Million Dollar Kiss: 06/01/2009 - 07/01/2009
The Ego's Last Stand.

26.6.09

Moonwalking

Normalmente, eu odeio falar do que acabou de acontecer e do que todo mundo está falando sem parar, mas, putz, Michael Jackson, ícone da minha infância, ocupação das minhas tardes, quem verdadeiramente me ensinou a falar inglês... Putz.

21.6.09

DFW

Conclusão tão óbvia que quase que não percebo: Eu estou fazendo um filme de terror e gosto de filmes de terror porque tenho medo das pessoas. Entidades sobrenaturais, fantasmas, vampiros, lobisomens, são apenas aspectos humanos isolados e intensificados que me fascinam justamente por serem tão terríveis. Eu gosto de terror porque eu tenho medo de gente. Morro de medo de gente. Porque eu nunca sei como as pessoas vão reagir, pensar, fazer as coisas. Porque são pequenas entidades muito auto-suficientes, com muita liberdade para fazer ou ser qualquer coisa e isso me assusta mais do que tudo, essa potência pra qualquer coisa, sendo que tantas coisas são tão ruins.
Aparentemente, meu karma é lidar com pessoas. Todo mundo é obrigado a lidar com pessoas, mas parece ser a história da minha vida, a questão que sempre retorna de tempos em tempos como um coro inconveniente de uma tragédia grega do Woody Allen porque, como pessoa neurótica, freqüentemente desisto das pessoas, destruo meus laços com elas, depois volto, faço as pazes e depois brigo de novo, ad infinitum. Agora, veja só, minha função é abordar estranhos - justamente os estranhos que me matam tanto de medo. É um conflito. Todos os dias eu faço, ou tento fazer, o esforço consciente de ir contra a minha natureza - nay, ir contra o que seria mais seguro, mais confortável, mais fácil e morninho. Não tem sido de todo ruim.
Muitas vezes, sinto que existe uma barreira intransponível entre os estranhos e eu, que por mais que eu tente me aproximar, eles sempre serão estranhos. É uma verdade terrível, todos sempre serão estranhos, não importa o quanto você os conheça. É uma coisa que me dá uma dor sincera no peito, uma azia, uma sensação ruim, uma coisa que me dá coisas só de pensar. Mas estou tentando muito me aproximar das pessoas, dar uma chance para os estranhos não serem tão estranhos. Alguns realmente não valem a pena, não tem absolutamente nada em comum com você, nada que seja reconhecível, que indique que a pessoa é da mesma espécie que você, mas tem também alguns momentos que são puramente verdadeiros, em que há total sincronia, harmonia entre dois estranhos completos e completamente diferentes que, por um segundinho, são exatamente os mesmos. E é tão bom, reconhecer você mesmo nesses organismos estranhos e longínquos, que habitam lugares absurdos e fazem coisas absurdas que você sequer pode imaginar, é como ser um Dr. Manhattan, ser multiplicado, fazer parte de vários.
Trabalhando com estranhos, tenho alguns raros momentos de comunhão, de sensação de unidade, de fazer parte de um universo que faz algum sentido - e é justamente mais prazeroso por se tratar de estranhos, pela probabilidade, pelo risco. Automaticamente, eu continuo com medo de gente, mas estou tentando muito não funcionar no automático.

Por isso, li isso umas três vezes em voz alta.

12.6.09

E o Miyazaki fica mais longe ainda

Não passei na prova do Consulado do Japão. Bom, tem sempre o ano que vem...

10.6.09

Febril

Convivendo intensivamente com estranhos em um ambiente diferente, percebi algumas idiossincrasias minhas:

- Eu não consigo ficar parada, mesmo que eu fique vagando devagarzinho para um lado ou para outro, não tem nada pior do que ficar encostada em uma parede. Mesmo quando tenho de ficar encostada em uma parede, eu fico meio balançando e mexendo no eixo - só pra dar alguma sensação de movimento.

