Million Dollar Kiss: 11/01/2007 - 12/01/2007
The Ego's Last Stand.
27.11.07
20.11.07
dbenenbe
Às vezes me sento na frente da televisão e dou raras oportunidades para programas ou filmes. Desde que criariam a Fox life, a versão feminina da Fox, tento entender o que é ser uma mulher de acordo com, ahm, não sei, mulheres em geral ou, pelo menos, produtores. Fox life exibe Sex and the City, Ally McBeal e, provavelmente, Steel Magnolias. Sei que falar mal de Sex and the City é coisa que já não se faz há uns cinco anos, mas, nossa, como é ruim, quero dizer, realmente ruim. As roupas são ridículas, elas são velhas demais. Ser mulher é assim tão triste?
Não que o FX seja muito melhor, mas pelo menos tem The Office, Family Guy, etc.. Por que The Office é algo de homem? Não faço idéia. Mas, hey, desde que Simpsons continue unisexy, ok. É claro, alguns homens são exatamente tudo aquilo que o FX representa (ou aquela noite masculina da Sony) e algumas mulheres são exatamente tudo aquilo que a Fox life (e aquelas "Mentes Perigosas") representa, mas, se é necessário dividir, não poderia haver um canal para garotas legais?
Lista de coisas que eu, como uma garota legal, acho legal:
- Piratas
- Ninjas
- Zumbis
- Monstros
- Robôs
- Aliens
- Fantasmas
- Explosões
- Artes marciais
- Violência em geral - decapitações, duelos, fraturas expostas, etc..
Escolhas muito masculinas que podem ser encontratadas facilmente em qualquer filme do Will Smith, eu sei, mas junte tudo isso à estética do CuteOverload, toda a sabedoria do Changing Rooms, a expressividade do GoFugYourself, todas essas coisas muito femininas, quase que restritas.
Pensei num desafio sensacional para um futuro programa de Project Runway. Os designers teriam de fazer fantasias de Halloween de forma não-brega e alluring. Seria uma forma de re-interpretar fantasmas, monstros e zumbis, traduzindo todos estes elementos masculinos para um universo feminino (ou bicha) - ou seja, tornando tudo ainda mais legal/bonito/inteligente. Porque é isso que mulheres são capazes de fazer, se apropriar do universo masculino, ou de todo o universo, que seja, e tornar tudo melhor como, veja só, um bom episódio de Changing Rooms.
Infelizmente, poucas tomaram consciência disso e, enquanto os gays assumem a tarefa de tornar a vida melhor (veja só Queer Eye) muitas estão ocupadas sendo inutilmente mulherzinhas. É necessário poder morrer (um pouquinho) por um sapato, mas também saber matar insetos - e com crueldade machona, se quiser. Quero dizer, eu sou mulherzinha, mas se eu só fosse mulherzinha, eu não seria a garota mais legal do mundo (da perspectiva do garoto mais legal do mundo, é claro).
Não que o FX seja muito melhor, mas pelo menos tem The Office, Family Guy, etc.. Por que The Office é algo de homem? Não faço idéia. Mas, hey, desde que Simpsons continue unisexy, ok. É claro, alguns homens são exatamente tudo aquilo que o FX representa (ou aquela noite masculina da Sony) e algumas mulheres são exatamente tudo aquilo que a Fox life (e aquelas "Mentes Perigosas") representa, mas, se é necessário dividir, não poderia haver um canal para garotas legais?
Lista de coisas que eu, como uma garota legal, acho legal:
- Piratas
- Ninjas
- Zumbis
- Monstros
- Robôs
- Aliens
- Fantasmas
- Explosões
- Artes marciais
- Violência em geral - decapitações, duelos, fraturas expostas, etc..
Escolhas muito masculinas que podem ser encontratadas facilmente em qualquer filme do Will Smith, eu sei, mas junte tudo isso à estética do CuteOverload, toda a sabedoria do Changing Rooms, a expressividade do GoFugYourself, todas essas coisas muito femininas, quase que restritas.
