Million Dollar Kiss: 07/01/2006 - 08/01/2006
The Ego's Last Stand.

23.7.06

Laranja Mecânica

O mais assustador de ter deixado uma porção de amiguinhas idiotas entrarem na minha casa, instaladores de qualquer-coisa, amigas da mamãe, namoradas do irmão e síndicos para verificar, sei lá, pás de ventiladores, é que, provavelmente, por um segundo que seja, eu disse pra mim mesma "que bom que está aqui" e apreciei a visita e devo ter sorrido, abaixando a cabeça e cobrido a minha boca - meu Deus!, que prostituta, cobrindo a boca pra qualquer um!
Antes, eu achava que o mais terrível em se relacionar com outras pessoas era simplesmente saber se elas seriam malvadas ou boazinhas - a dúvida! ter de interpretar todos os sinais! - mas, agora, sei que tudo que importa é se a pessoa é burrinha ou não. Cedo ou tarde, todos te fazem sofrer, nem que seja um pouquinho e agradavelmente por, digamos, a demora em trazer quindins de presente, mas humilhante mesmo é sofrer por gente burrinha.
Imagine ser ex-namorada(o) de Michelangelo, que orgulho! Agora, imagine um Aleijadinho do saber, e todas as vezes que você passar por aquelas igrejas e esculturas tosquinhas e jequinhas das opiniões bobinhas das pessoas tapadinhas, bem tapadinhas, e pensar no quanto o amou, amou de verdade - que burrice!

21.7.06

Sucker for reality show

Eu adoro reality shows. Especialmente aqueles em que as pessoas precisam trabalhar. The Apprentice, Project Runway e até mesmo America´s Next Top Model. Pessoas chorando por causa de prazos, discutindo com colegas de equipe... É tão estranho pra mim, essa vida de pessoas que trabalham e sofrem, que nem parece realidade, uma ficção-científica.
Eu tenho medo de nunca conseguir ser assim, uma pessoa de escritório. Não sei o que vem antes, se as tendências artísticas me afastam de qualquer vida prática e normal ou se minha falta de habilidade e vontade para lidar com a vida prática e normal me empurraram para aspirações artísticas. Provavelmente, um pouco dos dois, de alguma forma.
No dia em que fui contratada para um emprego normal e horrível, horrível, voltei pra casa e chorei, chorei, q-u-e-h-o-r-r-o-r-m-e-u-d-e-u-s.
Ao mesmo tempo, as pessoas mais calmas, que, se precisar, conseguem fazer essas coisas normais sem muito sofrimento, que têm controle psicológico, físico e espirítual das coisas em geral, são os melhores artistas - eu realmente não consigo escrever artista sem itálico. Veja o Mojo, o Parada. Eles não sofrem pra produzir o que produzem ou pelo que deixaram de produzir. Malditos budistas.
É claro que eu não consigo levar uma vida normal, portanto, me resta ser artsy, mas, mas, como ser arsty é minha única escapatória, meu único modo possível, ou meu modo mais natural, eu fico aflita e não consigo produzir nada e, então, eu não sou nada.
Hoje, percebi que meu traço mais marcante é que eu não consigo parar de me preocupar. Se eu não consigo parar de me preocupar, eu nunca vou me deixar fazer as coisas, mas se eu não me preocupo, eu não sou eu. A não ser que eu esteja enganada sobre preocupar ser minha principal característica...
Enfim, era pra dizer que acabou Project Runway e eu já sinto saudades.

