Million Dollar Kiss: 02/01/2007 - 03/01/2007
The Ego's Last Stand.

21.2.07

HBO

HBO anunciando atração seguinte:

*voz sorridente*
Mrs. Harris!

*voz terna*
Ela estava perdidamente APAIXONADA por um médico...

*voz que indica ponto de virada*
E, por isso...

*PAUSA*

*voz grave*
O matou.

*voz normal*
Com Annette Bening.


I *heart* HBO.

15.2.07

O zen via tristeza

O zen pode acontecer ao pentear o cabelo, ao escovar os dentes. Andar e observar o chão, apenas o chão, completamente imerso(a). Eu preferia origami, mas como não sei fazer origami, estava contente em compenetradamente tentar dobrar perfeitamente folhas ao meio. Quartos e salas e banheiros repletos de folhas dobradas ao meio.

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13.2.07

Freeze

Ando muito mais Sub-Zero esses dias. Mas enquanto congelo oponentes, sento na minha poltrona e cochilo e penso um pouco, bastante. Os lutadores paralisados, azuis e gélidos, dando chutes e socos no ar que nunca foram, enquanto eu mesma congelo, mas menos literalmente. Sub-Zero.

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8.2.07

O garoto parecido com Truffaut quando jovem

Há dois dias que me comprometi a fazer um exercício muito simples porém complexo. Todo dia, há dois dias, eu tenho de encontrar algo ou alguém para Deus abençoar, simplesmente porque esse algo ou alguém me ajudou a ter um bom dia por, pelo menos, dois minutos, quando todas - Jesus, o rapaz do American Idol está derretando meu cérebro - as condições ao meu redor eram adversas e terríveis e gosmentas.
Não posso escolher nada óbvio, não posso usar meus cachorros ou meus pais. Precisa ser algo ou alguém quase desconhecido ou anônimo, que aconteceu em lugares públicos (porque assim você também poderia ter visto e o seu dia também poderia ter sido melhor).

Dia #1: Um garoto de 16 a 22 anos - Jesus, perdi completamente a habilidade de adivinhar a idade das pessoas - lendo Hemingway, em inglês, livrinho bem velhinho e amarelo, no metrô. A leitura geral no metrô pode ser muito decepcionante. Sempre me esforço um pouquinho pra saber o que as pessoas estão lendo, quando lêem, mas dificilmente todo o movimento com o pescoço recebe alguma compensação. Mesmo que ele seja um idiota, e provavelmente era, que lê Hemingway, ele não estava lendo você-sabe-o-quê. Fiquei contente por uns bons dez minutos e li também um pouquinho do que consegui ver sem sair da minha cadeira. Deus o abençoe.

Dia #2: A forma como minha amiga dorme na faculdade. Ela dorme como um gato. Ela continua sentada com a coluna ereta e toda altiva. Então, um movimento muito curioso e merecedor de todas as dádivas divinas, a pálpebra de baixo sobe um pouquinho, ao invés da pálpebra de cima fazer todo o trabalho de cobrir a luz e descansar o olho. Ela pisca, assim, por alguns instantes, como um gato entediado e isso me alegra enquanto assisto aos precursores do Cinema Novo. O modo com que ela pisca é muito mais interessante do que o Cinema Novo. Deus a abençoe, e não por ser minha amiga, ela não faz mais do que a obrigação, mas só pela forma que ela cochila. Que Deus permita que ela possa descansar bastante.

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7.2.07

Golpe do Bom Dia Mortal

Mini-continuação do "Your soul is mine", alguns golpes mortais.

Falarei de uma técnica que não domino e que, provavelmente, jamais dominarei da forma pura da qual testemunhei. Trata-se de um Bom Dia Mortal ou Excellent Finish him Come 'ere Excellent Flawless Victory Good Morning. É uma forma de dominar a alma do oponente apenas através do "bom dia". Não precisa ser nem mesmo dia, não precisa nem mesmo dizer "bom dia". É um semi-abraço com um timing próprio que desconheço. Um beijo na bochecha e um carinho no cabelo. O oponente derrete e morre e entrega a alma para todo o sempre, sem muito esforço ou luta propriamente dita. Os ombros parecem ser importantes, também a inclinação da cabeça. Tentei muitas vezes, praticando no espelho com o ar, mas não obtive o movimento perfeito, nunca dominei o Excellent Finish him Come 'ere Excellent Flawless Victory Good Morning. É superior a mim e, provavelmente, a você também, mas queria falar dessa possibilidade incrível, desse golpe que requer quase-magia e desafia todos os limites humanos. Acho que domino o Sorriso com Olhos mas não chega a ser tão mortal.

