"Mamma stayed all night in my room, and it seemed that she did not wish to mar by recrimination those hours, so different from anything that I had had a right to expect; for when Francoise (who guessed that something extraordinary must have happened when she saw Mamma sitting by my side, holding my hand and letting me cry unchecked) said to her: "But, Madame, what is little Master crying for?" she replied: "Why, Francoise, he doesn't know himself: it is his nerves. Make up the big bed for me quickly and then go off to your own." And thus for the first time my unhappiness was regarded no longer as a fault for which I must be punished, but as an involuntary evil which had been officially recognised a nervous condition for which I was in no way responsible: I had the consolation that I need no longer mingle apprehensive scruples with the bitterness of my tears; I could weep henceforward without sin. I felt no small degree of pride, either, in Franchise's presence at this return to humane conditions which, not an hour after Mamma had refused to come up to my room and had sent the snubbing message that I was to go to sleep, raised me to the dignity of a grown-up person, brought me of a sudden to a sort of puberty of sorrow, to emancipation from tears. I ought then to have been happy; I was not. It struck me that my mother had just made a first concession which must have been painful to her, that it was a first step down from the ideal she had formed for me, and that for the first time she, with all her courage, had to confess herself beaten. It struck me that if I had just scored a victory it was over her; that I had succeeded, as sickness or sorrow or age might have succeeded, in relaxing her will, in altering her judgment; that this evening opened a new era, must remain a black date in the calendar." Eu sei que é um grande bloco de texto e que já não basta ser cansativo para os olhos e o corpo todo ler através de uma tela de luz, provavelmente em uma mesa, talvez corporativa, e não na sua cama ou na sua poltrona favorita, como também está em inglês e nem todos meus amigos lêem em inglês, mas vale a pena, mesmo que não se entenda completamente.
Essa parte de Swann´s Way, de Proust, que ainda estou lendo através do
Dailylit, serve à minha defesa mais dificil de ser feita. Explicar como escritores, ou autores, em geral, deprimidos e/ou
líricos,
poéticos me dão nos nervos - a opção por termos "fortes", idéias melodramáticas, dramáticas, trágicas (eu nunca soube bem qual a diferença formal entre elas, de qualquer forma) etc.
Toda boa pessoa já teve depressão de algum tipo, nem que durasse por apenas um dia, das duas da tarde às três e meia, talvez. Essas pessoas se dividem naquelas que têm orgulho disso, de ter passado ou estar passando por isso, pois seriam especiais e vêem algo que o resto do mundo não vê, como a vida é
horrível e tudo mais, e naquelas que têm vergonha de se darem tanta importância (mas vergonha verdadeira, que faça com que você não conte a ninguém, porque a vergonha pode ser muito conveniente e a conveniência pode ser muito nojenta).
Depressão é uma crise pessoal, é egocêntrica, mas egoísta, ela afeta outras pessoas ao seu redor. Se você escreve como uma pessoa deprimida, você não é uma boa pessoa. Simples assim.
Se algum dia, eu fiz meu pai chorar por causa da minha tristeza aleatória, eu não fui uma boa pessoa.
A escrita, assim como tudo, é a afirmação de quem você é, sem necessariamente
contar quem você é, mas como você trata aos outros, como você lida com tudo. Toda vez que sinto vontade de fazer comentários negativos em blogs amigos, me contenho imaginando o tempo que ele/ela levou para escrever sobre aquilo, penso na sua bondade genuína em achar que interessaria a outros e, por isso, estão lá, dispostos.
Escrever com leveza, com preocupação estética, consideração, humor revela nada menos do que bom caráter.
Recentemente, não pude terminar de ler um texto em um blog não-amigo porque me enojava. Ele teve o mesmo trabalho, talvez mais, do que o blog-amigo, de escrever aquilo, mas era de um egotismo e de uma auto-comiseração absurda, além de ser simplesmente ruim, as palavras, as analogias. Aquilo é pura depressão. Não merece leitores porque não foi escrito pensando neles, ou, mudemos a palavra "leitores", que podem ser bastante decepcionantes também, para, digamos, "pessoas queridas". Aquilo não foi escrito nem mesmo para a mãe do autor do blog não-amigo; a deixaria enormemente triste - e que tipo de pessoa é essa?
Pior do que apenas escrever assim e deixar tudo à mostra, é o orgulho. Ele sente orgulho e espera reconhecimento. "Nunca vi pessoa mais triste" e seria sua realização.