Million Dollar Kiss
The Ego's Last Stand.

16.8.07

A terrível verdade sobre Bogie e Bacall

Lauren Bacall, não se parecendo muito com Lauren Bacall, surpreendida por um paparazzi ao acalmar Bogie, desiludido e desesperado, enquanto tenta impedir que ele cometa uma loucura.

Bacall e Bogie são um dos casais mais famosos da história do cinema. Enquanto tal é marcado por relatos de violência e abuso, relacionamentos conturbados por inveja e luxúria, nunca se ouviu nada de negativo sobre Bacall e Bogie.

Até agora.

Hoje, com os milagres da ciência investigativa, todos sabem que Bogie era careca e usava peruca, que nem parecia peruca, mas era sim uma peruca. A calvice é um problema que afeta a auto-estima de milhões de carecas, desfaz casamentos e mata a libido. Nem por isso Bogie se deixou abalar e continuou a perpetuar sua imagem de galanteador que sofre uma tristezinha sofisticada e trata mal o Peter Lorre (que raspou a cabeça, mas não era careca, fato que incomodava Bogie).

Mas poderia tal figura de masculinidade tão poderosa no nosso imaginário estar sofrendo por dentro, em silêncio e sozinho? O que tenho a revelar é que Bacall, como sua alma gêmea e companheira no gamão, não o ajudava. Na verdade, ela era cruel com as inseguranças de Bogie.


O olhar vil e cruel de Bacall, segundos antes de cometer uma atrocidade contra o bem estar emocional e a integridade psíquica de Bogie.

Sempre que o casal recebia visitas, Bacall o humilhava na frente dos outros com um gesto que somente a mente terrível de uma femme fatale poderia conceber. Era muito simples, mas também muito eficaz ao abalar a confiança de Bogie por completo, fazer com que ele caísse em lágrimas e abandonasse a sala de estar correndo meio esquisito.

Bacall, recebendo as visitas em seu melhor vestido, apontava um quadro de unicório, comentava sobre as escolhas de cores do artista, a expressividade dos olhos melancólicos porém esperançosos do animal mítico perambulando pela floresta em busca de dias melhores. Enquanto isso, Bogie ao seu lado já sofria por atencipação. Assim que os convidados começavam a se hipnotizar pela beleza das emoções do unicórnio, Bacall silenciosamento levantava o braço, fazia com a mão o mesmo movimento de Bela Lugosi, pousava as pontas dos dedos no topo da peruca de Bogie - Bogie ficava muito ansioso só com o toque das unhas de Bacall atravessando todo o cabelo falso e encostando no couro cabeludo por debaixo da touquinha e a cola - e, então, o golpe final: Bacall virava a mão no sentido horário, fazendo com que a parte de trás da peruca de Bogie fosse para frente e a frente ficasse formando uma franjinha pra cima no topo da cabeça como o Picapau.


Bogie pedindo "por favor, pára com isso" e Bacall nem aí.


Bacall, então, tentava de tudo para atrair de volta os olhares dos convidados imersos na pintura do unicórnio para que pudessem notar o penteado de Bogie e fazê-lo passar vergonha enquanto sorririam sem graça e comentariam que já é tarde, melhor ir pra casa e tentariam passar a mão no cabelo algumas vezes sugerindo a Bogie que fizesse o mesmo, como se ele nem mesmo soubesse.

Bacall abriria uma garrafa de champanhe (o rolha bateria na peruca de Bogie, causando ainda mais estrago) e, então, Bogie estaria exposto e vulnerável. Muitas vezes, Bacall teve sucesso.

Bogie tentou usar presilhas, mas as visitas ficavam ainda mais perplexas e Bogie ainda mais envergonhado.

Os motivos de Bacall para tal crueldade são desconhecidos. Ainda hoje, quando a entrevistam e comentam sobre os anos de depressão de Bogie, ela muda de assunto e começa a falar mal da Nicole Kidman, tira uma foto dela da bolsa, desamassa e cospe em tudo.

O que se sabe é que Bogie, eventualmente, se recuperou e deixou as humilhações pra trás. Tudo pelo poder do amor.

Bogie poderia ter abandonado Bacall, mas sempre que olhava em seus olhos separadinhos, todas as reclamações, as frustrações e a ira desapareciam. Em seus últimos anos de vida, Bogie aguardava ansioso pela sensação cortantezinha das unhas de Bacall no topo de sua cabeça, onde seria a moleira de um adulto.

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