Million Dollar Kiss: 11/01/2005 - 12/01/2005
The Ego's Last Stand.

28.11.05

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Eu estou numa idade em que já não posso confiar na falta de - eu nunca culpei falta de idade por qualquer coisa que eu possa ter feito porque nunca achei uma boa desculpa, mas eu não poderia começar agora. Ao mesmo tempo, eu estou numa idade em que eu não posso, não esperam que, eu esteja totalmente segura e completa.
Minha idade não será mencionada porque não é vergonhosa o suficiente. Apenas pessoas com idades vergonhosas o suficiente anunciam a própria idade como uma tentativa de sentir orgulho, todo dia. Uma idade vergonhosa pode ser falta de ou excesso de, mas eu acredito que o sentimento seja o mesmo.
Se você tem pouca idade você tem de provar que não é um idiota completo, que provavel e felizmente você é um meio-idiota e que isso já uma vantagem. Se você tem muita idade você tem de estar contente com o que passou, o que leva a mesma pergunta "será que eu fui um idiota?" ou "consegui disfarçar?"
Existem dois sentimentos que neste momento me parecem ser um caracteristicamente infantil e o outro caracteristicamente adulto mas eles tendem a revezar muito rapidamente. Um é que desde os doze anos de idade que eu quero formar minha família, quase como a de Charles Manson mas não mataríamos ninguém. Dois é que se eu não precisasse tanto de outras pessoas para viver bem - para me dizerem que eu não sou uma idiota completa e me fazerem sorrir e etc - eu poderia viver sozinha.
Mas é claro, alguns dizem que quando você aprende a lidar com todo mundo é que você se torna adulto e que fugir é algo imaturo de se fazer. Provavelmente, seja tão difícil aprender a viver sozinho como aprender a viver com os outros e seja uma questão de qual se quer tentar. Mas é impossível descobrir como ser um adulto, digo, qual é o mais adulto... Se trancar num quarto ou ir brincar.
Eu acho que pessoas de 30 já sabem lidar com pelo menos 70% das coisas - e eu suponho isso porque ainda não cheguei lá e porque provavelmente não é verdade, mas os números de rejeições e mortes e as coisas que começaram há relativo pouco tempo para mim já devem ter causado alguma educação nem que seja daquelas como um elástico no pulso.
Eu me lembro que quando eu era criança, 24, 25 eram idades para se casar e agora todo mundo casa com 33, 34 e eu não sei o que isso significa; Casamento é algo mais adulto de se fazer? Ou as pessoas andam tão mais indecisas que precisam esperar esse tempo todo para saber? Tem alguma coisa errada nessas comédias românticas em que os protagonistas tem simultaneamente inseguranças e medos dos 13 anos e bolsinhas nos olhos.
Talvez casar cedo seja coerentemente imaturo, talvez casar seja um erro seja em qualquer circunstância. Eu sei que se alguém me dissesse isso quando eu era criança eu odiaria a pessoa "para o resto da vida" então, e todos dizem (ou eu digo) que para conhecer a você mesmo é só se lembrar de como você era quando criança - mas elas não idiotas? se eu agir como criança eu não vou estar sendo idiota com bolsinhas nos olhos?
É totalmente diferente ser idiota quando se ainda tem baby fat (bochechas preenchidas, aquele saquinho na parte de baixo do braço, tudo, preenchido, recheado, não importa quão magro você seja) ser um idiota com pé de galinha, marcas de expressão é, além de idiota, deprimente.
Eu tenho baby fat, além de regular fat - pra saber se você tem baby fat checar o ângulo entre sua maçã do rosto e seu queixo, se não for nada muito grande, que deixe o seu rosto como um triângulo de cabeça pra baixo, você tem baby fat nas bochechas - mas também tenho dois risquinhos de cada lado do olho e não são de origem nipônico, eles não estavam aí antes.
Não faço idéia de como se é idiota na minha idade -talvez seja assim mesmo - alguma orientação seria bem-vinda mas seria estranho agora receber orientações em como ser idiota, eu já deveria saber pelo menos um pouco.
Pelas minhas bochechas preenchidas, todo dia, eu rezo para aprender a lidar com outras pessoas e saber as melhores formas de educar meus numerosos filhos que seriam todos maravilhosos, pelas minhas bochechas preenchidas.
Não todo dia, mas de vez em quando, recentemente até, eu tomei notas mentais que eu deveria aprender a viver sozinha que talvez eu não teria cabelo branco algum se eu vivesse sozinha.

*

Todos meus namoros tiveram uma certa média de duração até agora, um ano e meio, dois anos. Eu morro de medo de ser como com brinquedo e depois ter de manter uma família presa no armário com as roupas circa 1988.
Pai Mei vivia sozinho e não tinha nenhum traquejo social, seria despedido de qualquer empresa. Nada pró-ativo. Pai Mei tinha seus pupilos e provavelmente precisava deles, vez ou outra. Talvez esse deva ser o único tipo de relação cabível - ter pupilos - e eu ensino a arte de, não sei, reconhecer em cinco segundos se um filme qualquer que passa na tevê é bom.

