Million Dollar Kiss: 12/01/2007 - 01/01/2008
The Ego's Last Stand.

30.12.07

Adrien Brody

De tempos em tempos me lembro do Adrien Brody e sempre me apaixono um pouquinho por ele. Talvez não por ele-ele, mas o Adrien Brody que tenho em minha mente. Claro, o Adrien Brody da minha mente está diretamente relacionado ao Adrien Brody real, mas tenho uma série de visões que o tornam melhor, exclusivo e feito sob medida - que é, na verdade, uma falta simpática toda de medida.
Jamais faço alterações, na minha mente e no meu coração, em sua aparência verdadeira. Arrumo o cabelo dele de formas agradáveis na minha imaginação, como se estivesse fazendo carinho em alguma aura, utilizando todo o meu chi com cheiro de bolo de chocolate quentinho, mas jamais transformo ou visualizo de forma diferente os traços físicos que não deveriam ou poderiam ser modificados. Amo o nariz torto. Queria pegar aquela coisa de plástico que se usava na escola e me esqueci o nome para medir o ângulo correto da tortura toda. Medir todos os dias, ver se o ângulo muda em um mês ou em vinte anos - sim, eu estaria lá, medindo seu nariz por todos esses anos.
Costumo tratar gente como brinquedo - digo, fico experimentando em áreas não acostumadas com afago e atenção, como a parte mais gordinha da parte de trás do braço, perto da axila - e posso dizer com segurança que gastaria, todos os dias, uns vinte minutos empurrando gentilmente o nariz do Adrien Brody pra lá, pra ver se fica, com que velocidade volta para a posição torta, etc.. O mesmo com as sobrancelhas. Nunca vi o Adrien Brody com as partes mais grossas das sobrancelhas próximas aos olhos, bravo ou misterioso. Há sempre um eterno olhar de vulnerabilidade e, vá lá, comicidade fofinha e apetitosa que eu tentaria esparramar e puxar a da direita no sentido da orelha e a esquerda para o nariz torto, ficando tudo muito mais torto e awesome. Os começos das sobrancelhas estão sempre lá no meio da testa, como dois cometas ascendentes num marzinho de ruguinhas na testa que eu precisaria morder.
Geralmente prefiro olhos escuros, são muito mais expressivos, mas gosto que o Adrien Brody tenha olhos claros. Seria muito trágico se aquele olhar vulnerável e gracinha fosse composto de dois olhos escuros, ele ficaria muito triste, quase que irreparável. Gosto da boca e da voz, simplesmente porque são estranhas e dependem ambas do nariz. É uma boca embaixo DO nariz, uma voz que sai PELO nariz. O nariz, o nariz.
Desde a pré-escola, meu gosto por meninos é todo irregular. Garotos mais ou menos gordinhos, magrelos, da minha altura, mais altos, mais baixos, com os troncos maiores que as pernas, as pernas muito maiores que os troncos, a pele mais escura, a pele muito, mas muito clara evidenciando todas aquelas veias e artérias tão amadas quanto o pote de massinha mais querido dos potes de massinha. Não importava muito, eu sempre gostava do garoto engraçado que se sentasse na minha frente ou atrás de mim. Nunca gostei do garoto obviamente desejado por todas as outras garotas e, talvez por isso que me sinto repelida quando vejo fotos do Adrien Brody sem camisa e com uma quantidade surpreendente de braço. Aliás, um defeito terrível do Adrian Brody real são essas fotos que ele aceita fazer em que tentam deixá-lo propositalmente sexy, quando acidentalmente é tão melhor. Meu Adrien Brody nunca é fotografado desse jeito e também nunca é visto abraçado com mulheres. Hell, ele nem tem muito sucesso com mulheres que não sejam eu.
Meu Adrien Brody é mais fracote que o Adrien Brody real e também mais reservado - beijar a Halle Berry nos Oscars assim, nunca. Não é muito auto-confiante, mas não é terrivelmente inseguro a ponto de ser chato. É fofo, mas com muitas características essencialmente masculinas. Não digo que mulheres não correm atrás de trens, mas nenhum homem corre atrás de um trem como o meu Adrien Brody, erguendo todo o corpo do chão. Ele é todo muito estranho, como o ciclista de Belleville, e é muito interessante de se olhar a falta de proporção das pernas, dos pés, das mãos. Sinceramente, não o acho feio, então não posso dizer que é uma feiúra harmoniosa, mas talvez um conjunto de traços que isoladamente não seriam atraentes que ficam todos muito bem em conjunto. Aquele nariz só pode ter aquela panturrilha e aquela panturrilha só pode ter aquela voz nasal molto sexy.

Feliz Adrien Brody pra vocês!

29.12.07

Ganhei Ichi, Battle Royale e Maria Antonieta. Vocês ainda podem me dar os outros ;-)

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Pensamento que me ocorreu durante a ceia de Natal: Tomates cerejas são tão simpáticos. Pequenos, vermelhos, alegres porém audaciosos, deixam tudo muito mais bonitinho. Se o Mirisola tivesse um tomate cereja em cada uma das bochechas seria muito mais atraente. E um chapéu de banana. Porque se você quer fazer as pessoas sorrir, chapéu de banana.

