Pooh
A intimidade pra mim é como a gorda peituda da tabacaria de Amarcord - é obviamente obscena e grotesca, mas exerce um fascínio que me deixa completamente vulnerável, soprando seus peitões sufocantes. Tem de haver alguma privacidade, algum mistério, mas a intimidade é o desejo final. Poder ser infinitamente ridícula e ainda continuar confortável é bastante sensual. Mais do que isso, é morninho.
Lembro de quando estava com o braço engessado por conta de tendinite e tinha acabado de operar o dente do siso (com a bochecha inchada, completamente deformada) e recebi meu então namorado em casa. Eu estava a coisinha mais feia e patética do mundo, mas a intimidade permitia. E eu deitava a bochecha boa no travesseiro, tirava o braço da tipóia e comentava com os olhos, "estou ridícula, não?" e ele sorria, "tudo bem".
Da mesma forma, acompanhei parentes operados, roxos, com terçol e cortes de cabelo terríveis - mas havia a obrigatoriedade, eram meus pais, meu irmão, eu tinha e tenho de viver intimamente com seja lá o que for, inclusive bigodes.
A intimidade com estranhos, deliberada e abnegada, é linda, apesar de esquisitíssima. É o que quero pra mim. De forma muito natural e estranha, ou estranha e natural. Quero poder dizer absurdos com alguém de forma muito calma e tranqüila, imitar o Paulo Maluf imitando o ursinho Pooh sem me sentir menos sexy, menos adorável e decente. Acho que é o objetivo das interações humanas de longo prazo.
Lembro de quando estava com o braço engessado por conta de tendinite e tinha acabado de operar o dente do siso (com a bochecha inchada, completamente deformada) e recebi meu então namorado em casa. Eu estava a coisinha mais feia e patética do mundo, mas a intimidade permitia. E eu deitava a bochecha boa no travesseiro, tirava o braço da tipóia e comentava com os olhos, "estou ridícula, não?" e ele sorria, "tudo bem".
Da mesma forma, acompanhei parentes operados, roxos, com terçol e cortes de cabelo terríveis - mas havia a obrigatoriedade, eram meus pais, meu irmão, eu tinha e tenho de viver intimamente com seja lá o que for, inclusive bigodes.
A intimidade com estranhos, deliberada e abnegada, é linda, apesar de esquisitíssima. É o que quero pra mim. De forma muito natural e estranha, ou estranha e natural. Quero poder dizer absurdos com alguém de forma muito calma e tranqüila, imitar o Paulo Maluf imitando o ursinho Pooh sem me sentir menos sexy, menos adorável e decente. Acho que é o objetivo das interações humanas de longo prazo.