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6.2.07

Your soul is mine!

Sempre gostei da que tinha uma roupa roxa e voava e dava golpes com o cabelo, mas confesso que há algo de erótico naquele vilão do Mortal Kombat que derrotava o oponente e falava "your soul is mine!".
Quando eu era criança, fui presidente de um clube por um curtíssimo período de tempo. Nunca optamos por um nome certo, mas minhas sugestões tinham a ver com "águia". Distribuí cargos, eu tinha uma vice, que era presidente quando eu faltasse na escola, e uma vice da vice, que era a presidente se eu e a vice faltassem na escola. Além disso, eu tinha uma assessora responsável por sugerir coisas pra gente fazer quando entediadas, mas ela nunca foi muito boa nisso.
Fora essa pequenina porém revigorante memória, nunca tive muita influência nas pessoas. Tenho algumas vitórias espalhadas aqui e ali, como, por exemplo, todas as vezes que meu pai ouviu o que eu tinha a dizer sobre as economias da família (e ele concordava!) e as cores das paredes.
Gosto quando as pessoas têm as vidas incrivelmente afetadas por mim. Adoro que as vidas delas sejam inacreditavelmente diferentes porque estou ali, ou aqui. Amo que tomem decisões drásticas por causa dos meus argumentos, sim. Alguns acham que a arte está nos argumentos, mas o segredo é mesmo tentar ser uma pessoa cativante o suficiente cujo apenas "sim" ou "não" modifica tudo. Enfim, a arte está em mim e eu quero que sua alma seja minha (enquanto agito um pulso fechado no ar).

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5.2.07

Pensamentos ao redor da morte

Imagine um monte de pensamentos ao redor da Morte, Morte mordiscando a pontinha do dedo indicador esquelético enquanto os pensamentos a cutucam no nariz, na testa.. Eu não iria bem responder, porque não há pergunta alguma, mas talvez comentar e, para um comentário maior, que, portanto, deixaria de ser um simples comentário, um post, um blog, recomendo, é muito mais adequado do que comentar-postar, odeio isso, enfim.
N..

Ai, deu preguiça agora.

Eu queria dizer (vim ensaiando no metrô e tudo) que quando Salinger morrer eu provavelmente vou ficar um pouquinho, sutil mas terrivelmente, devastada. Sei que o texto não é sobre isso, mas eu estou falando disso. Ignore. Voltando. Eu não vou dizer nada quando Salinger morrer, talvez fale da minha tristeza mas eu sei que nada vai poder documentar todos os estragos, todas as tulipas arrancadas, os pedaços de janelas quebradas, as cadeiras viradas com as pernas para o alto dentro da minha alma.
É provável que com a morte dele, alguns de seus trabalhos nunca vistos sejam publicados. Eu aposto que ele já preparou recomendações assim. Mas seria terrível de qualquer forma. A presença dele está e vai ficar aqui, mas é tão bom saber que tal pessoa está viva, que ainda há um pouquinho disso no mundo e que, por consequência, há esperança para todas as outras.
Leio muitas pessoas mortas e, sim, eles estão presentes em espírito, mas são todos meio transparentes e se você tenta abraçá-los, continua a correr e cai no chão, atravessando-os completamente e assustando os cachorros. Não quero dizer que eles não são importantes ou profundamente influentes, mas só que é muito bom que Salinger esteja vivo e que, em algum lugar, ele continue palpável e que, talvez, só de encostar naquele dedinho mindinho paranóico e ocioso, dê para entender e sentir tudo o que ele escreveu - vê? Não estou contente só porque alguém está vivo, tenho egoísmo puro, quero um pouquinho disso em vida e não só no Paraíso.
Quando Muriel Spark morreu, senti que o mundo tinha ficado um pouquinho pior e que seria muito mais difícil tentar fazer dele um lugar agradável. Muriel Spark era extremamente ativa, ao contrário de Salinger que já não publica desde não sei quando, mas gosto de pensar que ele está na reserva ou que, pelo menos, participa ativamente dessa guerra de deixar tudo bonito apenas nos desejando boa sorte, levantando a moral das tropas como Marilyn Monroe na Coréia, só que mais silenciosamente e sem metade das curvas e graça femininas.