Estou com gastrite, bronquite e, provavelmente, a garganta inflamada, além de dores no ouvido que, como já foram examinados e nada foi encontrado, acredito ser reflexo de bruxismo. Voltei da academia sem sentir o peso das minhas pernas, respirando através dos dentes inferiores, fazendo minhas bochechas encher e esvaziar (com auxílio sonoro) como quando a Uma Thurman é atingida pela bala de sal marinho em Kill Bill Vol.2 e cospe em Budd.
Queria pull my shit together. Queria fazer uma crítica sobre um filme em especial e enviar para editores, ver o que acontece (acho difícil acontecer alguma coisa), mas sempre que tento escrever, já com a intenção longínqua e pretensiosa de publicar, faz com que eu trave e não consiga escrever como gente ou, pelo menos, como eu. Qualquer idéia de público faz com que eu não consiga fazer mais nada. O segredo seria não pensar nisso, mas bom de verdade seria não precisar de público, deixar a comunicação acontecer por acaso, mas nunca com intenção.

É tão bom não ter comentários. Eu jamais seria pessoal assim, com comentários.

7.7.06

Glória

Lista das coisas adquiridas nas últimas duas semanas que, em processo normal, demorariam uns três anos de aniversários e natais extremamente bem afortunados para reunir:

Cds
Air - Moon Safari
Air - Talkie Walkie
Air - The Virgin Suicides Original Soundtrack
Clap your hands say yeah - clap your hands say yeah
Jackie Brown Original Soundtrack
Kill Bill Vol. 2 Original Soundtrack
Les Triplettes de Belleville Original Soundtrack
Nico - Chelsea Girl
Pulp Fiction Original Soundtrack (collector´s edition)
Reservoir Dogs Original Soundtrack
The Velvet Underground - Another View
The Velvet Underground - White Light/White Heat

Livros
The Headless Bust - Edward Gorey
The Unstrung Harp - Edward Gorey
The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories - Tim Burton
Les Aventures de Tintin - Le Lotus Bleu
Lady Snowblood - Kazuo Koike e Kazuo Kamimura
Paris Y Es-tu? - Masumi
Prestel´s Erotic Sketchbooks Series- Egon Schiele
Prestel´s Erotic Sketchbooks Series- Gustav Klimt
Aquarelles et Dessins Érotiques - Rodin
Japon - Le Japon Vu Par 17 Auteurs
Hitchcock Style
MAGNUM CINEMA
MARILYN MONROE - EVE ARNOLD
MARILYN MONROE - ANDRÉ DE DIENES
Marilyn Album - Nicki Giles

Dvds
The Adventures of Tintin

Outros
Cardeneta sem pauta
Diário
Movie Stars Playing Cards - 54 Movie Stars featuring Classic Lines from their Greatest Movies
Bolsa Lancel de cetim cereja
Sacola feita de envelopes de suco
Sacola para livros da Hello Kitty
Caneta gordinha com bolinhas verdes
Fotos de Marilyn Monroe, Kill Bill, La Dolce Vita e Les 400 Coups.
IPod Socks - for use with all iPods models
IPOD NANO 4GB 1000 SONGS PC + MAC

5.7.06

My Little Pet China Girl

Para os gentis portugueses, toda sorte no jogo.

Adquiri em um mercado na região mais antiga do centro, ao lado de uma banca de comida indiana preparada por mãos cobertas de gengibre de (dois) cidadões de Goa, minha pequena chinesa de estimação.
Seus elásticos de cabelo colocados em dois pontos perfeitamente opostos nas laterais da cabeça sobre as calotas de lealdade, formando dois macinhos de cabelo liso como pasta, com centros gravitacionais próprios, sorriram pra mim. Era destino. Deus queria que ela me pertencesse.
M.L. e eu não cansamos de observar nossa pequena chinesa, toda de branco, com as xuxas intocáveis pelo caos da noite anterior de mais um sono infantil (estamos começando a achar que aquilo é falso, que as chuquinhas, já com os cabelos, são pregadas em sua cabeça como cabos USB) praticando seu tai chi matinal na varanda, seguido por um ritual de duas horas incessantes de artes marciais, com a ajuda de toda sorte de parafernália miniaturizada (seus kiais ecoando por toda casa, lhasa apsos saltando de suas camas e olhando ao redor) e o resto de seus dias antes da hora de dormir dedicados a exclusivas demonstrações de cuteness. Nunca fomos tão felizes.