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Estava elaborando minha teoria do morango ideal. Conheço um sorvete coreano de morango que tem mais gosto de morango do que morango. Porque, na verdade, morango quase nunca tem gosto de morango. Claro, ele tira vantagens da fama do morango ideal, suculento, doce, mas quase sempre os morangos são meh, azedos e apáticos (como moi!). Mesmo assim, a alma do morango ideal persiste e vive em nosso inconsciente coletivo. Talvez por causa de tudo que é de morango mas not really, como chicletes, sorvetes e sucos. Dificilmente um suco de morango não natural tem gosto de morango - wich is crap. Muito bom para os morangos verdadeiros e cheios de falhas que vivem confortavelmente, admirados por nenhum mérito real, encostados ad infinitum no morango ideal, este que não sofre nunca nenhum dano e nunca tem sua reputação denegrida. Mas seria desejável viver sob um estigma gostosinho e provar-se pouca porcaria? Ou é melhor viver sem falsos pretextos, sendo honesto e, portanto, adquirir algum valor justamente por isso? O tempo dirá.

22.12.07

Hm, eu poderia escrever muito sobre o ano e tudo mais, mas prefiro dar este link.

Mas só porque sou legal, músicas de presente abaixo. São todas animadinhas para não fazerem o gatinho chorar. Ficam disponíveis por sete dias. Ouvir em ordem porque me matei tentando achar uma combinação harmônica:

1 - No Cars Go - The Arcade Fire
2 - You! Me! Dancing! - Los Campesinos!
3 - I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You - Black Kids
4 - Lips Are Unhappy - Lucky Soul
5 - Keep The Car Running - The Arcade Fire
6 - Building Downtown (Antichrist Television Blues) - The Arcade Fire
7 - I Think I Need A New Heart - The Magnetic Fields

Feliz Natal e feliz 2008.

19.12.07

Minha cidade na França

http://petit-mignot.myminicity.com/
O pior de ser gente é ter de conter tudo, conter fisicamente ódio, raiva nos limites do corpo. O ideal seria que o ódio saísse do corpo em formato de lasers, você sabe, para que o ódio possa sair do corpo, constituir família, etc.. Agora pouco estava lendo umas coisas ridículas, oh brother, ridículas mesmo, e desejei muito poder arrancar meu rosto sem muitas conseqüências, deixar as ondinhas de raiva abandonarem meu corpo e, possivelmente, sujar o monitor.
Sempre fico impressionada como algo caminha, uh, dentro do corpo. Sempre que discuto com alguém, sinto como se tivessem jogado um copo de qualquer coisa, talvez suco de tomate, na minha cabeça. Sinto molhando em câmera lenta, só que acontece entre a pele e os ossos. É interessante até. Se eu me distrair durante uma discussão, estarei provavelmente tentando sentir meu suco de tomate para podê-lo descrever com maior exatidão.
Mas enfim, o ódio que senti agora pouco veio do fundo da cabeça até os olhos e era mais como ar e não tão líquido como de costume. É triste isso de conter porque senti a coisa toda perdendo a força assim que bateu nos olhos. Lasers são o meu próximo passo evolutivo.

18.12.07

Cortei quinze centímetros do meu cabelo. É bom fazer isso de vez em quando só pra fazer as pessoas saberem que você faz isso de vez em quando. Fica mais fácil para aceitarem quando resolvo fazer qualquer coisa inesperada, "mas, ei, lembra quando eu cortei quinze centímetros do meu cabelo".
Logo depois de cortar, eu não sabia se tinha gostado ou não. É basicamente o mesmo corte de um ano atrás, mas já faz tempo, perdi o costume. Estou ainda tentando medir a proporção da minha cabeça relacionada ao meu corpo.
Para remediar uma possível conclusão de que não, eu não gostei, comprei pantufas com formato de pés de monstro. Você já deve ter visto por aí, daquelas que têm três dedos e unhas de couro. As minhas são marrom. Se eu concluísse que não gostei do meu cabelo, eu poderia, pelo menos, ser a criatura de Cloverfield.
Tentei arrumar meu cabelo das mais variadas formas e ainda não tenho certeza. "Aposto que fico melhor com earmuffs", pensei. Coloquei minhas earmuffs - iguais a daquela asiática gorda apaixonada pelo Donnie Darko - esperando pelo fracasso, mas fica melhor mesmo. Como uma garota excêntrica de Helsinki e que é a criatura de Cloverfield durante as férias.

15.12.07



P.S.: Poxa, depois que postei pensei em mais um monte de expressões como "not my cup of tea", "what's his face", "party pooper"...

P.P.S.: "Sugar daddy", "eye candy"...