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1.2.07

Brando



A primeira verbalização que me ocorreu em mente do que aconteceu com o meu rosto e cada cantinho de minh'alminha foi que eu "derreti" um pouquinho. Depois, pensei que se eu conhecesse Brando quando ele tivesse 23, eu "congelaria". Acho que atração tem a ver com derretimentos e congelamentos e derretimentos e congelamentos sucessivamente ad infinitum.
Se eu realmente tivesse encontrado Brando aos 23 em um diner - imagino um diner relativamente escuro e vazio, com booths, sempre adorei booths, e sofás vermelhos e mesas marrons e luzes amarelas - eu provavelmente sentiria sintomas de febre, principalmente nas bochechas, minhas bochechas são, like, as janelas de minh'alminha, e na testa, suando na linha do cabelo, enquanto congelo e me derreto repetidas vezes.
Gosto quando a voz feminina pergunta o que ele já fez e pede para ele virar de lado, dar uma volta e ele faz tudo sorrindo ironicamente e com os melhores movimentos de sobrancelha.
Foi Brando quem Olivier beijou em uma piscina? Eu não ligo, eu não ligo.

Obrigada, Jules, pelo link.

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Lawrence e as Calças de Couro Mágicas

Talvez, não, eu vou enquadrar e pendurar em minhas paredes apropriadamente:

1 - Um poster da Marilyn Monroe com o vestido branco levantado pela brisa do metrô e fazendo um gesto com a mão perto do rosto que, pra mim, é como se, no momento em que a foto foi tirada, ela estivesse dizendo "mas pára com isso, menino!" (não é minha foto favorita, mas ganhei o poster de presente do meu irmão por nenhum motivo em particular, o que foi muito, muito gentil e muito, muito surpreendente) Preto e branco.

2 - Uma foto do Marcello Mastroianni (imaginem gifs de corações explodindo gliter aqui) beijando - quem não beijaria? Eu imagino gansos insandecidos correndo atrás de - Anita Ekberg dentro da fonte em La Dolce Vita. Preto e branco.

3 - Uma foto do jovem Antoine Doinel, na prisão, em Les 400 Coups. Dedos gordinhos nas grades. Imagino que ele não estaria tão triste se soubesse que cresceria para ter o cabelo perfeito para homens. Preto e branco.

4 - Outra foto de Marilyn Monroe, a que usaram para fazer selos postais nos Estados Unidos. Fundo preto, vestido brilhante, decotado até quase chegar no umbigo e mãos no quadril. Queixo levantado. Braços tonificados. É a perfeição. Achei que seria irônico pendurar acima do meu espelho. Preto e branco.

5 - Um cartão de Marilyn Monroe, quadrado, menor, em que ela está lendo e empurrando a sobrancelha com o dedo indicador. Na parte de trás do cartão diz '"I want to love and be loved more than anything else in the world" Marilyn Monroe'. Preto e branco.

6 - Uma foto colorida de Kill Bill. Uma Thurman recebendo a Hattori Hanzo das mãos do próprio Hattori Hanzo e o cara careca. No fundo da foto, dá pra ver uma estante com fotos e livros do Hattori Hanzo.

7 - Outra foto colorida de Kill Bill. Uma Thurman se segurando no teto enquanto Gogo Yubari procura por ela com um olhar ameaçador e sua faca (acho que não é correto chamar de "faca", mas não sei como chamar) cheia de enfeitinhos cor-de-rosa.


Coloquei pedacinhos de durex atrás de cada uma das imagens e arrumei a disposição delas na minha parede. Tentei uma série de combinações. Simétrico. Assimétrico. Doinel olhando para Marilyn Monroe que olha para Marcello e Anita. Tentei centralizar de acordo com a minha cama, tentei descentralizar. Tentei dividir a área da parede que minha cama ocupa em três partes e colocar o poster em um terço, as outras fotos nos outros dois. Alinhar o topo do poster com o início da cortina da parede perpendicular. Me sentei na cama, com a coluna reta, me encostei na parede e marquei com lapiseira dois riscos bem acima dos meus ombros, onde achei que seria bom para as fotos terminarem. Pensei que eu precisava de mais fotos, que elas não combinavam porque algumas são foscas e outras são brilhantes e outras são bem contrastadas e outras nem tanto e uma é de um filme francês, outro italiano e outro americano. Algumas das fotos são de cenas de filmes e outras são de publicidade. Tentei misturá-las. Nada ficou exatamente perfeito.

Eu poderia usar dos talentos de Lawrence Llewelyn Bowen agora.

A impossibilidade de se obter o ambiente mais bonito do mundo para si mesmo é das coisas mais tristes do mundo todo. Queria dizer algo mais de grande esperteza e efeito, que solucionasse tal problema gravíssimo da existência, mas acho que o fim deste será permeado de pesarzinho pelas coisas bonitas inalcançáveis. Vamos todos suspirar por um minuto.

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