Pensei num desafio sensacional para um futuro programa de Project Runway. Os designers teriam de fazer fantasias de Halloween de forma não-brega e alluring. Seria uma forma de re-interpretar fantasmas, monstros e zumbis, traduzindo todos estes elementos masculinos para um universo feminino (ou bicha) - ou seja, tornando tudo ainda mais legal/bonito/inteligente. Porque é isso que mulheres são capazes de fazer, se apropriar do universo masculino, ou de todo o universo, que seja, e tornar tudo melhor como, veja só, um bom episódio de Changing Rooms.
Infelizmente, poucas tomaram consciência disso e, enquanto os gays assumem a tarefa de tornar a vida melhor (veja só Queer Eye) muitas estão ocupadas sendo inutilmente mulherzinhas. É necessário poder morrer (um pouquinho) por um sapato, mas também saber matar insetos - e com crueldade machona, se quiser. Quero dizer, eu sou mulherzinha, mas se eu só fosse mulherzinha, eu não seria a garota mais legal do mundo (da perspectiva do garoto mais legal do mundo, é claro).
19.11.07
13.11.07
Tai Chi mental
Eventualmente, ou nunca, gostaria de aprender a cozinhar excentricidades e fazer aquilo de convidar outro casal pra comer em casa e eu consigo visualizar toda a minha louça que é também toda excêntrica porque é isso que garotas fazem, elas compram copos roxos (e se você é garota e não compra um mini-garfo fúcsia, você não é garota). E queria ter uma máquina de costura e fazer algumas roupas pra mim, porque deve ser legal pegar um lençol e bam!, calças. E eu vou fotografar com aquelas câmeras sérias e vou fazer um catálogo de roupas pro meu pé. Inverno, uma touca e um cachecol no meu pé esquerdo. Verão, um biquíni para o pé direito. E M.L. acharia molto sexy, além de ligeiramente cômico ou ao contrário. Porque eu sou assim, molto sexy e ligeiramente cômica ou ao contrário. Tô na comunidade "Sou vulgar sem ser sexy", mas é pura humildade. Olha essa orelha, essa testa, esse cotovelo. Uh.
Mas tá, o que mais? Eventualmente, compro toda a minha wishlist na Amazon, ou nem toda por puro esnobismo. E tenho o melhor computador do mundo, mas isso é óbvio. Eu vou comprar aqueles móveis que se encontra pelo stumble, tipo a yakuza table. Na verdade, tudo que for possível de se comprar e está no meu stumble de alguma forma, comprarei, é claro. Porque é muito chato ir à seção de artes nas livrarias e dizer "já stumblei isso" e não levar a coisa fisicamente pra casa. E vou naquelas exposições anunciadas no metrô de Paris, não que sejam ótimas, mas porque eu vi e porque vi em Paris. Sabe o que é pegar metrô em Paris, com as mulheres mais effortlessly lindas e, além disso, ver fotos da Marilyn Monroe por todos os túneis? Ou a foto do Humphrey Bogart no shopping de Portugal. Primeiro mundo se diferencia do terceiro mundo por causa do bom gosto. Bom gosto atrai chi positivo e melhora a economia, as taxas de mortalidade, de educação, gera mais bom gosto, etc.. Ninguém morre de fome se apreciar genuinamente a beleza da Grace Kelly.
E vou poder manter as minhas unhas porque ultimamente eu só corto e tento, sem sucesso, limpar as cutículas. Preciso aumentar minha coleção de band-aids coloridos - o que também é coisa de garota e se você não gosta de band-aid da Hello Kitty você não é, etc. Os filhos, ou netos, não sei, dos baby-boomers conheceram a expansão desenfreada do mercado de trabalho para as manicures e agora vivemos essa situação em que é muito difícil ir até a esquina sem que se esbarre numa manicure, mas raramente se encontra uma devidamente capacitada. E se você encontra uma, é porque a sua unha é fácil e você não tem cutículas subcutâneas que precisam de explosivos, etc.. E Jesus Cristo, eu vou te odiar muito se você comentar sobre suas unhas.
