume. Eu fico muito contente por elas. Contente e com inveja. Sempre invejei a capacidade de resumo, de simplificar e transmitir facilmente, como aquele movimento rápido das cobras pelo deserto.

12.10.05

Intermission


9.10.05

Get the butter


"Are you deaf? Put your fingers up my ass."

Estou tentando. Muito. Fazer um layout decente. Mas para cada hora que eu fico no computador, eu fico um pouco mais coloridamente desajeitada e artisticamente diabólica - not in nice way. E eu olho a primeira versão do que faço e é tão terrível e tão pior que a segunda que a segunda parece ouro mas então eu faço uma terceira que é muito melhor e eu me pergunto como eu pude gostar da segunda? E então a terceira fede perto da quarta, que é cocô perto da quinta and so on and on and ad freaking infinitum on.
Nesse exato momento, eu estou tentando arranjar uma razão para minha reclamação - oh, tão constante - ter a ver com Marlon Brando. Mas não tem, não tem.

*

Porque não gosto de Top Hat

Porque eu poderia enumerar durante toda a noite todos os milhares de homens mais charmosos que Fred Astaire. O papel de Fred Astaire - quando não dançando, eu realmente não sou técnica em sapateadologia - é basicamente o mesmo de Cary Grant em The Awful Truth ou His Girl Friday, ou seja, ser Cary Grant. Ser chato até que a mulher, finalmente, se atire nos braços certa e suficientemente morenos.
Sim, porque ele é feio. Homem feio não pode se dar ao previlégio de ser sarcástico ou irônico e se referir negativamente à minha idade ou fidelidade ou escolha de noivo. Hell, qualquer okie é melhor que Fred Astaire. Se Fred Astaire começa a carygrant me, eu dou um soco na boca daquele creep.
Em An American In Paris, Gene Kelly fica perturbando Leslie Caron para sair com ele enquanto ela tenta vender um perfume a uma senhora gorda. Tanto a senhora gorda quanto Leslie Caron se engraçam todas com o Gene Kelly. Se fosse Fred Astaire, levaria bolsadas. É como colocar Eli Wallach no papel de Clint Eastwood em The Good, The Bad and The Ulgy, Peter Lorre no papel de Humphrey Bogart em Casablanca, Thelma Ritter no lugar de Grace Kelly em Rear Window, não, não.
M.L. disse que conhece muitas mulheres que sairiam com Fred Astaire - you know, se não estivesse podre and all - e perguntei "Quem? Rubens Ewald Filho?"

7.10.05

Carte D´Or

Tirei meu apêndice hoje de manhã e guardei numa jarra cinematográfica com um daqueles líquidos cinematográficos que nunca soube do que era feito. Coloquei na cozinha ao lado do pote de picles para sensibilizar as pessoas que comem picles. Porque alguém que lida diariamente com corpos deve ter algum tipo de dificuldade em comer carne e a mim me importam os indefesos picles e ervilhas e brócolis.
Verdade é que tiraram de mim meu próprio apêndice de nascença e não me deixaram levá-lo para casa por mais que fosse de meu direito - ou deixaram meu apêndice com a minha mãe, porque é isso o que se faz com mães, tirar o apêndice, engessar o braço - e não posso rir, oh, não me façam me rir.
Das coisas que mais tenho medo é de operar alguma coisa que não eu mesma possa operar, ou seja, operarem algo em mim, remover, adicionar ou só deixar em lugar ou posição mais harmoniosa. Não que eu não confie na capacidade de compor ou combinar cores - dizem que o tom rosado do pulmão combina terrivelmente com algum órgão verde, não sei qual - mas porque tenho medo do senso de humor dos que o fazem.
Tenho medo daquela anestesia - que dói muito muito muito mais que uma topada no dedão - e daquele gás, não sei o que é, porque a idéia de alguém me movendo sem eu saber é terrível. Os médicos e enfermeiros e anestesistas dançando conga com meu corpo quase morto.
Só não morro por isso. Por medo de dançarem a conga com meu corpo, de desenharem um bigodinho no meu rosto, rasparem minhas sobrancelhas e coisas assim. Todo suicída merece um bigodinho, um dedo propositalmente colocado dentro do nariz. Só por isso, pela falta de medo dos médicos e agentes funerários que fazem bailes com os falecidos, e os bastardos nem me convidam.

6.10.05

Don´t believe everything you hear on the radio

M.L. não tem músicas em seu desnudo computador e sofre com minha ausência. Para M.L.

Transmissão aqui.

Script para acompanhar aqui.

3.10.05

The More I Know People The More I Love My Dog

Assim como o genocídio de luvas me aterroriza e preenche minhas noites de pesadelos, eu penso em todos os poodles - e muitos me acusam de racista, mas a verdade é que eu gosto de poodles, sim - que sofrem nesse exato momento enquanto George W. não retira as tropas de poodles do Iraque.
No momento, tenho dúvidas se foi um ex-namorado ou minha avó quem disse que pessoas que não gostam de cachorros ou crianças, ou velhinhos no lugar de crianças, não são confiáveis. Eu não me importo muito para crianças ou velhinhos ou pessoas de idade normal, então sou meio-confiável.

Se, por algum motivo, você tem um tio muito velhinho em casa, que late muito, e o condomínio começa a reclamar, dizendo que talvez ele seja mais feliz em algum outro lugar e não trancado na varanda, você até pensa em arranjar uma nova casa para ele, mas nunca nunca para o seu cachorro.

Você não manda seu cachorro para a guerra. E não porque ele esteja em desvantagem, mas simplesmente porque você sabe que ele é o melhor humano em todo o mundo e que se não o houvesse, nem existiria pelo que lutar, não haveria nada para se viver, nada.

Catástrofes naturais envolvendo cachorrinhos, guerras com cachorrinhos, cachorrinhos desarmados, isso é horrível.