- Eu piso torto. Aparentemente eu coloco mais peso no pé direito - sei disso porque foi o lugar onde apareceu o primeiro calo, o pior calo de todos, que me incomodava até na hora de dormir quando esbarrava no edredon. Agora meio que passou, mas formou uma couraça em cima.

- Eu me canso facilmente. Saio do trabalho às 21hrs. A faixa etária dos meus colegas é de 20 à 30 anos. Todo mundo, TODO MUNDO, quer sair do trabalho e fazer alguma outra coisa - ir em um show, em um bar, no boliche, qualquer coisa. Eu juro que não entendo como que isso é fisicamente possível. Às 21hrs, eu quero comer, dormir e nunca mais sair de casa. E eu sou das mais novas.

- Minha maneira natural e automática de lidar com o que eu abomino é puro embaraço. Timidez, até. Acho engraçado. É como se eu encontrasse uma pessoa muito bonita e muito inteligente, que eu quero muito impressionar e parecer bacana e simpática, só que na verdade eu tô lidando com um monte de gente besta que eu sei que nunca mais vou ver na vida - não sei porque fico nervosa.

- Eu realmente tenho jeito com criança. Nunca consegui fazer uma voz diferente pra falar com criança, ou usar termos mais simples. Quando criança, sempre achava babaca o adulto que fazia isso. Percebi, então, que eu preciso falar normalmente, admitir o que eu não sei, perguntar o que ela acha - não por gracinha, mas porque eles acertam mesmo - e principalmente explicar as coisas, argumentar. Eu não posso falar "não pode", eu tenho de falar "não pode porque se você fizer isso vai acontecer isso e aí já era"- pronto - a criança sossega na hora.

- Eu realmente não sinto simpatia por gente maluca, não importa o que ela tenha vivido que tenha deixado ela maluca. E detesto quem tenta explicar comportamento de gente maluca e tenta muito forçar alguma humanidade que simplesmente não tá ali dentro.

- Algumas crianças são nojentas. Eu percebi que diferencio as crianças nojentas que serão adultos nojentos das crianças que estão se fazendo de nojentas mas são pessoas de verdade porque a criança que tá se fazendo de nojenta só faz nojentice com platéia. Gente nojenta de verdade é nojenta sem ninguém ver - eles não olham pra sua cara, dando risada, com jeito de "viu o que eu fiz?". Ela só é nojenta e pronto.

- Eu tenho preguiça de verbalizar as coisas. Meu cumprimento é uma coisa com os cílios. Eu aperto os olhos, faço umas covinhas na bochecha e sem abrir a boca, sem mostrar uma faixinha sequer de dente, eu dou "oi". Os músculos da minha boca parecem ficar mais confortáveis quando fechada. Quando quero dizer "putz, mas esse tempo que não passa, ai que saco" meio que faço só com as sobrancelhas. É mais fácil, mais rápido.

- Tenho medo de grupos de pessoas que decidem conversar. Se tem mais de quatro, eu já prefiro formar o meu próprio grupo paralelamente com no máximo três. Detesto sentar numa mesa com oito, dez pessoas, sendo que você só vai falar mesmo com os dois que estão do seu lado.

- Pessoas extrovertidas me assustam. Gente que usa ou usou dread na vida, gay que só comenta sobre o fato de ser gay, que associa tudo à pênis, gente que prefere lidar com adolescentes do que com crianças pequenas... Tudo isso me assusta. Gente de arte me assusta muito. Gente que deseja muita paz, muita saúde. Medo, medo.

- Acho que peguei amidalite pra parar de falar pelos próximos dois dias. Fui gradativamente aumentando minha participação nos grupos de monitoria até alcançar um volume de voz bacana, e olha o que deu. Não tenho dificuldades pra falar em público e acho que até falo bem, mas realmente não é bom pro meu organismo.

2.6.09

Eu: Você sabe o que é isso?

Criança de 5 anos: ... É uma escultura.

Eu: E você sabe do que é feito?

Criança de 5 anos: ... De materiais artísticos.

Eu: ... XD