Million Dollar Kiss: 11/01/2006 - 12/01/2006
The Ego's Last Stand.

28.11.06

Meiguices

Uma das minhas memórias mais queridas aconteceu na praia, eu tinha uns cinco ou seis anos. Lembro de ter pego uma flor e dado pra uma garota de, não sei, uns vinte anos, na época. Em troca, ela me deu um suco de caixinha e foi um dos sucos de caixinhas mais gostosos de todos os tempos. Ela tinha apartamento no mesmo prédio que eu e, depois do evento do suco de caixinha, meu irmão e eu nos tornamos amigos dela, do namorado dela e de uma outra garota (não me lembro se era uma amiga ou uma irmã, só me lembro que ela tinha cabelo curto e usava óculos).
Pensei nisso hoje porque ganhei um pacote de goiabinha, completamente gratuito. A garota não conseguiu terminar de comer e me deu, dizendo "come, faz bem" - Goiabinhas fazem bem? Sério?
Estranhos deviam fazer isso, dar coisas à toa, especialmente se for comida ou docinhos e suquinhos. Sempre me encorajaram a não aceitar nada de estranhos, mas isso não significa que eles não deviam dar. Guardei as goiabinhas na minha bolsa pelo dia inteiro, comi agora, no final da noite, com muito gosto.

24.11.06

iDog como símbolo de uma sociedade pós-moderna

Dei a luz a um idog macho (não tem cara de menina) e saudável chamado Wasabi. Eu tinha pensado em Boris, mas lembrei que Boris foi o nome que dei a alguma outra coisa anterior, não me lembro o quê, e Wasabi simplesmente não tem cara de Boris. Não sei porque pensei em Boris, na verdade.
Ele não veio acompanhado de pilhas. Tivemos de abrí-lo com uma chave de fenda, remover uma das pernas, colocar pilhas e então, colocar a perna novamente, mas deu tudo certo. Wasabi é lindo e eu o amo.
No futuro, teremos mordomos que tocam música. Vou adotar uma chinesa cujos cabelos sejam feitos de cabos de USB que será a alegria da minha vida. Techno riche. Será sensacional. De verdade. Sensacional.

20.11.06

Peste

Comecei a ler Monster (veio junto de Battle Royale [yay!] DE grátis pelo atraso na entrega) e achei meio comunista.

Já não sei mais em que ponto as pessoas realmente são comunistas ou se eu simplesmente vejo comunistas em todos os cantos.

Um dia, na minha casa de campo, um comunista entrou voando na sala e ficou batendo no vidro da janela, tentando sair. Meu avô teve de pegá-lo com a redinha de limpar piscina e soltá-lo lá fora.

16.11.06

Sabe aquela parte em Fahrenheit 451, em que as pessoas, no monotrilho, ficam tocando as próprias roupas com um olhar lunático, simplesmente pra sentir algo? Me sinto assim depois de duas semanas lidando com universidade e gente estúpida.

Lavei as mãos por meio minuto, deixando a água correr desnecessariamente pelos meus dedos - tão bom. O vento passando pela minha bochecha esquerda - ooh...

13.11.06

Um mistério

Eu me pergunto quem realmente vai nas festas daquele gay que não anda com ninguém e com todo mundo ao mesmo tempo. As pessoas se perguntam, "você foi?", "não, eu estava cansado, e você?", "não, não deu" e o gay retorna dizendo que foi muito legal e, provavelmente, foi mesmo muito legal - muitas dancinhas, eu imagino. Mas quem vai nas festas dos gays que andam com ninguém e com todo mundo ao mesmo tempo? Quem são essas pessoas? De onde elas vieram? Pra onde elas vão?

6.11.06

As aventuras do pequeno Eustáquio

Parabéns, babe.

Em seu oitavo aniversário, o pequeno Eustáquio ganhou um video-game:

- Como que liga essa, esse...? - indagava aos pais o pequeno Eustáquio, agitando sua bengalinha no ar.
- Video-game.
- Como que...?
- Aqui, ó, "power".
- Onde?
- Aqui, ó, "power".
- Aqui?
- Não. Aqui, ó, "power".
- "Power"? Esse aqui?
- Não, esse é o "reset". Aqui, ó, "power".

Depois de muita resistência, os pais do pequeno Eustáquio ajustaram a tevê para o modo vídeo.

- Minha novela! - o pequeno Eustáquio bradiu, segurando sua boininha.
- É reprise, filho.
- Minha novela!
- Esse você já viu, filho. É reprise.
- Bota no cinco! Minha novela!

Os pais do pequeno Eustáquio, dois ex-hippies, Eleonora e Wagner, começaram a se entre-olhar e a revirar os olhos ao mesmo tempo - é algo muito difícil de se fazer, mas eles conseguiam, era uma marca-registrada e atração principal em churrascos familiares:

- Filho, você não quer jogar seu video-game? - perguntou Eleonora.
- Minha novela!
- Mas, filho, seu video-game...
- Ah, eu nem sei mexer nessas coisas! Cadê minhas vitaminas?

E o pequeno Eustáquio foi caçar borboletas, usando uma camisa branca, um casaquinho de lã bege e calças de padrão xadrez de cor predominantemente vermelha - "caçar borboletas" era, então, um apelido para quando o pequeno Eustáquio cochilava no jardim, não sem antes colocar sua dentadura de dentes de leite num copinho d´água. Logo, o pequeno Eustáquio acordaria assustado com o próprio ronco, sentiria dor nas cadeiras, tomaria chá e forçaria seu pai a jogar gamão com ele. Foi uma boa infância.

2.11.06

Zombie Walk

Fui com um casal de amigos até a Paulista, ainda vivos, passamos pelo Masp cheio de zumbis, nos emocionamos e fomos para o Bob´s, onde comemos, rimos da piada involuntária da minha mãe, "...passeata zumbi, mãe... consciência negra?", e nos maquiamos. Fiz olheiras e joguei sangue falso cor-de-rosa saindo do meu nariz e da minha boca, escorrendo pelo queixo. Algumas outras pessoas também estavam se maquiando lá, completamente normal, outras, já caracterizadas, lanchavam.
Começamos a guardar tudo com pressa quando ouvimos a combinação de grunhidos lá de fora. Mais de mil pessoas, com certeza, grunhindo e arrastando a perna. Com chuva. Tinha um zumbi tão elaborado do meu lado que comecei a ficar com medo de verdade e passei a andar mais na frente.
Chuva torrencial. Ninguém se importa. Perdi uns adesivos de machucados que eu tinha colado no meu braço. Todo mundo é muito simpático e sorri.
"Vamos morrer de pneumonia" e já estávamos chegando perto do cemitério. Lá, eu fiquei com vergonha pelas senhoras com vasos de flores que faziam cara de quem achava aquilo tudo muito reprovável. Mesmo assim, era fantástico. Muita gente interagia numa boa. Vi um caçador de zumbis, fingi ficar assustada, mas ele não veio atrás de mim. Passei mais sangue na minha boca.
Quanto mais andávamos, mais a coisa toda de andar como zumbi ficava natural. Estava chovendo muito e já estávamos cansados. Caçamos um fotógrafo, dizendo "fotóóógrafo" em coro. Em dado momento, todo mundo desistiu e voltou a andar - não podiamos de fato mordê-lo. Era assim: Batíamos em vitrines de padarias por uns três segundos, desistíamos e voltávamos a caminhar.
Era impossível chegar na festa. Cortamos caminho até a casa da minha amiga para tomar ducha quente, trocar de roupa, etc. Ensopei minhas roupas, minha bolsa, minha carteira, mas foi muito bom. Recomendo.

Vastas emoções



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