13.12.07

Porque mereço

4.12.07

Pequenos Hitlers

Há muito tempo penso em fazer um compêndio das coisas detestáveis. Seria o meu trabalho mais árduo e, provavelmente, o mais recompensador exatamente por isso. É muito difícil explicar porque algo é muito bom ou muito ruim, mas eu geralmente consigo lido melhor com as palavras quando trato com o que é muito bom. Acho que tem mais a ver com meu ar entusiasta da coisa muito boa em si que faz com que as pessoas acreditem e confiem em mim, enquanto falo de qualquer coisa péssima com um desdém pouco lógico e crível (mesmo quando há toda a lógica e credibilidade). Fiz uma pequena lista, uma vez, de pequenas coisinhas detestáveis, mas eu era inocente e achava que podia dar conta de todas as coisas detestáveis e de explicá-las todas na esperança de converter pessoas e fazer com que apenas as coisas maravilhosas sobrevivessem. Eu poderia fazer uma lista de coisas maravilhosas, mas acho que não teria o mesmo impacto de uma lista de coisas detestáveis e também não mudaria muito a situação das coisas em geral porque coisas muito boas passam mais desapercebidas que as muito ruins.
Pensei em várias possibilidades. Coisas detestáveis divididas das mais leves às mais letais. Coisas detestáveis categorizadas pelos seus momentos e lugares, como, digamos, a ética e a moral dos modos à mesa. Minha ética e minha moral, é claro, mas nem por isso menos soberanas. Pensei em simplificar e escrever uma lista de "Eu odeio..." e nada mais. Nada muito satisfatório. Um assunto tão sério, tão importante, merece maior explanação, exemplos. Pensei até, veja só, em pedir ajuda dos estranhos, abrir os comentários e deixar que as pessoas fizessem o trabalho por mim, mas muitos poucos passam tanto tempo como eu simplesmente odiando as coisas detestáveis e odiando sempre o que é merecido de ódio e de forma adequada, que é muito intensamente, quase que de maneira obcecada.

Devo tentar? Oh, não sei..

- Eu odeio barulhos altos desnecessários. Sou uma pessoa com problemas nos nervos, mas, muito mais que isso, sou uma pessoa alerta. Eu me assusto, mas apenas com o intuito de reagir da forma mais rápida possível a qualquer ameaça. Eu odeio que batam portas desnecessariamente (em discussões, é compreensível, porém démodé), que atirem coisas pela sala quando se pode movê-las gentilmente ou quando falam alto, gritam sem aviso prévio. Sempre que ouço barulhos altos, eu sofro perturbação física. Há o fator psicológico, o ódio puro com relação a gente inconveniente, mas barulhos fazem minha cabeça doer, todos os meus músculos ficam tensos e desmaio dentro de mim como se minha alma fosse um bode assustado. Eu abandono meu corpo, ou melhor, sou expulsa dele por um momento e volto irritada pela intrusão, querendo atirar meu sapato no responsável - coisa que não faria barulho algum e, logo, não seria assim tão detestável.

- Eu odeio barulhos baixos desnecessários. Principalmente aqueles relacionados ao corpo, como pessoas que mastigam alto ou respiram alto. Você só pode respirar alto se estiver doente. Tive ataques sérios de bronquite e sempre que alguém está respirando alto e com a saúde perfeita, me sinto ofendida. Você precisa estar sofrendo para conquistar o benefício de respirar alto. Já mastigar alto não tem perdão. Em absolutamente nenhuma situação você precisa mastigar alto. Mesmo que sejam pedras, você só precisa fechar os lábios e todo o barulho permanece dentro da boca. Não são só os dentes, mas a saliva. A saliva só faz barulho ao mastigar se você ficar abrindo e fechando os lábios, fazendo nhac nhac, e isso não é atraente. Nenhum barulho oriundo da parte interna do corpo pode ser maravilhoso. Mastigar alto é como um pum da boca.

- Extroversão desesperada. Há algumas horas, peguei o elevador com uma vizinha, uma mulher de uns cinqüenta anos, cara de Maria. Eu sempre cumprimento, muitas vezes com um ruído indistinguível, um aceno de cabeça, ou um simples reconhecimento visual. Ela me perguntou "oi", eu dei "ahmshshaoi", ela me perguntou "tudo bem?" e eu respondi "mmtudo". Note que eu não perguntei se estava tudo bem com ela. Simplesmente para evitar maior prolongação no ritual todo. Mesmo assim, ela começou a me contar sobre os filhos que casaram e a filha que está morando longe e como ela sentia falta deles. Não é crueldade eu não querer saber de tudo isso, só acho que não me cabe. Além disso, acho triste que ela precise contar isso pra mim, eu que não sei o nome dela e ela que não sabe o meu. Era apenas uma conversa de elevador, abominável por si só, com muita informação desnecessária e profundamente deprimente, tanto para mim como para ela. E, sabe, não era urgente, ela não estava mal, mal mesmo. Se estivesse, ok, mas não, era um estado morninho de tristezinha-nada. Toda extroversão é um estado morninho de coisa nenhuma. O pior de tudo é que você tem de se esforçar para reagir e responder a essa aberração, essa manifestação de nada.

Tento mais depois? Não sei.