Nordestern
Um cara me disse, uma vez, que preferia Cidade de Deus ao The Untouchables. Respondi que em The Untouchables as pessoas usavam camisas e sapatos, sem falar nos casacos e nas gravatas, e que isso era um sinal óbvio de superioridade. Fico impressionada com a velocidade que o Canal Brasil me faz rir. Passei pelo Canal Brasil e, juro, em menos de um segundo, ele me fez rir. Algum ator canastrão dos anos 60 conversando com alguém, a imagem bem ruim, e eu só ouvi ele dizendo "eu te tornei IMOR-TAL" e ri de acordar os cachorros. Nem precisa de contexto, não é uma piada que precisa ser construída aos poucos, é incrível. Todo comediante deve invejar esse poder natural que o cinema brasileiro tem de fazer rir, sem esforços.
No final de um filme brasileiro horrível (pleonasmo) chamado Cidade Baixa, tem uma cena de luta, nay, briga, nay, chinelada - porque "luta" e "briga" remetem a Jackie Chan, Jet Li e coisas imensamente mais legais do que as rugas da testa da Fernanda Montenegro ou o olhar cheio de culpa burguesa do Walter Salles. O que eu entendi era isso: Tinha essa garota prenha (de Luís Carlos Prestes?) e ela saía com dois baianos, um aquele gay lá do Madame Satã, e o outro familiar porém obviamente apagado de qualquer memória e os dois tinham essa briga muito emocional e dramática lá porque, pô, é difícil ser pobre. Morri de rir. Eles rolam umas ladeiras, uns baianos não-atores (são mais feios) ficam olhando com cara de "ih, eita, tão filmando" e eu fico torcendo para os dois se machucarem e gosto quando um deles bate a cabeça num degrau. Ah, era a pior maquiagem de sangue que já vi também. Jesus Cristo, não é tão difícil fazer um machucado falso.
Tudo no filme parecia ter o propósito de ser mal feito, nenhum zoom tinha foco, nenhuma cena tinha um enquadramento decente (mais natural, né?) e a câmera tremia quando a garota prenha começou a chorar, limpando os machucados dos dois caras, que também ficam chorando - juro, esse é o final do filme. Por que esse empenho em ser ruim assim? Se pelo menos fosse uma coisa meio Ed Wood e colocassem aliens, vampiros, capivaras assassinas, o que seja.
Toda cinematografia brasileira se beneficiaria de zumbis. Imagine. Central do Brasil com zumbis. A Fernanda Montenegro viaja com o garoto lá, mas eles são atacados por uns jagunços zumbis analfabetos, ela é mordida e ele tem de executá-la com uma calangada na cabeça. Genial!
No final de um filme brasileiro horrível (pleonasmo) chamado Cidade Baixa, tem uma cena de luta, nay, briga, nay, chinelada - porque "luta" e "briga" remetem a Jackie Chan, Jet Li e coisas imensamente mais legais do que as rugas da testa da Fernanda Montenegro ou o olhar cheio de culpa burguesa do Walter Salles. O que eu entendi era isso: Tinha essa garota prenha (de Luís Carlos Prestes?) e ela saía com dois baianos, um aquele gay lá do Madame Satã, e o outro familiar porém obviamente apagado de qualquer memória e os dois tinham essa briga muito emocional e dramática lá porque, pô, é difícil ser pobre. Morri de rir. Eles rolam umas ladeiras, uns baianos não-atores (são mais feios) ficam olhando com cara de "ih, eita, tão filmando" e eu fico torcendo para os dois se machucarem e gosto quando um deles bate a cabeça num degrau. Ah, era a pior maquiagem de sangue que já vi também. Jesus Cristo, não é tão difícil fazer um machucado falso.
Tudo no filme parecia ter o propósito de ser mal feito, nenhum zoom tinha foco, nenhuma cena tinha um enquadramento decente (mais natural, né?) e a câmera tremia quando a garota prenha começou a chorar, limpando os machucados dos dois caras, que também ficam chorando - juro, esse é o final do filme. Por que esse empenho em ser ruim assim? Se pelo menos fosse uma coisa meio Ed Wood e colocassem aliens, vampiros, capivaras assassinas, o que seja.
Toda cinematografia brasileira se beneficiaria de zumbis. Imagine. Central do Brasil com zumbis. A Fernanda Montenegro viaja com o garoto lá, mas eles são atacados por uns jagunços zumbis analfabetos, ela é mordida e ele tem de executá-la com uma calangada na cabeça. Genial!