E eventualmente, eu vou manter flores e plantas vivas. E vai ser assim, eventualmente: Eu acordarei lá pelas oito, tomarei café da manhã com leite, suco, croissant, salada de fruta, etc., e aí vou correr em roupas de designer e vou suar estrategicamente na testa, só um pouco. E aí vou ao mercado e vou comprar mais suco, croissant, etc., e um vaso de gérberas laranjas, essas coisas. Vou pra casa, faço o café da minha criança prodígio, comportada e gracinha, levo pra escola, aceno usando óculos escuros, muito fab e chic. E aí vou pra um daqueles trabalhos de comercial em que a mulher fica olhando uma pastinha e apoiando o queixo, assina umas coisas e vai embora, acenando e sorrindo para os meus subalternos. E compro roupas e livros e filmes. Busco o prodígio que me fez outro colar de macarrão, deixo ela na aula de italiano (segundas, esgrima e japonês, terças, squash e francês, quartas, cello e italiano, quintas, kick-boxing e chinês, sextas, caratê e piano, sábado, aulas de pintura, fotografia e filosofia, domingo, história do cinema, oficina de crítica e batalha naval e ela adora tudo) depois de ter feito um picnic com ela - sempre penso numa menina com o cabelo da Louise Brooks e uma mistura de personalidade de todos os Tenenbaums. E aí, à noite, visto um pijama de designer e assisto filmes com M.L., ele no sofá, deitado, eu no chão comendo pipoca em um tapete peludinho (eu não teria alergias). E aí dou banho no prodígio, que apareceu de repente em casa, uso todos os brinquedos fofinhos de banheira e uso todos os sais de banho, os que fizerem mais bolhas e coloco ela na cama caríssima do quarto decorado com o quê? Bom gosto. E eu fico acordada até mais tarde com M.L. e amigos, tomando vinho em copos o quê? Roxos e turquesas e etc..
Mas tá, o que mais? Eventualmente, compro toda a minha wishlist na Amazon, ou nem toda por puro esnobismo. E tenho o melhor computador do mundo, mas isso é óbvio. Eu vou comprar aqueles móveis que se encontra pelo stumble, tipo a yakuza table. Na verdade, tudo que for possível de se comprar e está no meu stumble de alguma forma, comprarei, é claro. Porque é muito chato ir à seção de artes nas livrarias e dizer "já stumblei isso" e não levar a coisa fisicamente pra casa. E vou naquelas exposições anunciadas no metrô de Paris, não que sejam ótimas, mas porque eu vi e porque vi em Paris. Sabe o que é pegar metrô em Paris, com as mulheres mais effortlessly lindas e, além disso, ver fotos da Marilyn Monroe por todos os túneis? Ou a foto do Humphrey Bogart no shopping de Portugal. Primeiro mundo se diferencia do terceiro mundo por causa do bom gosto. Bom gosto atrai chi positivo e melhora a economia, as taxas de mortalidade, de educação, gera mais bom gosto, etc.. Ninguém morre de fome se apreciar genuinamente a beleza da Grace Kelly.
E vou poder manter as minhas unhas porque ultimamente eu só corto e tento, sem sucesso, limpar as cutículas. Preciso aumentar minha coleção de band-aids coloridos - o que também é coisa de garota e se você não gosta de band-aid da Hello Kitty você não é, etc. Os filhos, ou netos, não sei, dos baby-boomers conheceram a expansão desenfreada do mercado de trabalho para as manicures e agora vivemos essa situação em que é muito difícil ir até a esquina sem que se esbarre numa manicure, mas raramente se encontra uma devidamente capacitada. E se você encontra uma, é porque a sua unha é fácil e você não tem cutículas subcutâneas que precisam de explosivos, etc.. E Jesus Cristo, eu vou te odiar muito se você comentar sobre suas unhas.