27.11.05

Flaming Lips

Ah, como é bom pisar em solo firme e ouvir o ar do meu ouvido.

Sou contra a prática desse tipo de evento, muito grande, muito sujo, mas fui porque eram Sonic Youth, Flaming Lips e Iggy and The Stooges. Principalmente por causa de Iggy and The Stooges, que é como dividir a sala com Twiggy ou qualquer outra figura assim histórica.
Flaming Lips é fabuloso. As cores, as músicas, o conceito. Eles criam todo um clima lindo e fantástico - independente do fato de eu amar qualquer coisa ou pessoa que cante Bohemian Rhapsody - e então estragam tudo falando de *ush e *raque (e não só falar mas exibir imagens de criancinhas ensagüentadas).
Não se fala de política se você não é político. Você canta, atua, escreve ficção, shuthefuckup. Sou mais a favor de falta de liberdade de expressão do que da falta de porte de arma porque, you see, a opinião da Jennifer Love Hewitt ou similar não é eficaz em nada.

Tão bobo e infantil e estúpido.

Vi Iggy Pop por uns dois segundos através da maior quantidade possível de cabeças e ombros em dois mil kilômetros de distância e parecia suado.

Ah, deixa eu apreciar o silêncio um pouco mais.

Pronto.

25.11.05

You should learn japanese, very easy.

Eu estava olhando minhas pinturas do ano e sem horror algum que notei que as do começo do ano são muito melhores que as do final do ano - e, francamente, olho o que fiz e não faço idéia de como fiz e eu mesma não saberia me reproduzir, você sabe, de maneira pura.
Eu descobri um modo de me divertir com meu corpo, de maneira pura. Há uma cavidade - aquela que dizem para contarmos dois dedos acima e ali praticar reanimação - que fica incrivelmente profunda quando recolho todo o ar da minha barriga. A diversão é tentar ir até o espelho assim porque é algo que só se consegue sentado.
Não é tão divertido, mas ocupa.

ko-n-ni-chi-wa

17.11.05

1

Meu pai é a única pessoa que já conseguiu - e eu não sei se apartir de então seria uma coisa permanente, ele sempre conseguiria - me consolar ou me dar algum alívio através de conversa. Sem ofensas as pessoas que me conhecem e tentaram me consolar por seja lá o motivo - uma morte, uma unha quebrada, etc. - porque eu aposto que sou bastante even, apesar da vontade real.
As pessoas insistem que elas precisam conversar com alguém sobre suas frustrações, mas é impressão. Se não encontram ninguém familiar e, por isso, quero dizer também amigos, eles contratam um psiquiatra ou um psicólogo ou uma manicure e falam e falam.
Funciona por três segundos ou três dias ou três anos, isso de conversar, mas vai parar de funcionar eventualmente. Depois, você percebe que não adianta falar - porque o psiquiatra ou psicólogo não consegue te dar um conforto real, apesar da vontade dúbia.

Um bom psiquiatra ou psicólogo deve liberar os pacientes em um dia. Um dia, conversa divina. E vai, filho, filho. Eu que rompi com meu psiquiatra. Alguns dizem, "com medo que ele rompesse antes comigo".

Eu estou tentando lembrar se alguma vez meu pai fez besteira quando eu precisava de consolo. Existem as pessoas que dizem as coisas mais inapropriadas em momentos delicados e infelizmente eu sempre as encontro nesses momentos delicados. Eu só consigo lembrar de ocasiões em que meu pai me consolou - e eu não lembro mais pelo quê - mas não me deixou necessariamente contente, como já aconteceu antes. Meu pai é bastante quieto e muito bom com palavras - ele mede e coloca no melhor lugar com a melhor iluminação.
Não é que meu pai seja o melhor blogueiro do mundo com os gostos mais indies e os melhores livros da Penguin, ele lê Dan Brown, sim. Todo pai lê Dan Brown, escuta Enya, Bee Gees em canto gregoriano, é coisa de pai. Mas meu pai já me consolou - e foi o único - sem me dizer uma palavra que seja. Tem algo no rosto dele que é extremamente confortável e, provavelmente, e a mesma coisa que mais me assustava quando eu era criança. As sobrancelhas.

