Million Dollar Kiss: 12/01/2009 - 01/01/2010
The Ego's Last Stand.

30.12.09

22.12.09

How to Hang a Warhol

Resolvi escrever um pouco porque tenho dedicado muito tempo pra twitter, formspring, tumblr, facebook, orkut - Jesus, quanta falta do que fazer. Há um tempo que baixei um editor de texto todo bonitão de mac e ainda não consegui usar. Tenho medo de só conseguir pensar em 140 caracteres. Pensei em me forçar a escrever outro roteiro, sem saber de antemão qual vai ser o início, o meio e o fim. Pensei em continuar a escrever contos de terror. No hospital, terminei de ler Ghost Stories da Muriel Spark - legal que nenhuma história é realmente assustadora ou sanguinolenta, só um pouco peculiar e anormal. Tentei voltar a ler o infinite Jest logo em seguida, mas meu Deus, como tem sido difícil. Dava pra escrever um blog, o autor tentando ler Infinite Jest e comentando "cheguei na página 300 - só mais 700. socorro" - e comentando os trechos bons também, por que não? Mas não serei eu que vou fazer isso. Preciso ler alguma coisa normal enquanto leio o infinite Jest, meu Deus. Pensei em começar Brideshead Revisited mas o livro tá com uma cara de que não me pertence ainda. Não sei. Talvez continue com a Muriel Spark, que nunca escreveu livro com mais de 300 páginas - porque os cadernos em que ela escrevia os livros "eram pequenos". ^^

20.12.09

Cabelo Negro

19.12.09

Pode perguntar

Perguntar não ofende, eu espero: http://www.formspring.me/ieda

7.12.09

Arranhões no Ombro

Poucos semanas antes do meu casamento, marcas de arranhões apareceram no meu ombro. Colocando minha mão sobre os arranhões, eu podia ver que os cinco traços vermelhos, quase perfeitamente paralelos, combinavam com as unhas dos meus cinco dedos e, portanto, os arranhões foram causados por uma mão humana. Eu não conseguia me lembrar de ninguém que tivesse me agarrado pelo ombro e deixado marcas profundas como aquelas. Para tal, meu ombro precisaria estar descoberto ou a força dos dedos teria de ser muito grande, além das unhas muito compridas, para atravessar minhas roupas.
Eu tinha planejado um casamento no outono e as temperaturas já tinham começado a cair quando os arranhões no meu ombro apareceram, eu usava o meu casaco o tempo todo. Se alguém tivesse me machucado daquela forma, por cima do meu casaco, eu teria de me lembrar. No entanto, nada parecido tinha acontecido naqueles dias, nem mesmo um aperto de mão excessivamente firme ou um abraço mais apaixonado.
Sem saber o que fazer da minha investigação, resolvi que deixaria o assunto morrer quando as marcas sumissem da minha pele. Mas elas continuavam a voltar. Sempre que começavam a ficar mais fracas, quase inexistentes, elas voltavam na manhã seguinte, ainda mais intensas do que a última vez.
Comecei a pensar em teorias novas, improváveis. Talvez a fricção do meu casaco estivesse causando alguma alergia, uma irritação severa, apenas parecida com arranhões, em um dos meus ombros. Talvez, em alguma parte da minha rotina, eu esbarrasse em algo e não percebia, saindo do carro ou tentando desviar de uma coluna, um muro áspero. Talvez fosse nervosismo pelo casamento. Talvez eu tivesse me arranhado enquanto dormia por causa de algum pesadelo recorrente que eu não conseguia me lembrar ao acordar. Mas a medida em que as marcas voltavam cada vez mais fortes e cada vez mais claras, mais elas se pareciam com algo feito por alguém.
Meu ombro passou a ficar roxo e amarelo ao redor. Sempre que eu me esquecia dele e me apoiava em alguma parede, a dor me deixava envergonhada. Eu não podia explicar o que estava acontecendo comigo, eu não saberia o que dizer. As marcas estavam maiores, mais escuras, impressionantemente feias, seria ridículo não saber o que estava causando aquilo. Mesmo que eu estivesse conversando com alguém sobre qualquer outro assunto, sempre que eu me lembrava dos arranhões no meu ombro eu ficava mais introspectiva e calada. Aos poucos, minha personalidade mudou completamente.
Além de encontros obrigatórios com encarregados do buffet, da música e minha costureira, eu parei de sair com minhas amigas. Meu noivo estava viajando à negócios, ele não viu meus arranhões ou a minha mudança de humor, mas nossos telefonemas passaram a ser mais lacônicos. Ele me perguntava se eu estava bem, eu respondia que estava cansada. Eu sentia que deixava de amá-lo, pouco a pouco, sempre que eu não conseguia falar sobre as marcas no meu ombro.
Eu precisei fazer uma última prova do meu vestido de noiva pouco antes do meu casamento. Meu vestido era pouco decotado e tinha mangas compridas, minha costureira nunca tinha visto meus arranhões. Enquanto ela ajustava a barra, ela percebeu que o vestido estava manchado. Uma, duas, três manchas vermelhas que começaram lentamente a escorrer e espalhar. Eu olhei para baixo e vi que parte do meu vestido estava vermelho, a mão da costureira coberta de sangue. Meu ombro não parava de sangrar.
Pouco antes de ficar inconsciente, eu vi algo no espelho à minha frente. Enrolada no meu cabelo, eu vi uma mão acinzentada, apenas a mão, com as unhas cravadas no meu ombro.