E eventualmente, eu vou manter flores e plantas vivas. E vai ser assim, eventualmente: Eu acordarei lá pelas oito, tomarei café da manhã com leite, suco, croissant, salada de fruta, etc., e aí vou correr em roupas de designer e vou suar estrategicamente na testa, só um pouco. E aí vou ao mercado e vou comprar mais suco, croissant, etc., e um vaso de gérberas laranjas, essas coisas. Vou pra casa, faço o café da minha criança prodígio, comportada e gracinha, levo pra escola, aceno usando óculos escuros, muito fab e chic. E aí vou pra um daqueles trabalhos de comercial em que a mulher fica olhando uma pastinha e apoiando o queixo, assina umas coisas e vai embora, acenando e sorrindo para os meus subalternos. E compro roupas e livros e filmes. Busco o prodígio que me fez outro colar de macarrão, deixo ela na aula de italiano (segundas, esgrima e japonês, terças, squash e francês, quartas, cello e italiano, quintas, kick-boxing e chinês, sextas, caratê e piano, sábado, aulas de pintura, fotografia e filosofia, domingo, história do cinema, oficina de crítica e batalha naval e ela adora tudo) depois de ter feito um picnic com ela - sempre penso numa menina com o cabelo da Louise Brooks e uma mistura de personalidade de todos os Tenenbaums. E aí, à noite, visto um pijama de designer e assisto filmes com M.L., ele no sofá, deitado, eu no chão comendo pipoca em um tapete peludinho (eu não teria alergias). E aí dou banho no prodígio, que apareceu de repente em casa, uso todos os brinquedos fofinhos de banheira e uso todos os sais de banho, os que fizerem mais bolhas e coloco ela na cama caríssima do quarto decorado com o quê? Bom gosto. E eu fico acordada até mais tarde com M.L. e amigos, tomando vinho em copos o quê? Roxos e turquesas e etc..
7.11.07
Paulo Salles Walk
Em que as pessoas saem pelas ruas e se escondem para nunca mais serem encontradas.
*
Baixei timidamente o novo álbum do Radiohead. Acho que não ouço Radiohead há uns três ou quatro anos e, tipo, com razão. Ouvi duas músicas do novo e achei bastante divertido, o que é muito estranho. Preciso verificar melhor depois.
*
Fato é que me peguei ouvindo Radiohead e olhei para o lado e encontrei o livro do Jonathan Safran Foer, o que eu esperei anos pra ler só para me atrasar um pouco da flashmob, e senti vergonha de mim mesma e, tipo, com razão. Um momento humilde que poderei relatar aos meus netos: "Me achava grande patota* na juventude, mas me descobri ouvindo Radiohead e lendo Everything is Illuminated e, putz, Boris e Portia... Putz!"
*O uso do termo "patota" se dá pela minha provável caducagem futura, se não presente.
*
Baixei timidamente o novo álbum do Radiohead. Acho que não ouço Radiohead há uns três ou quatro anos e, tipo, com razão. Ouvi duas músicas do novo e achei bastante divertido, o que é muito estranho. Preciso verificar melhor depois.
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Fato é que me peguei ouvindo Radiohead e olhei para o lado e encontrei o livro do Jonathan Safran Foer, o que eu esperei anos pra ler só para me atrasar um pouco da flashmob, e senti vergonha de mim mesma e, tipo, com razão. Um momento humilde que poderei relatar aos meus netos: "Me achava grande patota* na juventude, mas me descobri ouvindo Radiohead e lendo Everything is Illuminated e, putz, Boris e Portia... Putz!"
*O uso do termo "patota" se dá pela minha provável caducagem futura, se não presente.
6.11.07
Sharp and Shore
Feliz aniversário, M.L.!
Mrs. Sharp estava tomando chá com Mrs. Shore após uma partida de críquete quando mencionou o óbvio, nunca antes mencionado, sobre sua aparência. "Harold me disse," Mrs. Sharp disse, "que gostaria muito de ir ao Brazil." Na tentativa de esfriar sua xícara de chá, Mrs. Shore a soprou com força exagerada e algumas gotinhas de Earl Grey acertaram o nariz de Mrs. Sharp, que ignorou educadamente. "Mas eu tenho medo," Mrs. Sharp prosseguiu, "pois tudo o que sei do Brazil é que lá gostam muito de bananas..."
Mrs. Shore engasgou um pouquinho com a própria saliva, não tossiu e, por isso, algumas lágrimas apareceram em seus olhos avermelhados. Um cílio molhado da pálpebra superior do olho de Mrs. Shore se juntou a um cílio da pálpebra inferior causando ligeiro desconforto. Mrs. Shore logo ergueu a mão para esfregar o olho mas havia esquecido de deixar a colher do chá no pires. Ela chorou um pouco mais, em silêncio, e tentou rever seus passos mentalmente, "mas eu tinha colocado a colher no pires, não?".
"...E eu me pareço com uma banana, não acha?", Mrs. Sharp perguntou voltando de uma pequena experiência fora do corpo.