11.11.05

sadkn

Eu estou oscilando entre momentos altamente empreendedores e outros momentos, geralmente mais longos e muito mais efetivos, de extremo desespero e laconice - eu sei que não existe coisa como "laconice" mas encontrei A própria laconicidade de seus traços nos remete para uma mensagem de fé no google e fiquei com nojo de laconicidade.
Eu pensei em começar a planejar um livro - então, imaginei as pessoas mais embaraçosas para se estarem num lançamento vazio, você sabe, os pais, os avós, as tias e o namorado numa única e solitária rodinha num salão mais ou menos enorme e mais ou mais deprimente. E se houvesse gente, eu venderia uma quantidade de cinco livros e meio, e se houvesse uma venda considerável, o livro seria ruim e esquecido. E, e, se houvesse alguma atenção de algum lugar seria por causa de Blog.
Planejei uma mini-morte do blog que, obviamente, é minha única vocação - o que me deprime, não como, não durmo, não posto ou posteio, post-eio e perco meu único talento em vida - e achei bobo. Fim de blog é muito bobo. Já é suficientemente bobo ter um blog, imagine acabar com um e todo o pensamento que requer para - mas como termino meu blog? um post? um nada? vão sentir falta? quantos emails desesperados eu vou receber? Oh, Nico, precisamos de você na blogosfera! A blogosfera! É tudo muito bobo.
Se eu já fiz uma coisa boba, entrar nesse meio, melhor continuar e não aumentar minha bobeira.
Eu estou incapaz de criar qualquer coisa criativa ou minimamente interessante. Pensei em algumas ficções não bem resolvidas não bem terminadas e não dignas de publicação na blogosfera, imagine realmente. Eu tenho pesadelos com idéias brilhantes, de meios, fins e começos, ou fins e começos, sem meios, absurdamente ordenados que considero as maiores eurecas que eu poderia ter agora mas não aproveito por causa do que gosto de chamar de HSD, Holiday Season Depression, o que não é realmente.

(Eu sempre acreditei que adicionar outros idiomas à um texto pode acrescentar muito mais significado. Infelizmente eu uso o inglês, porque não soube aproveitar uma mamá italiana e um papá japonês, e assisto sitcons o dia todo. Geralmente, pessoas idiotas são contra porque acham que para toda palavra inglesa, francesa, alemã, russa ou hindustani existe uma tradução perfeita para o português, porque o português é tão rico e eles são, em maioria, contra o imperialismo britânico, americano, canadense, havaiano e etc. Para cada língua existem as palavras que não existem em nenhuma outra e seria uma pobreza se não misturassem todas, principalmente, porque não haveria neologismo ou Anthony Burgess [Além de precisar ser de um país muito mequetrefe, baranga mesmo, real e devido complexo de inferioridade, problemas de auto-estima, desde que qualquer outro país usa o inglês no dia-a-dia sem medo de machucar ou desvalorizar a cultura oficial, com exceção dos franceses porque perderam muitas guerras. Japoneses falam "goodo luck" ou "boyfriendo" normalmente desde a metade do século passado - já que eles naturalmente desprezam caucasianos mesmo, falar em inglês seria uma "referência irônica", piscadinha] Agora, não sei porquê, são tantas pessoas que usam termos em inglês sem razão alguma que me deprimo e preciso começar a parar com isso)

Eu tenho de entregar dez trabalhos de pintura até o final do mês e não quero encostar no meu material. Eu tentei usar a força da minha mente meio nipônica, obviamente meio evoluída que a de um branco, mas não consegui mesmo assim.
Então fica assim. Suspenso. Flutuando lá no alto, com casaco, que tá frio.

6.11.05


Feliz aniversário, M.L.

3.11.05

They Are Coming To Get You Barbara And They All Have Ugly Shoes

Eu estava vendo um desses programas de makeover - tenho um interesse doentio em cabelo sendo cortado - e percebi que a câmera ficou muito tempo numa cabeleireira ruiva de cabelo curtinho e moderninho explicando as luzes, as camadas etc. naquele jeitinho de cabeleireira ruiva de cabelo curtinho e moderninho. Depois do programa, apareceu a foto dela e um "In Memorian" e imaginei quão horrível deve ser morrer com um corte de cabelo daqueles, se a moça que maquia cadáveres se preocupou em deixar tudo arrepiadinho, passar o leave-in. Digo, quão horrível deve ser ser enterrada com luzes. Mom e Dad nunca reconheceriam essa criança e quão triste seria isso, estar morto e com luzes na frente dos avós e tios e primos.

Você pode ver que eu já não consigo produzir ficção. Eu estou muito ocupada assistindo people and arts e sentindo medo de ser morta com um corte de cabelo feio. Ou roupa. Digo, eu certamente não gostaria de ser morta agora porque a visão de quem me encontrasse não seria boa. Digo, encontrar cadáveres nunca é agradável mas encontrá-los de calças de pijamas e luzes no cabelo é desumano. Como entregar uma criança com luzes à Deus?

Parei para pentear meu cabelo. You know, no caso de eu ter um derrame, uma parada ou algo.

Tenho profundo medo de dar numa cadáver feia. As notícias de "morre blogueira" já são vergonhosas o suficiente, imagine ser maquiada errada, com cabelo errado. Fiquei imaginando com que roupa me enterraria e concluí que não tenho nada apropriado no meu guarda-roupa pra ocasião e devo dar um jeito nisso. Sei que arranjam ternos quaisquer para homens - que são cortados atrás, para vestir melhor, como todos nós descobrimos no início de Night of the Living Dead - mas o que fazer com uma mulher? Será vergonhoso usar decote, uma saia acima dos joelhos e os sapatos? Há muito tempo joguei fora tudo que era prateado, de tanto medo.

Fiquei com medo de dar um caixão muito leve ou muito pesado, enfim, qualquer coisa que traga comentários. Tenho medo de ficar naquelas gavetinhas, como eu poderia socar a tampa do caixão e sair de lá, se eu estiver viva, se estiver numa dessas gavetinhas como a da Marilyn Monroe? As pessoas vão bater palmas? Odeio palmas.