5.12.09

O Tribunal das Frutas Secas

Minha família estava viajando com a orquestra de Cleveland em uma turnê mundial com o propósito de levar música capitalista às últimas cidades comunistas. Pyongyang seria o destino final. Eu tenho nove anos de idade, mas não me importo em ficar sozinha porque eu sou um gênio. A empregada aparece duas vezes por semana, mas eu raramente a encontro. Eu durmo de dia e faço seja lá o que eu queira fazer durante a noite.
Tenho tentado atingir o zen. Para atingir o zen, eu precisaria me concentrar por inteiro em seja lá o que eu fizer, qualquer coisa. Mastigar, pensando em mastigar. É muito difícil pra mim, então eu tento não me ocupar muito.
Estou ciente dos benefícios de se ter uma alimentação com fibras. Me alimento de cereais naturais com grãos e mel. Mas eu odeio as frutas secas. Não suporto frutas secas.
Para cada tigela, eu tinha de separar os grãos com meus dedos e procurar por uvas passas, pedaços de maçãs desidratadas e atrocidades assim. Joguei dúzias delas no lixo.
Se morangos vermelhos, suculentos e úmidos fossem como pessoas, pessoas deliciosas, pessoas que canibais africanos gostariam de comer, as frutas secas seriam como múmias incas descobertas no arroz, servidas com aves e bolos que nenhum canibal decente apreciaria.
Frutas secas, como cadáveres, são feias, têm cores naturalmente repelentes e texturas desagradáveis ao paladar. São como pequenos vestígios de morte que contaminam os alimentos mais puros e deliciosos.
Eu as odiava e eu sabia que elas me odiavam também.
Passei horas dos meus dias me concentrando no meu ódio às frutas secas e gosto de pensar que cheguei muito, mas muito perto do zen assim.
Um dia, pouco antes de dormir, eu estava me sentindo especialmente diminuta. Nada terrível tinha acontecido, eu só estava aborrecida. Eu podia sentir a diferença nos meus pulsos, nos meus joelhos e cotovelos, todos estavam menores. Meus cílios estavam mais curtos, meu umbigo parecia estar se fechando e meus pés subiam pela cama, como se minhas pernas estivessem se recolhendo para dentro do meu corpo, que também se recolhia para algum lugar. Então, eu dormi.
Eu sonhei que as frutas secas me raptaram do meu quarto, me amarraram com arames de pão, me amordaçaram com um pedaço de pano de prato e me levaram para o mundo delas, dentro da caixa de cereais.
Eu acordei em um tribunal, o tribunal das frutas secas.
Ainda de pijama, minhas mãos estavam puxadas para trás, presas. As frutas secas eram maiores do que eu. Havia um policial, um escrivão, um advogado de defesa, um de acusação, um juiz e júri inteiro. Além de mim, outros criminosos como eu. Chefs de programas de televisão, donas de casa, solteiros dedicados à culinária, todos inimigos públicos das frutas secas. Em dado momento, uma senhora se levantou e cuspiu no rosto de uma banana desidratada do júri. O policial, uma maçã, agiu rapidamente, jogando um pedaço de si mesmo bem na boca da senhora. Ela engasgou e, com uma expressão terrível de nojo, morreu.
Todos os acusados à minha frente não conseguiam uma boa explicação do porque maltratavam e maldiziam frutas secas que, na verdade, só queriam ser apreciadas. O advogado de defesa não servia muito e, freqüentemente, concordava com o de acusação. Um a um era sentenciado à morte por afogamento. Nas próximas vezes em que alguém despejasse o conteúdo de alguma caixa de cereais, eles seriam jogados também, imobilizados, para que morressem afogados no leite, ou mesmo devorados. E, então, chegou a minha vez.
Eu não poderia apelar para a minha idade pois eu já era bastante independente e resolvida para uma série de questões. Eu não era inocente e aquele era o meu castigo devido, mas eu ainda precisava lutar pela minha sobrevivência.
O meu trunfo era que eles me odiavam. Eu podia ver em seus olhos e como se moviam ao meu redor, que o pior pesadelo de qualquer fruta seca seria encostar em uma criança humana como eu. Eu pensei, se uma fruta seca pode matar uma senhora com um pedaço dela mesma, talvez eu possa matar uma fruta seca com um pedaço meu.
Ensaiei como seria em minha mente, tentei aceitar o que viam em mim, uma criatura desprezível, vil, e tentei parecer vulnerável e inofensiva. Expressei meu arrependimento e pesar, minha ignorância das conseqüências que cairiam sobre mim e sobre as famílias que perderam seus membros jogados no lixo, eu até chorei um pouquinho. Por fim, pedi para me aproximar do juiz. Com alguma relutância, ele aceitou.
Caminhei lentamente em sua direção até chegar o ponto em que eu precisaria tomar impulso. Me agachei um pouco e me lancei com toda a minha força para dentro do juiz. Meu corpo atravessou a sua pele com facilidade. Lá dentro, tudo era escuro, mas ele logo explodiu de tanto desprezo e eu voltei a ver a luz do tribunal. Todos estavam chocados quando apareci, toda suja de entranhas de uva passa. De lá, saltei pela janela atrás da mesa do escrivão, que já tinha fugido.
Lá fora, toda uma civilização de frutas secas. Mulheres e crianças e mesmo cachorros que não sabiam como reagir com a minha presença. Corri na direção de uma floresta de cereais. Eu me sentia mais forte e meu corpo estava crescendo de novo. Então, encontrei um desfiladeiro, o final da caixa de cereais.
Na manhã seguinte, a empregada me encontrou caída na despensa, ainda suja. Eu nunca mais comi cereais.

