Talvez, não, eu
vou enquadrar e pendurar em minhas paredes apropriadamente:
1 - Um poster da Marilyn Monroe com o vestido branco levantado pela brisa do metrô e fazendo um gesto com a mão perto do rosto que, pra mim, é como se, no momento em que a foto foi tirada, ela estivesse dizendo "mas pára com isso, menino!" (não é minha foto favorita, mas ganhei o poster de presente do meu irmão por nenhum motivo em particular, o que foi muito, muito gentil e muito, muito surpreendente) Preto e branco.
2 - Uma foto do Marcello Mastroianni (imaginem gifs de corações explodindo gliter aqui) beijando - quem não beijaria? Eu imagino gansos insandecidos correndo atrás de - Anita Ekberg dentro da fonte em La Dolce Vita. Preto e branco.
3 - Uma foto do jovem Antoine Doinel, na prisão, em Les 400 Coups. Dedos gordinhos nas grades. Imagino que ele não estaria tão triste se soubesse que cresceria para ter o cabelo perfeito para homens. Preto e branco.
4 - Outra foto de Marilyn Monroe, a que usaram para fazer selos postais nos Estados Unidos. Fundo preto, vestido brilhante, decotado até quase chegar no umbigo e mãos no quadril. Queixo levantado. Braços tonificados. É a perfeição. Achei que seria
irônico pendurar acima do meu espelho. Preto e branco.
5 - Um cartão de Marilyn Monroe, quadrado, menor, em que ela está lendo e empurrando a sobrancelha com o dedo indicador. Na parte de trás do cartão diz '"I want to love and be loved more than anything else in the world" Marilyn Monroe'. Preto e branco.
6 - Uma foto colorida de Kill Bill. Uma Thurman recebendo a Hattori Hanzo das mãos do próprio Hattori Hanzo e o cara careca. No fundo da foto, dá pra ver uma estante com fotos e livros do Hattori Hanzo.
7 - Outra foto colorida de Kill Bill. Uma Thurman se segurando no teto enquanto Gogo Yubari procura por ela com um olhar ameaçador e sua faca (acho que não é correto chamar de "faca", mas não sei como chamar) cheia de enfeitinhos cor-de-rosa.
Coloquei pedacinhos de durex atrás de cada uma das imagens e arrumei a disposição delas na minha parede. Tentei uma série de combinações. Simétrico. Assimétrico. Doinel olhando para Marilyn Monroe que olha para Marcello e Anita. Tentei centralizar de acordo com a minha cama, tentei descentralizar. Tentei dividir a área da parede que minha cama ocupa em três partes e colocar o poster em um terço, as outras fotos nos outros dois. Alinhar o topo do poster com o início da cortina da parede perpendicular. Me sentei na cama, com a coluna reta, me encostei na parede e marquei com lapiseira dois riscos bem acima dos meus ombros, onde achei que seria bom para as fotos terminarem. Pensei que eu precisava de mais fotos, que elas não combinavam porque algumas são foscas e outras são brilhantes e outras são bem contrastadas e outras nem tanto e uma é de um filme francês, outro italiano e outro americano. Algumas das fotos são de cenas de filmes e outras são de publicidade. Tentei misturá-las. Nada ficou
exatamente perfeito.
Eu poderia usar dos talentos de Lawrence Llewelyn Bowen agora.
A impossibilidade de se obter o ambiente mais bonito do mundo para si mesmo é das coisas mais tristes do mundo todo. Queria dizer algo mais de grande esperteza e efeito, que solucionasse tal problema gravíssimo da existência, mas acho que o fim deste será permeado de pesarzinho pelas coisas bonitas inalcançáveis. Vamos todos suspirar por um minuto.
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