Mrs. Shore sentiu uma vontade súbita de engolir a colher, porém não a obedeceu. "Bem, eu...", Mrs. Shore tentou se recompor. "Eu sei, Louise, eu sei que eu me pareço com uma banana. Não tente me enganar".
Mrs. Sharp gostava muito de amarelo e usava freqüentemente. Tinha uma pequena curvatura na coluna que forçava seu corpo esguio a se contorcer. O centro do corpo para dentro, a cabeça e os pés para fora, como uma banana. E seu chapéu favorito era uma imitação do típico Fez egípcio, na cor preta.
"Eu até que gosto, " disse Mrs. Sharp, "seria muito pior se eu fosse um kiwi".
Mrs. Shore se esqueceu por um segundo do que estava vestindo, mas logo se sentiu aliviada ao concluir que não se parecia nem um pouco com um kiwi.
Mrs. Sharp mordeu um pedaço de croissant recheado de chocolate languidamente.
Mrs. Shore não era muito observadora ou muito inteligente ou muito atenciosa, mas era boa em interpretar os estados emocionais das pessoas pelas mordidas que elas davam nas mais variadas coisas: A forma como alguém segurava algo entre os dentes por estar com as mãos ocupadas; Os sentimentos por trás de alguém que mastiga o cabelo; Uma mordida ávida em um sanduíche; E uma mordida lânguida. Mrs. Shore logo percebeu que Mrs. Sharp precisava de um elogio e de algum conforto.
"Pelo menos é uma banana muito charmosinha," disse Mrs. Shore.
Mrs. Sharp estava tomando chá com Mrs. Shore após uma partida de críquete quando mencionou o óbvio, nunca antes mencionado, sobre sua aparência. "Harold me disse," Mrs. Sharp disse, "que gostaria muito de ir ao Brazil." Na tentativa de esfriar sua xícara de chá, Mrs. Shore a soprou com força exagerada e algumas gotinhas de Earl Grey acertaram o nariz de Mrs. Sharp, que ignorou educadamente. "Mas eu tenho medo," Mrs. Sharp prosseguiu, "pois tudo o que sei do Brazil é que lá gostam muito de bananas..."
Mrs. Shore engasgou um pouquinho com a própria saliva, não tossiu e, por isso, algumas lágrimas apareceram em seus olhos avermelhados. Um cílio molhado da pálpebra superior do olho de Mrs. Shore se juntou a um cílio da pálpebra inferior causando ligeiro desconforto. Mrs. Shore logo ergueu a mão para esfregar o olho mas havia esquecido de deixar a colher do chá no pires. Ela chorou um pouco mais, em silêncio, e tentou rever seus passos mentalmente, "mas eu tinha colocado a colher no pires, não?".
"...E eu me pareço com uma banana, não acha?", Mrs. Sharp perguntou voltando de uma pequena experiência fora do corpo.
Mrs. Shore sentiu uma vontade súbita de engolir a colher, porém não a obedeceu. "Bem, eu...", Mrs. Shore tentou se recompor. "Eu sei, Louise, eu sei que eu me pareço com uma banana. Não tente me enganar".
Mrs. Sharp gostava muito de amarelo e usava freqüentemente. Tinha uma pequena curvatura na coluna que forçava seu corpo esguio a se contorcer. O centro do corpo para dentro, a cabeça e os pés para fora, como uma banana. E seu chapéu favorito era uma imitação do típico Fez egípcio, na cor preta.
"Eu até que gosto, " disse Mrs. Sharp, "seria muito pior se eu fosse um kiwi".
Mrs. Shore se esqueceu por um segundo do que estava vestindo, mas logo se sentiu aliviada ao concluir que não se parecia nem um pouco com um kiwi.
Mrs. Sharp mordeu um pedaço de croissant recheado de chocolate languidamente.
Mrs. Shore não era muito observadora ou muito inteligente ou muito atenciosa, mas era boa em interpretar os estados emocionais das pessoas pelas mordidas que elas davam nas mais variadas coisas: A forma como alguém segurava algo entre os dentes por estar com as mãos ocupadas; Os sentimentos por trás de alguém que mastiga o cabelo; Uma mordida ávida em um sanduíche; E uma mordida lânguida. Mrs. Shore logo percebeu que Mrs. Sharp precisava de um elogio e de algum conforto.
