Million Dollar Kiss: 01/01/2007 - 02/01/2007
The Ego's Last Stand.

31.1.07

ZW

Foto bastante atrasada, mas aqui está Raquel, morta-viva mas completamente fofa, e eu de zumbi, à direita, segurando um tubinho de sangue falso de gosto muito, muito ruim.

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30.1.07

A Conquista da Beleza

Tive uma epifania ontem à noite enquanto cortava um pedaço de queijo meia-cura. Assim que voltei para o quarto, me esqueci de tudo. Desliguei a televisão, fechei os olhos, fiz o truquinho que faço para me lembrar das coisas - que eu não contarei como é - e, depois de tempo suficiente para eu duvidar da minha técnica, me lembrei.
No caminho da cozinha, que faz um "L" ao redor da mesa de jantar, tem um espelho na menor reta do "L" e um cachorro dormindo com a barriga pra cima na maior reta do "L", mas o cachorro não é relevante no momento. Porque mudei o meu cabelo recentemente, estou constantemente me olhando nos reflexos das coisas, tentando gostar - pausei para desligar a Sandra Bullock. Em busca do queijo meia-cura, me olhei mais uma vez e, assim como os lóbulos das minhas orelhas são muitos mais visíveis com esse corte, vi as verdades da minha vida muito mais claramente.
Tenho a impressão de que epifanias são, ou deveriam ser, excitantes, mas, além da descoberta de algo tão correto e jamais considerado, não há nada de muito interessante sobre a revelação em si, me desculpe. Não é uma epifania particularmente triste ou uma epifania alegre, talvez não seja uma epifania de forma alguma, mas, ontem à noite, era isso: Eu quero continuar a viver pra ver como meu cabelo vai ficar.
Algumas pessoas vivem porque acreditam que têm uma missão, outras porque nasceram e não sabem o que fazer a partir daí. Não desconsidero nenhuma das outras possibilidades - eu adoraria ter uma missão, eu provavelmente sou grata por ter nascido porque, do contrário, eu não poderia ser grata de qualquer forma - mas acho que o que vai me movimentar pelos anos não são os filmes, os livros, as pessoas e nem mesmos os cachorros, mas a espera pelo crescimento do meu cabelo e as inúmeras tentativas, nem sempre de sucesso, de se fazer o melhor possível.
Se eu tivesse mais dinheiro e insight para lidar com roupas, eu diria que vivo, que existo, porque quero saber o que vou estar usando em cinco anos - será que vou ter o cabelo comprido de novo? - e a espera de que seja fabuloso preenche meu coração de esperança e alegria, mas tenho de ter paciência e esperar. Apenas o tempo dirá.
Acho que pode funcionar assim, digo, a vontade de viver.
Existiram e existirão momentos terríveis, sofreremos grandes perdas, mas precisamos persistir, para ver a maquiagem em dez anos, impedir que a coisa do bolero volte - pronto, uma missão!
Estou resolvendo toda a questão do existencialismo, via futilidade - nem penso que seja "futilidade", mas uma preocupação nobre, uma vontade sincera, uma tentativa heróica de proporcionar algo que é tão escasso hoje em dia, ou seja, beleza.
A frequente tentativa da Beleza é uma das muitas formas de manter-se bom, digno e enaltecer o espírito - eu acredito que exista algum monastério em que os monges só discutem moda e atingem os mais elevados graus de bondade, generosidade e super-poder über chic. Algumas pessoas têm noções completamente errôneas sobre moda, mas Trinny, Susannah e eu podemos guiá-las para o caminho da iluminação enquanto nós mesmas seguimos nossas jornadas humildemente, experimentando cores outonais.

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29.1.07

Vergonha da Família Coppola

No momento, MUITA vontade de criar mais um outro blog, talvez em inglês e sobre celebridades, chamado NO NOT THE BEES ou simplesmente NOT THE BEES THEY'RE IN MY EYES:

24.1.07

Vogue

Li que sobrancelhas grossas estão de volta. No início, pensei, ew, isso é tão 80s, mas depois olhei para as fotos de modelos e atrizes sem toda aquela exuberância de pêlos e percebi que os atributos naturais de todos aqueles rostos não gozavam de sua total capacidade sem boas sobrancelhas.
Uma asiática dormia no metrô com belas taturanas acima dos olhos, taturanas tão negras e agressivas que só acentuavam a graciosidade do nariz e daqueles dois fiozinhos de pele que fazem os dois topos do lábio superior. Era magnífico e possível apenas pelas sobrancelhas.
Agora estou nessa posição ridícula de cultivo das minhas próprias sobrancelhas. Estou deixando crescer e ficar um pouquinho mais grossas, mas enquanto não obtenho perfeição, o processo todo me incomoda muito.

Das poucas crenças completamente irracionais que ainda mantenho, a de cortar os cabelos nos dias em que a Lua seja crescente, ou nova, ou minguante, mas nunca cheia ainda é a mais forte.
Como todas as minhas outras características que são, inclusive minha pele, mistas, tenho cabelos lisos na parte de trás da minha cabeça e ondulados na frente de modo que qualquer vento forma um cacho incoerente.
Eu queria que houvesse Luas mais específicas, Luas assimétricas, com pontas desfiadas e que não precisam de escova para levantar a parte de trás e abaixar a franja.