2.12.09

Não aguentei.

1.12.09

^^

Decoraram as vitrines da Bergdorf Goodman Men's Store com roupas e acessórios inspirados no Fantastic Mr. Fox. do Wes Anderson, cineasta e guru da moda. A idéia é tão adorável, queria muito que tivesse uma versão feminina. As roupas do rato ficaram lindas.

Ego Tripping At The Gates of Hell

Eu dei meu primeiro beijo aos 13. Tive meu primeiro namorado aos 15. Com ele, fiquei um ano. Logo depois, comecei um relacionamento à distância com um outro cara. Durou 6 meses. Depois namorei por 3 anos e meio, com um intervalo de uns 6 meses em que brigamos e eu namorei outra pessoa. Depois, voltamos, terminamos, comecei um outro namoro. Durou mais um ano. Tive 5 namoros sérios, que envolveram as respectivas famílias, promessas silenciosas de fidelidade, etc.. Em agosto, mais ou menos, tentei começar um relacionamento mais sério, mas não deu certo. Acho que paramos de ficar em outubro. Estou sem namorado-namorado há 7 meses. É praticamente um período de namoro solitário, mas têm sido difícil. Não sei se é feliz ou infelizmente que não posso romper comigo. Não me levem a mal, acho mesmo que sou um partido e tanto, mas queria poder ver o que mais existe por aí - mas de forma muito calma e tranqüila. Estou cansada, só queria alguém que me desse toddy de manhã.