"Pelo menos é uma banana muito charmosinha," disse Mrs. Shore.
4.11.07
Grr Awwr
Estou tendo problemas com internet. Não posso nem mostrar as fotos da minha maquiagem pra Zombie Walk, poxa vida. E posso dizer que fiz uma maquiagem profissional. =P
Usei látex líquido e uma massinha da cor da pele, coisa barata que se vende em lojas de mágica mas com resultados muito bons. Fiz uma mordida no meu pescoço, cortes profundos nas minha bochecha e braços e algo como o resultado de uma pancada com uma pá na minha testa - usei pedacinhos de papel higiênico pintados com sangue falso para parecer pedaços de pele embolados, além de buracos estratégicos no látex seco. E não choveu. E não estraçalhamos a câmera da faculdade. E aleluia. Agora, provavelmente vai estar tudo uma porcaria quando formos para a edição.
*
Não é mais hype se eu esperei anos para comprar tal livro, certo? Cheguei a conclusão de que é quase bonito se atrasar também com essas coisas. Ver os filmes anos depois de terem comentado, por exemplo, só pra não se meter nessas coisas como todo mundo. Acho que vi Cidade de Deus uns dez anos depois, ou vinte. Ou vinte. Desses daí de agora nem sei o nome.
*
Pensando sobre restaurantes e bares, não entendo o fascínio das pessoas com buffets. Um dos atrativos de se comer fora é alguém te servir e você não ser obrigado a abandonar sua cadeira para procurar por comida, carregar seu própria prato, etc.. Odeio churrascarias também. É exaustivo ficar respondendo "sim, obrigado" ou "não, obrigado". Nenhum garçom respeita aqueles cartões. Lugares com espaço para crianças são sempre terríveis porque elas nunca ficam só naquele lugar. Brincam de polícia e ladrão na cozinha, jogam vôlei entre as mesas.. Música ao vivo, horror. Qualquer cover de Beatles de qualquer bar pobrezinho, qualquer mesmo, é melhor do que o cantor mais virtuoso de MPB. Poucos objetos me inspiram mais ódio do que um violão, sentadinho num sofá hippie coberto por uma mantinha do Peru, iluminado pela tardinha jequinha.
*
Posto mais (e mais roupas) quando a conexão se recuperar melhor.
Usei látex líquido e uma massinha da cor da pele, coisa barata que se vende em lojas de mágica mas com resultados muito bons. Fiz uma mordida no meu pescoço, cortes profundos nas minha bochecha e braços e algo como o resultado de uma pancada com uma pá na minha testa - usei pedacinhos de papel higiênico pintados com sangue falso para parecer pedaços de pele embolados, além de buracos estratégicos no látex seco. E não choveu. E não estraçalhamos a câmera da faculdade. E aleluia. Agora, provavelmente vai estar tudo uma porcaria quando formos para a edição.
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Não é mais hype se eu esperei anos para comprar tal livro, certo? Cheguei a conclusão de que é quase bonito se atrasar também com essas coisas. Ver os filmes anos depois de terem comentado, por exemplo, só pra não se meter nessas coisas como todo mundo. Acho que vi Cidade de Deus uns dez anos depois, ou vinte. Ou vinte. Desses daí de agora nem sei o nome.
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Pensando sobre restaurantes e bares, não entendo o fascínio das pessoas com buffets. Um dos atrativos de se comer fora é alguém te servir e você não ser obrigado a abandonar sua cadeira para procurar por comida, carregar seu própria prato, etc.. Odeio churrascarias também. É exaustivo ficar respondendo "sim, obrigado" ou "não, obrigado". Nenhum garçom respeita aqueles cartões. Lugares com espaço para crianças são sempre terríveis porque elas nunca ficam só naquele lugar. Brincam de polícia e ladrão na cozinha, jogam vôlei entre as mesas.. Música ao vivo, horror. Qualquer cover de Beatles de qualquer bar pobrezinho, qualquer mesmo, é melhor do que o cantor mais virtuoso de MPB. Poucos objetos me inspiram mais ódio do que um violão, sentadinho num sofá hippie coberto por uma mantinha do Peru, iluminado pela tardinha jequinha.
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Posto mais (e mais roupas) quando a conexão se recuperar melhor.