A razão de algumas pessoas terem caras de gordas, mesmo quando são magras, e terem caras de magras, mesmo quando gordas é um mistério divino. Acredito em compensação, mas por que algumas magras tem rostos magros também? Demônios, acredito em manifestações demoníacas de magreza e maldita beleza.

17.1.07

Habemus

Quando eu era criança, eu era capaz de adivinhar o sexo do bebê de qualquer grávida que aparecesse na minha frente. Ganhei uma mini-fama entre as frequentadoras do salão de beleza que minha mãe frequentemente frequentava e me levava junto com grande relutância por acertar todas as vezes. Elas todas paravam o que estavam fazendo, secadores eram desligados, olhavam pra mim - eu criando coragem para encostar um graveto em uma lesma no jardim ou algo assim - me chamavam e perguntavam o que eu achava, menino, menina, com a solenidade de uma eleição papal.
Enquanto eu me contorcia em alguma cadeira, sem motivo nenhum pra isso, eu olhava bem para o rosto da grávida que haviam colocado na minha frente - era algo no rosto, o formato da barriga e do corpo gestante em geral também ajudava, mas era muito mais fácil de se saber pelo rosto.
Quando era um menino, a grávida tinha as feições mais retas e fortes, o queixo ficava temporariamente mais pronunciado, o desenho dos olhos mais simples, sem curvas, e havia um brilho homogênio em sua pele ou, digamos, com propósitos dramáticos, em sua aura. Quando era uma menina, a grávida tinha um rosto mais delicado, com belas maçãs do rosto formando boas bolotas com sorrisos, cílios que se dividiam e não formavam uma só coluna de pêlos mas viviam, cada um, individualmente, e umas duas bolinhas de brilho nos olhos que independiam da iluminação do local.
Eu não avaliava os traços naturais, que sempre estiveram ali, próprios das mães. Era algo que mudava de acordo com o sexo do bebê durante todo o processo de tê-lo dentro da barriga (que podia também ficar pontuda e enorme ou toda espalhada para os lados).
A mesma mulher teve, primeiro, um menino e, depois, uma menina e todas essas mudanças aconteceram temporariamente nas feições permanentes dela e, portanto, acertei o sexo de ambos bebês. Claro, não era só aparência física, mas a sensação geral que a grávida transmitia, e era captada somente por mim, que é muito mais complicado e abstrato de se falar assim.
Então, um dia, eu errei e nunca mais consegui acertar. Lá estava a própria cabeleireira cujo primeiro filho homem eu havia previsto e eu olhei pra ela e eu vi todos os sinais e senti tudo o que estava acontecendo com o corpo dela e eu sabia que era um menino, mas por desejos próprios de que fosse uma menina, de que todas elas tivessem meninas - porque eu já planejava, com 8 ou algo anos de idade, ter uma minha assim que eu me casasse aos 23, com algum garoto da minha escola que obrigatoriamente possuísse os olhos verdes - e, então, falei que era uma menina e dei fim a minha própria Era.
Hoje, eu ainda tento me lembrar de como eu fazia para descobrir o sexo dos bebês, mas já não tenho a mesma segurança ou domínio da minha própria e tenra técnica. As feições se confundem, os queixos das grávidas se pronunciam mas há também duas bolinhas de brilhos nos olhos, as vibrações variam ao ponto de se tornarem chutes sem embasamento algum, menina, menino.. Sei, hoje, só de olhar para a grávida, se ela dará algum nome horrível ou não para a criança, mas isso é muito menos místico e puramente questão de lógica.

12.1.07

Resposta à Revolução Francesa

Estou com uma preguiça incrível pra escrever. Nunca senti preguiça dessa forma. Sempre imaginei a dificuldade do processo de escrever a partir do momento em que você precisa sentar e abrir um site e digitar. Estou com preguiça de escrever mesmo, de pensar nas palavras mais adequadas e tal.
Eu estava vendo um filme em que uma garota costura muito bem e pensei que eu gostaria saber costurar, que eu poderia costurar ao invés de escrever. Um trabalho mais físico e palpável sempre me parece mais respeitado e, por consequência, gratificante. Alguém que costura e machuca os dedos deve se sentir melhor do que um escritor. Não porque ele é um trabalhador comum, mas simplesmente porque o que ele faz pode ser tocado - um livro não parece cobrir muito a necesidade de se encostar no seu trabalho porque você nunca faz um livro sozinho, livros são, mais ou menos, o atestado de reconhecimento do seu trabalho que sempre vai ser abstrato.
Em alguns momentos, prefiri ter nascido com alguma aptidão pra música porque, em teoria, você saberia quando errou, o som está ali e ele só pode ser certo ou errado. Mas bobagem, é claro. Agora, eu só queria saber pegar um pano e fazer algo pra eu vestir. Imaginei o conceito de uma coleção inteira que eu jamais farei, mas era muito, muito bonito e as cores eram perfeitas.